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Mensagens

A mostrar mensagens de 2010

Schhh

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
(...)
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Eugénio de Andrade, Já Gastámos as Palavras

Sê inteiro

"Se fores... vai mais longe! Se fizeres... faz diferente!
Se rires... ri até chorar! Se sonhares... sonha mais alto!
Se arriscares... arrisca tudo! Se pensares... pensa por ti!
Se saíres... sai da rotina! Se mudares... muda tudo!
Se contares... CONTA COMIGO!!!"
e
"Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo."

Escrito na montra

Saidas tardias dos bares no Porto,
passagens inteligentes perto de um alfarrabista,
na qual se deixa uma mensagem do
"anónimo" Jaime Gil...
Aquelas noites...

Memórias

Aquelas imagens doidas que se vao
guardando, das quais nem nos lembramos
da existencia...

Silencio

Poema à boca fechada


"Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo."

Medo

Se tenho medo, perguntaram-me e eu afim de nao parecer fraco respondi de imediato que medo era coisa que nunca sentira e na realidade era esta a ideia que tinha. vim-me embora a pensar nisto e reparei que afinal
tenho medo de nao ter feito as escolhas certas tenho medo de um dia querer que o tempovolte atras para mudar o futuro (presente) tenho medo de ficar sozinho aquele sozinho rodeado de gentetenho medo de que no fim "o todo" nao tenha valido a pena tenho medo que um dia alguém me julgue por um passado que nao posso mudar tenho medo da morte nem é só a minha tenho ainda mais medo da morte dos que me sao proximos apenas porque ainda nao fui capaz como muitos que aí andam de entender o significado da vida ou entao como outras que vivem com uma leveza invejável sem pensar no amanha tenho medo de magoar aqueles que me sao proximos, tenho medo de os afastar... Tenho, tenho medo!!

A insustentavel leveza do ser

Um dos livros que mais me "ilucidou" acerca da realidade (não sei definir exatamente a sensação) e me fez olhar para o mundo de forma diferente foi o romance "A Insustentável Leveza do Ser" (existe um filme mas aconselho sem dúvida o livro, a força da história para mim reside na prosa de Kundera e na forma como o mesmo nos leva aos bastidores do romance). A seguir aos dois primeiros capitulos que introduzem um debate cujo os personagens serão as “cobaias” da experiencia a fim de atingir as respostas. Lembro-me que nessa época eu estava a começar a ler Nietzsche o que me fez ler com mais afinco.
1A idéia do eterno retorno é uma idéia misteriosa, e uma idéia com a qual Nietzsche muitas vezes deixou perplexos outros filósofos: pensar que tudo se repete da mesma forma como um dia o experimentamos, e que a própria repetição repete-se ad infinitum! O que significa esse mito louco?
De um ponto de vista negativo, o mito do eterno retorno afirma que uma vida que desaparece de…

Há dias

Há dias que nos vao caindo à frente
e fazem questao de nos questionar
acerca de todas as opçoes que fomos
tomando ao longo dos anos, dos meses,
do dia, da vida, enfim...
E é precisamente nesses dias que nos
cai tudo em cima... Coisas faceis de
resolver, noutros dias, mas nestes,
nestes custa e parece impossivel
e nao da vontade nenhuma...
Nao me lembro, sinceramente, de um
dia que me tivesse chateado tanto como
o de hoje, nao lembro...
E sao estes dias que provavelmente
nos levam a ponderar outras opçoes,
outras realidades, e o passado inteiro...
Nem eu mesmo me tenho reconhecido nestes
dias... A tomar decisoes que me nao sao
usuais... Sim, toda a gente tem um ou
outro momento de sensibilidade, mas mesmo
nessas situaçoes costumo a ser mais ponderado.
E é nestas alturas que me fazia falta
alguem que me dissesse, "va, vai ficar
tudo bem", é nestas alturas que damos
conta daqueles que passam e deviam ter
ficado. Demorei, mas percebi...

so pretty

Porque uma musica nunca será apenas uma
Musica... Esta musica traz-me, sempre
que a ouço alguém, um passado, uma
"aventura", uma aventura que ficou e
que vai e volta e vai ficando...

