Avançar para o conteúdo principal

A terra é quadrada

Sentou-se na mesa do café onde habitualmente se sentava com o seu melhor amigo, onde tantas vezes o tentara convencer de que o mundo era quadrado e nunca conseguira. Mas, desta vez, tinha uma nova estratégia, uma estratégia que talvez resultasse. Trazia consigo uma pequena bola. Ao fim de algum tempo conseguiu convencer o amigo de que a bola era um quadrado. Com isto e sabendo que o amigo já tinha descoberto pela televisão a forma da Terra, conseguiu que ele concordasse consigo de que a terra era mesmo quadrada convencendo-o de que uma bola era um quadrado. Daí para sempre teimava com toda a gente de que a terra era quadrada e não dava margem para discussões, porque ele sabia que a terra assim, só não sabia de que uma bola não é um quadrado. Mas sabia da verdadeira forma do mundo. E devia ser algures por aqui que todos os alguéns se deviam convencer de que ninguém está nunca absolutamente errado, às vezes só não lhe explicaram bem as formas e os contornos do que realmente conhecem.


Comentários

  1. Isso quer dizer, na tua opinião, que ninguém está absolutamente certo?

    ResponderEliminar
  2. Eu acho que muitas vezes acabámos por ter muita convicção naquilo em que acreditamos... Mas não conhecemos se calhar tudo e aquilo tudo em que acreditámos pode ser "abalado" por coisas novas que nos mostrem... É por isso que às vezes nos encontramos algures a questionar aquilo em que acreditamos ;)

    ResponderEliminar
  3. Parece que também deixas margem de dúvida nas tuas certezas ;) O que até parecia ter muito sentido e afinal até tem um bocadinho ;)

    ResponderEliminar
  4. :) Ser quase jovem deixa-me margem para não saber um monte de coisas ;)

    ResponderEliminar
  5. Mesmo quando deixares de ser quase jovem vais ficar sem saber muitas coisas. Pelo menos é bom que assim seja... (ou não, sei lá!):)

    ResponderEliminar
  6. E há muita coisa que eu não quero nunca saber ;) Tens toda a razão... A simples ideia de saber que poderá acontecer já assusta o bastante ;)

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

Mas, quando por alguma razão o amor nos falha e a vida nos ludibria, deixamos de ser quem já fomos. Há muito deixamos aquelas paredes velhas. E há muito que os sonhos que um dia soltamos das paredes já não são os mesmos. Quando o amor nos falha por qualquer razão voltamos sem sonhos, pelo men…
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."