domingo, 24 de outubro de 2010

O elogio da loucura

ASSIM FALOU A LOUCURA Sobre a loucura: Quanto mais se é louco, mais se é feliz. Apenas a Loucura conserva a juventude e afugenta a importuna velhice. Quanto mais o homem se afasta de mim, menos goza a vida. Dona Natureza, genitora e criadora do gênero humano, tem o cuidado de em tudo deixar uma pitada de loucura. A Fortuna gosta das pessoas irrefletidas, das temerárias, daquelas que dizem habitualmente: “A sorte está lançada.” A Sabedoria torna tímidas as pessoas; encontrareis em toda parte sábios na pobreza, na fome e na miséria. Os loucos, ao contrário,nadam em dinheiro, tomam o leme do Estado e, em pouco tempo, são florescentes em todos os pontos. Só os loucos têm o privilégio de dizer a verdade que não ofende. A mulher: Juntar a mulher ao homem, seria, realmente, dizia eu, (criar) um animal delicioso, louco e insensato. Em vão a mulher veste a máscara, continua sempre mulher, ou seja, louca. É este dom da loucura que lhes permite ser, em muitos aspectos, mais felizes que os homens. Aliás, que mais procuram elas nesta vida, senão agradar o mais possível aos homens. O amor e a paixão: O que distingue o louco do sábio é que o primeiro é guiado pelas paixões, o segundo, pela razão. Existem paixões que ajudam os pilotos experientes a ganharem os portos. Quem não fugiria de um homem desses, fechado a todos os sentimentos, incapaz de uma emoção, alheio ao amor e à piedade? O amante apaixonado já não vive em si, mas inteirinho no objeto amado; quanto mais sai de si mesmo para se fundir neste objeto, mais se sente feliz. E quanto mais perfeito é o amor, mais forte e delicioso é seu tresvario. A vida: Se a vida permanecesse triste, não se chamaria vida. Quanto menos motivos tem o homem de prender-se a ela, mais a ela se agarra. Que importa, aliás, que morra, aquele que jamais viveu? A felicidade consiste essencialmente em querer-se ser o que é. O santo a quem tu rezas te protegerá, se tua vida se parecer com a dele. Dirão que é uma infelicidade ser enganado. Bem maior infelicidade é não o ser. É um enorme erro fazer a felicidade basear-se na realidade. Há uns que são ricos apenas de esperanças; seus sonhos agradáveis bastam para torná-los felizes. Nenhum bem satisfaz se não for compartilhado. As ciências e os sábios: As Ciências irromperam na humanidade com o resto dos seus flagelos. O homem é o mais calamitoso dos animais, porque todos aceitam viver nos limites de sua natureza, ao passo que ele é o único que se esforça por superá-la. Eis porque Deus, quando criou o mundo, proibiu provar o fruto da árvore da Ciência, como se a Ciência fosse o veneno da felicidade. O louco fala loucuras; os sábios, pelo contrário, têm duas línguas: uma para dizer a verdade, outra para dizer o que é oportuno. A pior das faltas de habilidade é ser sábio fora de hora. Tipos humanos: Os gramáticos enchem a cabeça das crianças com puras extravagâncias. Qual a necessidade da gramática, já que a língua é a mesma para todos e a única utilidade da palavra é fazer-se entender? Como se fosse motivo de guerra tirar uma conjunção do domínio dos advérbios. Alguns atores estão no palco representando seus papéis; alguém tenta tirar-lhes a máscara. Destruída a ilusão, toda a obra se estraga. Os poetas formam uma raça independente, constantemente aplicada em seduzir os ouvidos dos loucos com ninharias e fábulas completamente ridículas. Da mesma farinha são os escritores, que aspiram à fama imortal com a publicação de seus livros...O supra-sumo é cumularem-se de elogios recíprocos em epístolas e peças em versos. O escritor, sob meus auspícios, desfruta um feliz delírio, e sem fadiga deixa fluir de sua pena tudo o que lhe passa pela cabeça, sabendo, aliás, que quanto mais fúteis forem suas futilidades, mais aplausos recolherá. Sempre é o mais inepto que encontra mais admiradores. Os jurisconsultos reclamam o primeiro posto (da loucura), pois não existe ninguém mais vaidoso – amontoam textos de leis sobre um assunto sem a mínima importância. Depois deles vêm os filósofos e se declaram os únicos sábios, vendo no resto da humanidade umas sombras flutuantes. Os teólogos. A erudição de todas (suas escolas) é tão complicada que os próprios apóstolos necessitariam receber um outro Espírito Santo para discutir tais assuntos com esses teólogos de um novo gênero. Os monges. O que ambicionam não é se assemelharem a Cristo, mas se diferenciarem um do outro. CITAÇÕES: O número de loucos é infinito. (Eclesiastes) O mundo está repleto de loucos. (Cícero) O louco muda como a lua, o sábio permanece como o sol. (Eclesiástico) A própria loucura faz a alegria do insensato. (Salomão) Quem contribui para a ciência contribui para a dor; quanto mais conhecemos, mais nos irritamos. (Eclesiastes) O coração dos sábios está onde está a tristeza. O coração dos insensatos, onde está a alegria. (Eclesiastes) O louco vai pelo seu caminho, acreditando que todos os outros são loucos como eles. (Idem) Que aquele dentre vós que parece sábio se torne louco para ser sábio. (São Paulo) A loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria dos homens. (Idem) FONTE: Elogio da Loucura – Erasmo de Rotterdam