Just become inflatable for you

Ir e voltar

Mordeste-me o coraçao, é certo, partiste sem que eu te tivesse dito, também é certo... Nunca pensei que
me tivesses mordido o suficiente para ainda hoje reparar que foi uma mordidela tao funda que ainda nao sicratizou... E se o tempo cura tudo, nao cura, por certo, coraçoes mordidos... Nao se esqueça o como doi
levarem uma parte de nós e nao é facil voltar a arriscar que mais alguem chegue ao coraçao para nos voltar a morder com força. Talvez seja esse receio, esse bocadinho que levaste de mim que me nao permita voltar a deixar alguém entrar para me voltar a morder... Ou entao continuo a acreditar que, como das outras vezes, voltes com o meu pedacinho e me digas que afinal partir nao foi o melhor que tinhas a fazer... E volto a deixar-te morder-me o coraçao, quando no fundo descubro que vinhas apenas devolver-me o bocadinho que me tinhas roubado, enquanto, parado, te vejo partir novamente para onde tens de ir... Já devia ter percebido que se partes para onde tens de estar, nao te devi…

Nem tudo é dias de sol

... Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se
-Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E quando haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

Fernando Pessoa

Charles Chaplin

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

Amar é

"Amar é...
sorrir por nada e ficar triste sem motivos
é sentir-se só no meio da multidão,
é o ciúme sem sentido,
o desejo de um carinho;
é abraçar com certeza e beijar com vontade,
é passear com a felicidade,
é ser feliz de verdade!"

Albert Camus

Acordo entre PS e PSD

Como sempre há-de acabar...

O elogio da loucura

ASSIM FALOU A LOUCURA Sobre a loucura: Quanto mais se é louco, mais se é feliz. Apenas a Loucura conserva a juventude e afugenta a importuna velhice. Quanto mais o homem se afasta de mim, menos goza a vida. Dona Natureza, genitora e criadora do gênero humano, tem o cuidado de em tudo deixar uma pitada de loucura. A Fortuna gosta das pessoas irrefletidas, das temerárias, daquelas que dizem habitualmente: “A sorte está lançada.” A Sabedoria torna tímidas as pessoas; encontrareis em toda parte sábios na pobreza, na fome e na miséria. Os loucos, ao contrário,nadam em dinheiro, tomam o leme do Estado e, em pouco tempo, são florescentes em todos os pontos. Só os loucos têm o privilégio de dizer a verdade que não ofende. A mulher: Juntar a mulher ao homem, seria, realmente, dizia eu, (criar) um animal delicioso, louco e insensato. Em vão a mulher veste a máscara, continua sempre mulher, ou seja, louca. É este dom da loucura que lhes permite ser, em muitos aspectos, mais felizes que os homens…

Quebrar?

Era eu a convencer-te de que gostas de mim,
Tu a convenceres-te de que não é bem assim.
Era eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.

Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar p'ra esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.

Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...

Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.

Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na cor que trazias.

Afinal...
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois...

Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxares-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.

Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a reza…

Tudo vai

E por fim reparas, que não és
bom o suficiente para que esperem
por ti, por fim reparas que tudo
aquilo em que acreditaste durante
tanto tempo nao passa, no fim, de
uma pequena desilusão, que se vai
revelando maior conforme a observamos
a afasta-se de nos por nao ter esperado.
Agora o que resta? Correr atrás de
quem nao ficou o tempo suficiente
para perceber se realmente queria
ir ou nao? Talvez a culpa seja minha
de me fazer esperar demais, talvez
tenha medo de voltar a "cair", talvez...
Por fim reparas que ficaste sozinho,
que quem esperava contigo, preferiu
caminhar sozinha noutra direcçao.
Por fim reparas que ficaste sozinho,
mas estar só nao é assim tao mau,
também nao é assim tao bom, bem o sei.
É um nao sei quê que se suporta, até
porque me apercebo de que realmente é
o fim e devo caminhar, nao atras de ti,
mas para o lado certo do coraçao, talvez...
O que nao quer dizer que caminhar no teu
sentido fosse o lado errado, talvez nao o
fosse, mas nao me parece bem correr atras
do que nao esper…

Eu que mudo

Este eu que vos escreve agora,
nao é o mesmo eu que acabaste de ler.
Somos seres em constante mudança
e o que eu escrevi neste momento,
provavelmente nao será a
mesma coisa que quero que leias agora.
Todas a ideologias que defendo hoje
amanha poderao nao passar de ideias
parvas e sem fundamento...
Amanha poderei olhar para ontem
e perguntar-me como foi possivel...
E não, nao vou mudar tanto assim
vou provavelmente pensar doutra forma
Ver as coisas com uma experiencia que
hoje ainda nao tenho e reparar que
afinal nao devia ter ido por "ali",
afinal nao escolhi o caminho certo...
Mas isso vai ser amanhã, depois de
descobrir onde o hoje me leva...
E assim nao vou ter de me arrepender,
vou ter de aprender...

