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A mostrar mensagens de Maio, 2013

Esperança

Dei conta tarde, talvez. não havia percebido que perdera o nome da esperança que me guiou sempre.   Tentei, pelo menos, apagar os sonhos em mim, como que num último esforço para te trazer à realidade. Vi-te, ao longe, não mais eras que um vulto que se afastava a passos largos do que sempre fomos. Quis ainda ver se te conseguia conhecer o rosto, não consegui. Tinha apenas a certeza ténue de que eras a esperança e eu nem o nome te sabia. Perguntei a alguém que caminhava no teu sentido se ao menos alguma vez te chamara. Disse-me a medo que sim e disse-me o nome. Mas o nome pouco mais era que nada, porque nunca um nome te identificaria, nunca uma definição de definiria, nunca um retrato te retrataria. Eras mais, muito mais. e eu não te consigo apanhar. E só sei que eras a esperança que me restava e estar acordado não me chega. Porque agora já não posso sonhar.

"Deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação"

Diz-se daquelas pessoas que passam muito tempo perdidas pelo mundo criado e inventado que nunca hão-de ter os pés no chão. Esses que dizem podem, pelo meio do julgamento, esquecer-se que a imaginação permite a quem sabe usá-la criar uma realidade empolgante, conseguem viver fora da monotonia que assola uma parte do mundo, podem voar sem asas, nadar em poçinhas de água, podem correr sentados, viajar parados, mas pelo menos nunca hão-de viver como mortos por morrer. Esses, os que imaginam nunca se vão cansar de viver, mesmo quando lhes custa respirar, esses, ao contrário dos outros, vão respirar vida até à morte e não serão como os que não sabem imaginar que respiram morte enquanto vivem.

O horizonte

Estou em crer que a perfeição e o paraíso são o horizonte ali adiante... O horizonte que por muito que caminhes, caminhará sempre à tua frente. É a junção de terra e mar e céu... É um caminhar sem sentido, à procura do que já temos, porque o horizonte nunca nos foge da frente.

E porquê?

Se a um outro qualquer perguntassem o porquê de a amar, certamente teria um sem fim de motivos fantásticos e tangentes. Tenho a certeza de que lhe apontariam virtudes que eu muitas vezes perdia de vista. Diriam coisas tão lindas acerca dela que certamente teria de me esconder, para não correr o risco de me vislumbrar. Sei que a descreveriam como sendo mais e melhor que os demais, sei que a diriam como um projecto inacabado, mas já perfeito. No entanto, se me perguntarem a mim só lhe saberei dizer que é por ser ela, direi-lhe que não sei... Que gosto só. Como se só gostar não chegasse. Diria-lhe que é por sermos nós, por ser uma história nossa. Olhar-lhe-ia nos olhos e dir-lhe-ia a medo que a proximidade nos obriga a perder de vista o bom e o mau e as coisas não mais são que "velhos hábitos". O velho hábito de gostar, que já há muito perdeu a razão, que já há muito se esqueceu do porquê de começar. E é nesse perder de vista que tenho noção que te perco, por te não saber dizer…

Orgulho

Estavam sentados, de costas voltadas. Ambos julgavam ter a certeza de que o outro olhava para ele de quando em volta. Ele, olhava para uma montra de vaidades, onde homens e mulheres expunham toda a sua futilidade. Ela estava perdida num livro que lhe havia sido oferecido já há muito, há tempo suficiente para se não recordar quem deveria chatear pelo vazia de conteúdo espalhado por aquelas páginas cheias de palavras inúteis. O orgulho de ambos impedia-os de se voltarem e ficarem à espera daquela troca de olhares que levanta as borboletas do estômago. Por ali continuaram até ao fim da tarde. Quando finalmente ela se lembrou de arriscar e tentar abordá-lo ele já se tinha ido embora. Para voltar um dia, talvez um outro dia. Pelo caminho de casa ela recordou-se de quem lhe dera o livro. Havia fortes possibilidades de ter sido a pessoa de costas voltadas. Pensava ela, para tentar aguentar e suportar o facto de não ter tido a inciativa mais cedo. Parecia-lhe mais fácil aguentar pensando que …

Igual

São noites perdidas, banhadas em álcool brando, que acabam tarde, muito tarde, dizem aqueles que vêem do lado de fora. Nestas noites, vive-se, vive-se como se não vivia há muito tempo, aparentemente espancamos a noite até ela deixar de respirar. E é por aí que voltámos ao passado, aos amigos, às sensações fortes, à vida! E é quando voltámos a reparar que, no fim de tudo, continuámos iguais. Iguais ao que sempre fomos.