Quebrar?



Era eu a convencer-te de que gostas de mim,
Tu a convenceres-te de que não é bem assim.
Era eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.

Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar p'ra esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.

Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...

Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.

Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na cor que trazias.

Afinal...
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois...

Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxares-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.

Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.

Não nos tocamos enquanto saías,
Não nos tocamos enquanto saímos,
Não nos tocamos e vamos fugindo,
Porque quebramos como crianças.

Afinal...

Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois...

É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora.

Tudo vai

E por fim reparas, que não és
bom o suficiente para que esperem
por ti, por fim reparas que tudo
aquilo em que acreditaste durante
tanto tempo nao passa, no fim, de
uma pequena desilusão, que se vai
revelando maior conforme a observamos
a afasta-se de nos por nao ter esperado.
Agora o que resta? Correr atrás de
quem nao ficou o tempo suficiente
para perceber se realmente queria
ir ou nao? Talvez a culpa seja minha
de me fazer esperar demais, talvez
tenha medo de voltar a "cair", talvez...
Por fim reparas que ficaste sozinho,
que quem esperava contigo, preferiu
caminhar sozinha noutra direcçao.
Por fim reparas que ficaste sozinho,
mas estar só nao é assim tao mau,
também nao é assim tao bom, bem o sei.
É um nao sei quê que se suporta, até
porque me apercebo de que realmente é
o fim e devo caminhar, nao atras de ti,
mas para o lado certo do coraçao, talvez...
O que nao quer dizer que caminhar no teu
sentido fosse o lado errado, talvez nao o
fosse, mas nao me parece bem correr atras
do que nao espera... Sim, porque isto nao
é como quem vai atras do comboio que se
apressa ao nosso atraso... O comboio já tem
o seu caminho traçado com barras de ferro,
já tem um horário defenido que nao lhe
permite esperar por mim, mas tu nao tinhas...
Poderias ter tentado ajeitar o tempo de
forma a que eu nao chegasse tarde...
Portanto caminho para outro lado, até porque
ainda nao me traçaram caminhos de ferro,
ainda me acho capaz de moldar o meu caminho
á minha vontade, á minha maneira...
E esse, esse será o meu caminho, o meu e o de
que me acompanhar nessa viagem...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Eu que mudo



Este eu que vos escreve agora,
nao é o mesmo eu que acabaste de ler.
Somos seres em constante mudança
e o que eu escrevi neste momento,
provavelmente nao será a
mesma coisa que quero que leias agora.
Todas a ideologias que defendo hoje
amanha poderao nao passar de ideias
parvas e sem fundamento...
Amanha poderei olhar para ontem
e perguntar-me como foi possivel...
E não, nao vou mudar tanto assim
vou provavelmente pensar doutra forma
Ver as coisas com uma experiencia que
hoje ainda nao tenho e reparar que
afinal nao devia ter ido por "ali",
afinal nao escolhi o caminho certo...
Mas isso vai ser amanhã, depois de
descobrir onde o hoje me leva...
E assim nao vou ter de me arrepender,
vou ter de aprender...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