"nao" destino

O filme falava acerca
de tempo, talvez abordasse
aquela velha máxima:
"Nao importa quanto tempo
dure, o que importa é a
intensidade com que se vive"
(nao sei se é exactamente assim),
Talvez tenhamos algo pre-destinado
talvez independentemente do
tempo que passe, independentemente do
que façamos nos entretantos, o que nos
foi, de certa forma destinado,
acabará por nos cair aos pés...
"isso" que nos cairá aos pés,
será entao o nosso destino.
Ora então o que realmente me
revolta é esse tal "nao-destino",
aborrece-me saber que por muito que
faça, por muito que tente, uma ou
outra coisa, se me estiver "nao destinado"
tudo o que fiz até então foi em vão,
ou sendo optimista, esse tal "vão"
acabou por ser o que acabou por
me levar, áquele que será o meu destino.
No meio disto, esqueci-me de mencionar
que o destino pode ser bom ou mau.
Esse "tal" destino acaba por não ser
mais do que um acumular de opçoes
que foram tomadas ao longo do tempo.
se fizermos as op…

Killing me softly

Nunca me tinha dado ao trabalho
de gostar de Alicia Keys...
É mais isso, dá trabalho gostar,
ás vezes...
Comecei por lhe dar o mérito pela forma
como toca piano e como sorri
enquanto se maravilha com o que produz...
Quando descobri que ela também
gosta destas músicas tive de
Aceitar que a miuda é fantastica...

One way or another

Bom, por vezes dou comigo a pensar
no como seria se...
Se nao tivesse complicado demais,
se tivesse feito tudo de uma outra forma,
se deveria ter realmente, ou nao,
ter ido ali, ou nao ter ido a esse mesmo "ali".
Perguntaram-me, não faz muito tempo,
se tinha medo...
Respondi sem pensar (o que me levou a
dize-lo com a certeza e a convicçao
de que essa era mesmo a minha resposta)
Nao... Isto era o que eu realmente pensava.
O problema é que essa pergunta acompanhou-me
durante mais uns quantos dias...
O que me levou a perceber que abaixo da
superficialidade desse "nao"
Tinha mais medos do que seria possivel adivinhar.
Medos esses que passam por aqueles tais "se".
Nao foram poucas as vezes que me apeteceu
deixar-me levar pela espontaniedade, atirar
tudo o que tinha para correr atrás de algo
"maravilhoso" mas incerto, arriscado digamos.
No fim acabei por reparar que me identificava
perfeitamente no que um dia disse a uma pessoa
que me foi, ou que ainda me é, muito imp…

POEMA AOS AMIGOS

A todos voces que estiveram
comigo ontem, principalmente
uns ou outros que insistiram
para ficar, um muito obrigado.
A todos voces que preenchem
a minha vida, um enorme obrigado
e admitam têm muita sorte
por me conhecerem (e dai talvez nao).

"Não posso dar-te soluções
Para todos os problemas da vida,
Nem tenho resposta
Para as tuas dúvidas o temores,
Mas posso ouvir-te
E compartilhar contigo.

Não posso mudar
O teu passado nem o teu futuro.
Mas quando necessitares de mim
Estarei junto a ti.

Não posso evitar que tropeces,
Somente posso oferecer-te a minha mão
Para que te sustentes e não caias.

As tuas alegrias
Os teus triunfos e os teus êxitos
Não são os meus,
Mas desfruto sinceramente
Quando te vejo feliz.

Não julgo as decisões
Que tomas na vida,
Limito-me a apoiar-te,
A estimular-te
E a ajudar-te sem que me peças.

Não posso traçar-te limites
Dentro dos quais deves actuar,
Mas sim, oferecer-te o espaço
Necessário para cresceres.

Não posso evitar o teu sofrimento
Quando alguma mágoa
Te parte o coração,
Mas posso ch…

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esquece…

Só te falta seres mulher

O fim pode ter um fundo bem lindo,
Mas nao vai deixar de ser o fim...

Da mesma forma que, como tu dizes,
fujo do futuro, com "medo",
Mas como te digo, de nada me vale,
porque ele vem já ai atrás, vê-lo?

Só te falta seres mulher...

De uma mulher...

