Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2014

Em P3

"Não faço anos hoje, nem amanhã nem sequer para o mês que vem. Ainda assim, há aniversários a toda a hora à minha volta e, como diz o povo, ninguém está a ficar mais novo. Eles, como eu, estão a aproximar-se perigosamente dos trinta anos – aquela idade que, em miúdo, achava eu que já se estava acabado para a vida. Que já se começavam a fazer os planos para a reforma. Que ter trinta anos era a fronteira da estabilidade: a partir daqui, cuida-se dos filhos, entra-se às nove e sai-se às seis e os dias pouco passam disto. Naturalmente, estava redondamente enganado.
É certo que os tempos mudaram demasiado desde o início dos anos noventa para cá, mas hoje, chegar aos trinta parece-me o maior desafio das nossas vidas. É a era do tudo ou nada. Em que olhamos para trás e as conquistas nos parecem sempre poucas. Apontamos, por isso, os binóculos para a frente e observamos as miragens das ambições de sempre. Se não for nesta década, dizemos ingénuos a nós mesmos, podemos esquecer. Aos quar…

Talvez

Antes sonhara toda a vida. Imaginara como seria o amanhã e o depois e o entretanto... Imaginara todas as conquistas que alcançaria um dia. Imaginava uma vida perfeita, uma vida única, julgava ter a capacidade de ser diferente de todos e adorado por outros tantos... À medida que os dias que um dia imaginara se lhe esbarravam com a vida começou a perceber que talvez tudo o que imaginou mais não era que o que toda a gente imaginara também... Lá atrás, onde sonhava de olhos abertos, julgava-se diferente e no fundo nunca foi diferente... A diferença talvez fosse que nunca partilhara o seu mundo com ninguém, os seus sonhos, os seus objectivos e como se dizia já há muito, um sonho que não é partilhado mais não é que isso mesmo, um sonho... Os dias iam passando e ia coleccionando derrotas, leves, pesadas... Das vitórias todas que tinha imaginado juntou derrotas e à medida que o tempo ia passando as derrotas pequenas quase eram como vitórias... Agora, de cada vez que viajava para o futuro mai…

"Onte"

Ver demais é um problema de visão mais grave que qualquer outro, ou outro qualquer... Não há ainda solução para aqueles que vêem para além do horizonte, não há ainda quem nos consiga fazer parar de olhar para lá de "onte"!!

Vai vento que a tempestade é uma criança

Vivia ao sabor do vento!! Diziam todos os que para ele olhavam com olhos de quem vê passar uma estrela cadente lá no horizonte... Os que viam mais de perto percebiam que às vezes o sabor do vento lhe dava vontade de ir contra ele. Às vezes quando tudo seria mais simples deixando-se levar impunha-se e tentava contrariar a corrente, de nada poderia valer para o mundo, mas fazia-o sentir-se solto no seu... Livre de correntes que prendiam os outros todos ao chão. Às vezes bastava-lhe perceber como seria a vida se a vida não fosse assim! às vezes sentia que tudo seria de uma outra forma qualquer, mas logo percebia que era assim porque os ventos nem sempre levam a sítios seguros e nem sempre levam a tempestades inultrapassáveis... Ficava ali, no meio, entre a felicidade e a tristeza, era como que estar no meio de um rio e olhar para as duas margens e não perceber para onde se devia remar. Era para ele fácil perceber que teria uma vida perfeita daquele lado, ou uma vida miserável do outro l…

Cartas anónimas

"Amor, ao leres esta carta vai para o meio do jardim, dá um beijo numa flor julgando que dás em mim; Vai-te carta voando, cada uma diz o que quer, mas eu queria muito que fosses minha mulher..  Passei à tua porta estava dizendo teu pai "Tantas tantas têm caído, mas minha filha não cai!!"... Por teres sido enganada tens andado a cismar, andas toda aferrada, ninguém te pode aturar. Neste dia 1 de Abril, dia da brincadeira, só penso em ti e gostava de estar sempre à tua beira. Tristes dias eu senti, duro é o meu viver, ter-te junto a mim era o meu maior prazer. Queres saber quem eu sou mesmo, hoje podes saber e chorar por toda a vida sem nunca me chegares a ver. Se vires o mar vermelho não te assustes que é sagrado, são as lágrimas de sangue que por ti tenho chorado.  Ai amor não tenhas pena de não saberes quem eu sou, pensa bem e imagina quem já tanto te amou. Sou todo teu para sempre, muitas e muitas felicidades... (deste que sempre te ama) "
Isto, pelo que eles co…

Era uma vez...

Não foram poucas as vezes que me questionei acerca do que seria eterno, do que será ser para sempre... Há muito me indagava se havia algum significado em eternidade, se valeria a pena ser eterno... As dúvidas nunca se dissipavam completamente... Às vezes parecia absurdo pensar que sim, não fazia sentido a memória, a intensidade da vivência, da convivência, da entrega, tudo isto parecia não fazer sentido, tudo isto parecia vazio de conteúdo, tudo isto mais não era que um pensamento confortável para aligeirar a vida tantas vezes, aparentemente, vã, vazia, fugaz, efémera... Outras vezes, dias mais solarengos talvez, a eternidade fazia algum sentido, haveria sempre memórias que se prolongariam para sempre, haveria com toda a certeza alguém que, mesmo deixando de estar fisicamente presente, viveria para sempre dentro de nós, nos sussurraria ao ouvido com aquela palavra que nos recordava novamente do propósito da vida, do verdadeiro propósito da partilha, da entrega, da felicidade já divid…

Pedaço de vida

Tinha uma vontade incontrolável de fazer, pensando bem ainda não tinha construído nada e o que tentava construir mais tarde ou mais cedo caíria... Tinha também uma vontade enorme de que as coisas corressem bem, como sempre haviam corrido até então... Não era infeliz, pelo contrário, sentia bem o sabor da felicidade, não era tudo, mas caminhava para o todo que seria. Tinha uma vontade insaciável de viver!! Tinha uma vontade incontrolada, ainda, de conquistar o mundo... O seu mundo... Decidiu então escrever num papel em branco todos os objectivos, decidiu espelhar o seu futuro num papel branco, um simples papel que mais não seria que o sítio para calcular o futuro... Não conseguiu escrever nada, nada do que pensava lhe parecia fazer sentido, nada lhe parecia possível escrever, como que se escrever destruísse cada objectivo calculado... E tudo voltou a fazer sentido, o futuro não se adivinha... E a folha em branco serviu apenas para adivinhar o passado.