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chuva

Mais uma manhã de chuva, daquelas manhãs que dá vontade de não deixar ir embora porque nos embala num sono em que se fica acordado e se parece sonhar, quando, no fundo, o que acontece é pensar com o coração... Por ali se deixou ficar, a imaginar, a deixar-se levar pelo que o faria feliz, por entre a chuva que se atirava à janela com vontade de lhe calar a vontade... Durante esta tempestade pequena pensava como seria se simplesmente não pensasse do outro lado, se por momentos pensasse em si, se por um instante conseguisse dizer o que sentia sem pensar nas repercussões do que seria dito... Seria feliz com toda a certeza, mesmo que o que dissesse não surtisse qualquer efeito!! Poderia dizer para não ir, podia dizer o que ir significaria para ele, poderia explicar como seria o mundo se... Poderia tentar pelo menos... Por entre a chuva caiu um trovão, todos estes pensamentos idiotas de quem gosta e não pensa se foram embora e saiu daquele transe!! Continuou a gostar calado pela tempestade, ficou ali, a olhar apaixonado, a pedir baixinho que tudo corresse bem, pelo menos àquele lado, ficou a ouvir a chuva que se não calava, mesmo com os gritos dos trovões... E ele, calado com o medo à felicidade que poderia nunca ser, ficou ali deitado até adormecer... Com medo de não a fazer tão feliz como ela merecia, deixou-a ser feliz como já era antes dele. E por entre os trovões que lhe gritavam ao ouvido percebeu que era o que deveria fazer, porque acima dele estava a felicidade de outra pessoa, que poderia ser uma pessoa qualquer, mas não, era a felicidade de quem queria mesmo ver feliz, ver brilhar pelo mundo como só ela poderia. E isso, isso também o faria ser feliz com toda a certeza. Assim adormeceu, embalado pela ideia de que pelo menos lhe se lhe não atravessou à frente e nunca foi um entrave ao seu brilho que o cativava ainda mais de cada vez que sorria. Era como que se o seu sorriso para ele fosse como a sua felicidade, e sentia que a cada sorriso gostava ainda mais. E sabia que pelo menos nunca silenciara aquele sorriso, nunca calara aquela alegria. Podia dormir, por fim, descansado. Ela seria feliz e ele, se tivesse sorte, poderia continuar a vê-la ser todos os dias.

Comentários


  1. Ai estes pensamentos que assaltam com a intensidade da chuva e da trovoada; este sentir que se sente e que faz sentir bem; ai esta necessidade de abdicar da felicidade para que o outro/a outra tenha a felicidade...

    Coisas de quem ama! Gostei!

    Beijinho

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  2. Que nos fazem sentir vivos, que nos fazem sentir que ainda somos capazes de sentir, apesar de tudo ;) E ser feliz deve ser mesmo saber que os que gostamos o são, pelo menos... E se não podermos ser tanto como eles, seremos menos, mas tentaremos ser...

    Beijinho

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  3. A chuva é húmida , fria e desagradável, pede conforto e carinho. Um coração em chamas, um altruísmo magnífico e a beleza na imagem dum sorriso.
    Adorei. Fábio. Obrigada pela companhia. Gostei daqui.
    Um beijo. D

    http://acontarvindodoceu.blogspot.pt

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  4. Obrigado pela visita e muito obrigado pelas palavras... Sinta-se sempre muito bem vinda ;)
    Um beijo

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  5. A chuva faz-nos sonhar, faz-nos dar a volta à consciência e também nos faz voltar. A chuva molha, mas sobretudo limpa e purifica-nos a alma.
    Gostei bastante do teu outro blog, o das músicas. Segui ambos :)

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  6. Obrigado Bárbara ;) Beijinho e obrigado pela(s) visistas...

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  7. a chuva é necessária, mas acho-a desagradável, costumo dizer, que gosto mais do frio porque ele não me prende os movimentos.
    mas confesso que este texto inspirado na chuva está muito belo.
    eu gostei!
    beijo

    :)

    ResponderEliminar
  8. a chuva é necessária, mas acho-a desagradável, costumo dizer, que gosto mais do frio porque ele não me prende os movimentos.
    mas confesso que este texto inspirado na chuva está muito belo.
    eu gostei!
    beijo

    :)

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  9. Bom dia, Fábio
    Entrei aqui por acaso e confesso que gostei muito deste espaço.
    Dei uma vista de olhos (forçosamente rápida...), mas foi o suficiente para me induzir a fazer-me seguidora e voltar sempre que possível.
    Este texto é muito interessante e... altruísta. Pensar, antes de mais, na felicidade da pessoa amada, deixando para segundo lugar o nosso próprio "eu" não é para todos... mas é muito digno de louvor.
    Parabéns!

    Se quiseres dar-me o prazer da tua presença na minha «CASA» serás recebido de braços abertos.

    Um muito feliz 2014.
    Beijinhos
    Mariazita
    (Link para o meu blog principal)

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  10. Bom dia Mariazita...

    É um enorme prazer saber que gostou de cá passar e se sentir confortável volte sempre... E muito obrigado...

    Vou passar em sua "casa" e tentarei visitá-la sempre que possível.

    Beijinhos

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  11. De um contexto muito interessante, Fábio. A coerência está boa e a gramática também; parabéns!

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Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
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