“Não me lembro da identidade da voz que um dia, me confessou junto ao ouvido: “As únicas viagens, são aquelas que fazemos de corpo parado, quando a velocidade da mente nos guia até aos recantos mais obscuros das nossas recordações. Aí, a viagem deixa de ser sonhada para ser vivida a dois corpos.”. Hoje na sombra que vela a minha verdadeira face, concebo fielmente a verdade contida em tal pensamento.
Quando viajamos ao sabor das marés que se desenham contra os cascos dos barcos, sentimos a erupção de um mundo que ergue tiranicamente a nossa volta. Ama-lo ou odiá-lo. Nenhum outro sentimento mediano pode ser despertado do âmago da virtude humana. Ver o mar é ver o mundo. Um novo mundo, de horizontes insondáveis para um espírito atento e questionador como o de Richard. Para mim, apenas um mundo velho e estreito demais para as vontades e desejos de qualquer mulher.
Ao anoitecer cercava-nos um céu estrelado, vulgar e imperceptível para a maioria das gentes, mas perturbador para os que vêem po…

Lembro-me

Lembro-me daquelas noites de Verao
em que saia sem aquele peso do que
aí viria... Beber com os amigos,
sem ter receio de que no dia seguinte
poderia acordar de ressaca ao lado
de um papel que correspondia a uma
avultada multa passada pelos senhores
de fatiota verde...
Sair sem o receio de que no outro dia
as horas perdidas "hoje" fossem fazer
para lá de muita falta...
Tenho saudades desses dias, em que
saimos so os dois... so nos...
Tenho saudades daquelas noites em que
podia correr para todo o lado sem o receio,
esse receio miudinho, de encontrar quem
no meio de tanta gente, nao queria...
E isso leva-me a nós... Um nós que
corria para todo o lado sem medo de tudo...
Esse nos cansou-se... Mas eu vou sozinho!!
E vai ser hoje, ou amanha... Que vou correr
sem esse "medo" que te atormenta...

Hoje ou amanha...

Aceitem!

Eu sei que nos acostumamos. Mas não deviamos.
Habituamo-nos a viver no apartamento dos fundos
e a não ter outra vista que não a das janelas á volta.
E porque não temos uma vista, acostumamo-nos a nao olhar para fora.
E porque não olhamos para fora, acostumamo-nos a não abrir a cortina.
E porque não abrimos a cortina, acostumamo-no a acender a luz mais cedo.
E a medida que nos acostumamos, esquecemos o sol, esquecemos o ar, esquecemos a grandiosidade.

Acostumamo-nos a acordar de manhã exaltados porque está na hora.
A tomar café a correr porque estamos atrasados.
A ler o jornal no autocarro porque não podemos perder o tempo da viagem.
A comer porcaria porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é de noite.
A adormecer no autocarro por estarmos cansados
A ir dormir pesados porque acabamos de nao viver mais um dia.

Habituamo-nos a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E ao aceitar a guerra, aceitamos os mortos e que haja um número para os mortos.
E ao aceitar o…

Nao tem de ter um título... tem?

Nao tinha acerca do que escrever, dizia...
Olhava em volta e nao mais via que
um computador, nao muito moderno,
nao muito antigo... Descrever o quê?
Paredes vazias, cheias de nada...
Estantes cheias de objectos sem significado,
até que te aproximas, reparas em livros,
livros que contam uma história, que já
te roubaram uma ou outra noite...
Livros esses que tenho plena noçao que
nao são todos meus, ou melhor, são, mas
nao fui eu que os escolhi, além da
história interior ainda têm o como
cá teriam chegado...
Mais... Que haverá mais por aqui?
Ahhh Uma janela... Rectangular,
nada demais... A paisagem aparente
também ela nada demais... Mas por esta
janela consigo imaginar um mundo inteiro
lá fora... Vou sair... Foi um prazer!!
Salvo por uma janela de madeira...
Quem diria??

Desafio

A ti meu caro...
A ti que enfrentaste todos os medos
com uma força indomavel,
A ti que tantos sorrisos roubaste
aos que tinhas perto, aos que te "tinham perto",
A ti que nunca desististe...
A ti que "nunca deixaste nada
por dizer, nem nada por fazer"...

A ti agradeço o esforço que fizeste
pelo teatro, pela cultura, enfim,
por todos nós...
Nao te disse, porque acabei por
deixar algo por dizer...

Obrigado!!

Ser grande

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."


Fernando Pessoa (Ricardo Reis)

O Homem de hoje

E aí andas tu...
Vestido com aquilo que essa
merda de sociedade te ensinou
ser de qualidade e bom gosto.

Rodeado por uma massa uniforme
que te incentiva a seres esse
"nada" bem vestido, sim porque
nao passas de um merdas bem vestido
para aqueles que conseguem ver
através dessa máscara ridicula
com que orgulhosamente te passeias
pelo mundo daqueles que nada conseguem ver...

Essa merda de sociedade que te educa
e que faz de ti essa puta dessa futilidade
que te consome até á alma...
Aí andas tu...