"nao" destino

O filme falava acerca
de tempo, talvez abordasse
aquela velha máxima:
"Nao importa quanto tempo
dure, o que importa é a
intensidade com que se vive"
(nao sei se é exactamente assim),
Talvez tenhamos algo pre-destinado
talvez independentemente do
tempo que passe, independentemente do
que façamos nos entretantos, o que nos
foi, de certa forma destinado,
acabará por nos cair aos pés...
"isso" que nos cairá aos pés,
será entao o nosso destino.
Ora então o que realmente me
revolta é esse tal "nao-destino",
aborrece-me saber que por muito que
faça, por muito que tente, uma ou
outra coisa, se me estiver "nao destinado"
tudo o que fiz até então foi em vão,
ou sendo optimista, esse tal "vão"
acabou por ser o que acabou por
me levar, áquele que será o meu destino.
No meio disto, esqueci-me de mencionar
que o destino pode ser bom ou mau.
Esse "tal" destino acaba por não ser
mais do que um acumular de opçoes
que foram tomadas ao longo do tempo.
se fizermos as opçoes certas, o final
poderá ser feliz, caso nao haja um ou
outro destino a cruzar o nosso.
Portanto sendo optimista, construimos
o destino de trás para a frente,
como deveria ser, se formos pessimistas
acreditamos que o futuro ja nos foi destinado
á nascença... É realmente muito bom
adormecer agora e pensar que se hoje
cometemos um enorme erro, "amanhã"
não foi um erro, foi o destino que nos
levou a cometer esse disparate, em nome
de toda a felicidade que por aí vem...
Pois bem, isso não é acreditar no destino,
a isso chama-se ser comodista, chama-se
atirar para cima de algo que "pode" nem sequer
existir toda a responsabilidade de um ou´
outro acto impensado, irrefelectido, que
acabaria por nos perseguir até, caso não
houvesse esse tal "destino", ao fim.
Acredito seriamente nesse tal "nao destino"
até porque sou optimista e quero pensar
que aquilo que possa vir a acontecer
de bom, caso venha, aconteceu porque eu
lutei, tentei, acreditei, errei, resolvi e
nao porque o destino já tinha feito isto
tudo em minha vez...
Eu comodamente me sentaria á espera do
destino, esqueceria todos os erros que
cometi, isto se lhe podessemos chamar
erros, afinal não passam da forma utilizada
pelo destino para chegar a um objectivo,
então surge-me esse tal de "nao destino".
E eu fico a pensar que só quem
quer ficar comodamente sentado é que
espera pelo que ái vem...
Não sei se vou errar, mas essas pessoas
talvez nao tenham a coragem de enfrentar
a vida de forma cruel e simples e pessoal
e particular e "responsavel".
Eu gostava de acreditar no destino, talvez
acredite um pouco, talvez porque nao tenha
a coragem suficiente, mas ultimamente
tenho-me feito algumas perguntas e o destino
nao me parecer ser a melhor resposta para
muitas delas... E o que mais me assusta é
que não lhes encontro resposta alguma...
Deixei, talvez de acreditar (ou a nao
ter tanta certeza) em (de) muita coisa...

O filme nao é nada de surreal, aliás,
é muito básico... Tem um história
comovente: doença, guerra, amor, tragédia,
"traiçao", perdão... "destino" digamos...
Mas é básico e assim será a vida
ao acreditar no "destino"...
Eu sempre fui um não sei quê mais
complexo, nao me posso permitir
acreditar no destino, é dificil,
bem o sei, mas não e tão monótono,
será um bocadinho mais Interessante.
Ou então será uma enorme dor de cabeça,
e quando assim for acredito que foi o
destino que me obrigou a pensar assim...

Fácil...
Vou contra tudo o que defendi agora.

domingo, 3 de outubro de 2010

Killing me softly



Nunca me tinha dado ao trabalho
de gostar de Alicia Keys...
É mais isso, dá trabalho gostar,
ás vezes...
Comecei por lhe dar o mérito pela forma
como toca piano e como sorri
enquanto se maravilha com o que produz...
Quando descobri que ela também
gosta destas músicas tive de
Aceitar que a miuda é fantastica...