Perguntaste, acaso, o real preço
dessa merda que te caracteriza?

Teoria do caos

Corremos atras de todas as respostas
Nao sei se só para ter espaço
para mais umas quantas perguntas
Se para tentar perceber o porque
de as coisas nao poderem ser
"á nossa maneira"
E quando por fim chegamos á
espera resposta, partimos
em direcçao a mais uma pergunta
só porque nao podemos viver
com a ausencia de porques.
Porque quem nao tem duvidas
tem mesmo mesmo muito pouco...

"Não me inquieto
quando não recebo as respostas
das perguntas que não fiz.
Eu me conformei
em reservar alguma coisa
de ti para saber depois.
Um pouco de nosso amor
será póstumo.
É recomendável
não descobrir todos os segredos"

Fabrício Carpinejar

A vida é muito importante para ser levada a sério.

Dizia aquele senhor, o Oscar Wilde...
E sim, a vida é realmente muito importante...
Mas porque nao a levar a sério?
Deixei tantas vezes "isto, ou aquilo"
Para trás apenas para aproveitar
Uma ou outra coisa que me ia proporcionar
Uma sensaçao qualquer, ressaca,
No dia seguinte que fosse,
Imediatamente.
Fui deixando nao menos que
Muitas vezes, o futuro,
No qual havia de ter investido
Algum desse tempo "bem deitado fora"
Se me arrependo??
Mas é que nao me arrependo nadinha!!
E agora... Tento levá-la
Um bocadinho mais a sério
Só para me lembrar de como
Foi tao bom ter feito de conta
Que o futuro podia esperar
O tempo que eu quisesse...
Esse futuro nao esperou...

Esperei por outro.

Ainda nao chegou...

Ao senhor prémio Nobel

"Na ilha por vezes habitada

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste."

Do senhor prémio nobel português,

José Saramago

Que tenhas mordido a vida até aos ossos!

Medo?

Será que nao foi aquele medo,
aquele medo que nos consome,
quando nos surge a ideia de
que alguém poderá ser feliz
com aquilo que era "nosso",
aquilo que já nao me chegava,
que me fez caminhar tão lentamente
para longe de nós?

Comparo-te

Comparo-te áquele momento fantástico
aquele momento preso á memória
como conceito do que de melhor
do que de melhor me podia ter acontecido...
Até que lá volto, "hoje", e reparo
que afinal tudo nao passava
da maneira mágica como te vivi...
Agora posso, finalmente, soltar
essa tal memória presa...
E voltar... Voltar a olhar para "lá"
com a certeza de que a magia, presa também,
a essa tal memória, pode agora ser minha
e só minha novamente!!
Foi como um pouco de mim que ficou
lá atrás, á espera, á espera
do que teria acontecido se o resto de mim
nao tivesse continuado em frente...

Perfeito

O tal conceito de perfeiçao
que tantas vezes se tenta,
em vão encontrar nao existe.
E porquê perguntas-me...
Imagina a melhor noite,
os melhores amigos,
sao esses que podem fazer da noite a melhor,
música, essa melodia que nos embala
pela noite dentro, fazendo com que
o silencio se consiga tolerar,
Umas quantas bebidas (porque já pertenco aquele grupo, fraco,
que quando sai com a intençao de se
divertir até mais nao já se auxilia nesse
complemento alcoólico de quem já
nao consegue divertir-se apenas com a sua sobriedade.)
Imaginem toda esta noite...
Mas hoje, especialmente, nao queria estar ali...
Queria um cantinho, um cantinho sossegado,
um cantinho onde nao houvesse ninguem,
onde ninguem conseguir notar
a minha ausencia presente naquele sitio.
a perfeição nao está ali, nem acolá,
nem em lugar algum.
A perfeiçao, a perfeiçao encontrámo-la diariamente
quando estamos, finalmente presentes
no sitio que esperavamos, com todo o ser...
A perfeiçao está em nós
e na maneira como lidamos com o que nos rodeia..…

Errar

"Não fica,
no limite, nada por fazer,
dissemos a quem amamos
o que tínhamos de dizer,
escolhemos entre dúvidas
sempre a resposta certa,
e sempre errámos,
mas

se errar é adormecer
aconchegado por um novo dia
pelo qual toda a noite esperámos -
os cães ladrando
na distância, a bruma assentando na terra,
e um último carro na estrada
a caminho de casa -
gostava de poder errar
outra vez,
para no limite
poder olhar para as horas vincadas
pelo sono e achar que foram
a única vida que tive."

Roubadinho ali ao lado
ao arquivo fantasma...

Autor: Desconhecido, por enquanto

Para onde?

Desengane-se quem
julga estar certo
porque haverá sempre
alguma coisa,
alguma coisa que
por muito que queiramos
nos irá sempre ultrapassar.
E repara-se, por fim,
que caminhamos sem sentido.
Descobre-se que nem tudo
tem realmente de ser "assim".
E nessa altura tudo se
torna mais leve, levezinho.
Porque caminhar sem rumo
nao é dificil, mas acaba
por nao dar em nada.
E se nao dá em nada
nao se torna pesado!
Vou longe ao menos
nas asas do meu pensamento,
nao compreendo, ás vezes,
mas fica-me a esperança,
a esperança, que há afinal
um "sitio" onde ficar.
Porque ficar parado não é,
como muitos dizem, um erro
Ficar parado no sítio errado,
isso sim, parece-me
um atraso importante.

Eu

"Preciso que
me reconheçam
que me digam Olá
e Bom dia
mais que de espelhos
preciso dos outros
para saber
que eu sou eu"

adília lopes

Acerca de gavetas

"Gavetas" fechadas
Ora cheias, ou pouco vazias
ora quase vazias
pelo cheio que esperavam,
fechadas a sete chaves
atiradas para o que de
mais longe há em nós
Hao-de la estar sempre
para nos lembrar que
o passado nao nos deixará
avançar sem receio de que
um dia por engano
abramos a gaveta errada
para de lá tirar
o que nao mais havia de ter saido
apenas porque fomos caminhando
exactamente para o que
de mais longe há em nos,
é esse tal medo
dessa tal caminhada
que nao poucas vezes
nos obriga a caminhar devagar
para que possamos evitar
as gavetas mal fechadas.

O que me tranquiliza
é que em cada gaveta
dei o que de melhor eu tinha
sem a noçao de que
no futuro teria sido mais
mas o futuro nao vale de nada
ás gavetas fechadas lá atras
porque nessas gavetas
nesse tal passado
nao me era possivel vislumbrar
o armario do presente.

E por isso caminharei
sem receio algum
para o que de mais longe há em mim
mas nao demais, apenas o racional
porque nao quero trair o que fui
o que sou
por aquilo que poderia ser se...

Já nao és

Serás, amanhã, notícia no jornal
e isso de que te importa,
se já nao vou querer saber de ti?
será uma folha morta de nós,
já não te acompanho no silêncio
das portadas,
já de nós não há memória
ao descermos estas escadas.
fomos rio impetuoso
que esbarrou sem liberdade,
na barragem construída
entre rugas de saudade,
fomos vento que passou
tão leve e ledo,
que o amanhã tornou-se um ontem
feito medo.
Fomos alma, fomos cor,
ou coisa breve,
e fomos morrendo os dois
cheios de neve
nos meandros da memória
que nos serve esta liquefeita
angústia que se bebe.

A idade...

"Com a idade,
um homem ganha vícios
e virtudes de que nem desconfiava quando novo;
e a noite é a necessária testemunha
destas consequências,
vai-se perdendo cabelos e o sono,
engodos e canções de infância;
nem a leda companheira de sempre,
melancólica e servil, a querida morte,
consegue aquecer o coração,
tomado pelo transtorno.

Não vale a pena puxar pelo cansaço,
usá-lo como desculpa para a fuga do costume;
é essa a decisão, preferir não erguer
o cerco à vida, deixar-se dormir
fora de tempo, sonhar com o dia
em que se entende que tudo o que os livros ensinam
é o início de um fogo - a sabedoria
o combustível eficaz da entropia.

Se não se aproximar de outra forma,
o vento nocturno é como a história, repetida,
e vai chegando com o fim do verão e o previsível frio,
circulando pelos ramos nus das árvores como
o tema que conduz esta barca ou o sangue
que sobe ao rosto no declinar dos confessados vícios
a que submeto a sublime amargura.

Ele por aqui está, e na companhia dele
regresso ao lugar onde o tempo se per…

Outono

Uma vez um homem encontrou duas folhas e entrou em casa segurando-as com os braços esticados, dizendo aos pais que era uma árvore. Ao que eles disseram então vai para o pátio e não cresças na sala pois as tuas raízes podem estragar a carpete.
Ele disse eu estava a brincar não sou uma árvore e deixou cair as folhas. Mas os pais disseram olha é outono.

Russel Edson

Existe...

"Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia..."

Deftones...

Lá atras, num tempo distante, onde tudo se adivinhava ser facil porque diziamos ser pessoas melhores que os que nos rodeavam (inocentemente)... Onde tudo se adivinhava ser diferente, onde se faziam promessas de tentar marcar pela originalidade, onde uns prometiam lutar por isto ou por aquilo, onde outros diziam revolucionar o que entendiamos por real, onde sem querer nos arrastavamos para um futuro bem diferente do imaginado, bem mais parecido com tudo o que já tinha sido inventado, ouvia-se isto...
E curtia-se milhoes!!

Hold On

"This world, this world is cold
But you don't, you don't have to go
You're feeling sad you're feeling lonely
And no one seems to care
Your mother's gone and your father hits you
This pain you cannot bare"

"Hold on...if you feel like letting go
Hold on...it gets better than you know"

Para todos aqueles que decidiram terminar as suas vidas,
para aqueles que nao podiam aguentar mais...

Miudo

"vai. vai miúdo. serás maduro, um dia.

ir, avançar é sempre

atirar o corpo contra a pele

simples, tangível.

os braços, as mãos, os dedos

são trajectos salientes: salientes, apenas.

e as costelas não se desbotoam. mas vai. vai.

um dia estarás maduro, pisado

dentro de mim,

ainda."

Poemas

O poema são fogueiras levantadas na garganta
ou um sono inclinado sobre as facas.

Alguém diz, a prumo
todos os nomes queimam,
e há uma deflagração assombrosa,

a palavra acende-se
com uma árvore de sangue ao centro.


Jorge Melícias

in A Luz nos Pulmões

Real?

"Quando leio um poema em voz alta

sinto que as pessoas me olham

como se esperassem uma revelação.

Como se estivessem à espera dos milagres.

E hoje, finalmente, quase cedo à

tentação de explicar os mecanismos

dos milagres. Por exemplo:

eu posso fazer gelo escrevendo apenas

a palavra «gelo». E isso mesmo

faria neste momento

se não temesse que os mais distraídos

usassem o gelos nos copos

altos do gin tónico."

José Carlos Barros

É verdade que sinto

"É verdade que sinto um imenso desprezo

pelos poetas. Por todos os poetas.

Esses seres ignóbeis que escrevem

a palavra «estrela» e uma estrela, de súbito,

nos queima os dedos distraídos. Uma

vez esteve aqui um poeta. Escreveu

a palavra «labareda». E ainda hoje as manchas

do fogo sujam as paredes e os

mosaicos vidrados da sala de reuniões

do Conselho de Administração."

De José Carlos Barros

Grito

"Aqui a acção simplifica-se
Derrubei a paisagem inexplicável da mentira
Derrubei os gestos sem luz e os dias impotentes
Lancei por terra os propósitos lidos e ouvidos
Ponho-me a gritar
Todos falavam demasiado baixo falavam e escreviam

Demasiado baixo

Fiz retroceder os limites do grito

A acção simplifica-se

Porque eu arrebato à morte essa visão da vida
Que lhes destinava um lugar perante mim

Com um grito

Tantas coisas desapareceram
Que nunca mais voltará a desaparecer
Nada do que merece viver

Estou perfeitamente seguro agora que o Verão
Canta debaixo das portas frias
Sob armaduras opostas
Ardem no meu coração as estações
As estações dos homens os seus astros
Trémulos de tão semelhantes serem

E o meu grito nu sobe um degrau
Da escadaria imensa da alegria

E esse fogo nu que pesa
Torna a minha força suave e dura

Eis aqui a amadurecer um fruto
Ardendo de frio orvalhado de suor
Eis aqui o lugar generoso
Onde só dormem os que sonham
O tempo está bom gritemos com mais força
Para que os sonhadores durmam melhor
Envolto…

Pode...

"Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar numa caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada"

Pode-se não escrever.



Pedro Oom

Florbela Espanca

"Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!"

Florbela Espanca

O vinho do solitario

"O olhar singular de uma mulher galante
Que desliza para nós como o raio branco
Que a lua ondulosa envia ao lago trémulo
Quando quer banhar nele a beleza preguiçosa;

O último saco de escudos nas mãos de um jogador;
Um beijo libertino da magra Adeline;
Os sons de uma música enervante e carinhosa,
Semelhante ao grito distante da dor humana,

Tudo isto não vale, ó garrafa profunda,
Os bálsamos penetrantes que a tua pança fecunda
Reserva ao coração sedento do poeta piedoso;

Tu deitas-lhe a esperança, a juventude e a vida,
— E o orgulho, tesouro da indigência,
Que nos torna triunfantes e iguais aos Deuses!"


Charles Baudelaire

A pior actualidade

"Tenho 31 anos e estou cansado.
Todos os sítios me vão parecendo, finalmente,
igualmente maus.
Todas as pessoas, incluindo as que gostam de mim,
insuportáveis.
Não encontro sentido nem para o que faço
nem para as coisas que deixo por fazer.
Olho para os outros
com a absoluta certeza de quem vê
não semelhantes,
serenos, resignados, envilecidos extraterrestres.
Olho para mim
e sinto-me como se não tivesse outros com quem partilhar.
Para onde quer que eu olhe,
a insuportável mentira que faz ninho, germina, destila
este tempo, este país, este modo de viver
a que chamam
progressista, tolerante, solidário, democrático,
avançado, europeu, e melhor e melhor
que todos os existidos,
que todos os possíveis.
Este modo de viver
onde falta tudo o que foi nomeado.
Que desfez a classe trabalhadora sem uma única bala,
que encarcerou as consciências sem uma única grade,
que me afasta sem um único cassetete,
que me exclui sem um ferro candente,
sem sequer uma estrela amarela na lapela.

Este tempo
de fatos novos,
de Imperadores.…

Um outro tanto

"Não sei como consigo
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia

é amar-te em mim
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia

perseguir a paixão até ao fim é pouco
exijo tudo até perder-me
enquanto, e de um jeito tal que desconhecia

poder amar-te ainda
um outro tanto"

Teresa Horta

Fim?

"A morte é uma coisa muito pouca

em nada se compara ao crescimento das constelações

a morte não respira nem se expande desde o centro

como fazem as estações desde o coração da terra..."

Traço comum

"Descalço-me de sombras para chegar a ti

as linhas do meu rosto são claríssimas

nelas não vês o velho, a criança, o adulto

vês apenas o traço comum

que é onde eu procuro a tua mão

na transparência da minha palavra inteira"

De: Vasco Gato

Tempestade

“E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros. E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.”

In: Kafka a beira mar - Haruki Murakami

Nothing really ends

"And touch we touched the soul
the very soul, the soul of what we were then
With the old schemes of shattered dreams
lying on the floor
You looked at me
no more than sympathy
my lies you have heard them
My stories you have laughed with
my clothes you have torn"

Dói!!

Aquele senhor que um dia disse "Ah e tal, Nunca é tarde demais" se por acaso tivesse acordado a hora que eu acordei teria percebido logo que quando me deitei, já era tarde demais!!

Nunca foi uma questão muito dificil

A pergunta é simples:

Porque é que o frango atravessou a estrada?

As respostas são várias:

PLATÃO
Porque ia em busca do bem.

ARISTÓTELES
Está na natureza dos frangos atravessar a estrada.

DESCARTES
O frango atravessa a estrada, logo existe.

MARX
Era uma inevitabilidade histórica.

MOISÉS
E Deus desceu dos céus e disse ao frango: "atravessa a estrada". E o frango atravessou a estrada, e todos se regozijaram, e louvaram o Senhor.

BUDA
O frango ia em busca da iluminação para chegar ao Nirvana.

JESUS
Apenas quem se faz frango e atravessa estradas pode entrar no Reino dos Céus.

GEORGES W. BUSH
Quando um frango quer dominar o petróleo tem que atravessar estradas para o conquistar!

SADDAM HUSSEIN
A acção do frango imperialista constituiu uma acção INACEITÁVEL de espionagem!
Mas o povo iraquiano ergueu-se em justa autodefesa e esmagou a força inimiga atingindo gloriosamente o frango com 20 mísseis Al-Samoud e 50 toneladas de gás tóxico!

FREUD
A preocupação com o motivo que levou o frango a atravessar a e…

No minimo nostalgica...

Ora andava eu por aí a espreitar um ou outro blog e reparei numa banda já há muito "esquecida" surgindo-me logo esta música á memória... Uma musica que me acompanhou durante aqueles tempitos de escola, aqueles tempos em que a responsabilidade se via ao longe e se tentava caminhar em lado contrario... Ao ouvir esta musica sinto-me o mesmo irresponsavel de sempre (talvez ainda caminhe no sentido contrário)... Ora e resta-me pedir desculpa a Nita por lhe ter "roubado" a musica e agradecer-lhe pela oportunidade de voltar a um passado, embora nao muito distante, talvez muito "diferente"...

Only happy when it rains...

Eu imagino a alegria desta miuda durante estes dias... Por muito deprimente que seja é sempre agradavel ouvir chover lá fora... Dá uma estranha e agradável sensaçao de conforto, onde por acaso além dos típicos momentos de tristeza surge, nao raramente, aqueles fantásticos momentos de nostalgia em que revivemos "todos aqueles fantásticos momentos"... I'm not happy only when it rains.