Vida cinematográfica

Há quem viva o presente apenas como um lugar confortável do qual olha para o passado e pensa no que não devia ter sido, do que devia ter sido e não foi. E é um filme único, com diálogos geniais e impossíveis, é tão surreal que chega a ser ficção, às vezes dói tanto que poderia ser um drama, e tens situações tão hilariantes que poderia ser considerada a melhor comédia de sempre. Parece, de facto, uma maneira fantástica de viver. Mas continuámos ali, como se fosse possível escolher os capítulos e alterá-los de acordo com a revelação dos capítulos que tardariam a chegar. E vive-se pouco, muito pouco e o futuro só serve para assistir ao filme uma fila mais à frente.

Dizem do amor

Aqueles dizem que dói,  os pobres coitados
julgam ter espinhos no coração espetados
Não imaginam que o que lhes varre a alma
mais não é que um pequeno arranhão na palma.

Correm sem norte e sem razão os desgraçados
à procura do que julgam que dói por dentro
Para no fim descobrirem que são os afortunados
que sempre viveram o amor fora do centro.

São esses que se riem agora dos que não amaram
tal como eles, as pessoas pelo lado de fora
Foram sempre esses que o amor lembraram
como um infortúnio que por fim se foi embora.

A vida em 3 linhas

E a cada quantos passos um tropeção,
daqueles de abanar a alma e o coração,
a cada luta uma ferida impossível de sarar,
a cada pequena disputa mais um sangrar.

E de luta em luta tudo se torna em disputa
é tudo luta vergonhosa e impiedosa
Para mais tarde entender que a vida é uma pu**
Que tem tudo, menos uma saída gloriosa.

Aos fracos pouco há além do desistir,
aos fortes pouco há além do lutar sempre
apesar da certeza que a derrota é iminente
apenas sabendo que tudo foi apenas existir.

Fantasmas

Há aqueles que dizem não acreditar em fantasmas, que são completamente cépticos relativamente a esse assunto! Esquecem-se porém de todos os fantasmas assustados, que vão alimentando cegamente, a cada opção que é tomada. A cada escolha, deixámos um pouco de nós, e vamos alimentando esse ser inexistente, com arrependimento, com um bocadinho de vontade de voltar atrás, com um "ai se eu tinha feito isto ou aquilo". E muitos desses, que não acreditam em fantasmas, um dia, vão ver-se atropelados por eles, completamente cilindrados, destruídos, possuídos.

Dos mais fracos aos mais fortes

Nem todos nasceram para atingir grandes feitos, grandes objectivos. Alguns nasceram para mudarem as correntes do mundo, as amarras do destino, a vontade e o sentido dos que caminham com certeza. Depois há aqueles que mais não fazem que se mudarem, que lutarem contra o que pensam, percorrem vezes sem conta o percurso já feito, constroem mundos à frente que nunca hão-de ser mais que isso, pura imaginação. Ninguém lhes dá valor, todos menosprezam o seu percurso. Parecem, aos olhos daqueles que nada entendem de tanto olhar pessoas que vagueiam sem sentido, sem rumo. Não tentam envolver-se nas "grandes questões mundiais", parecem demasiado preocupados com o seu mundo, demasiado egoístas para se preocuparem. Parecem. Mas o que eles são realmente, é fortes, fortes o suficiente para não aceitar o mundo criado por todos, não aceitar as regras impostas por outros, não aceitar o futuro imaginado por todos. São pessoas fortes o suficiente para ficarem ao lado das invenções reconfortante…

Fugir para a frente

Eu quero ser feliz, pensava um dia destes. Não é que a tristeza me tenha alguma vez invadido de forma a criar ninho, mas sentia que queria ser feliz. Olhava para trás e para a frente e nada me parecia fazer muito sentido, mas queria ser feliz na mesma. Atrás havia muita coisa começada e mal acabada e para a frente não me parecia que viesse a terminar melhor. Foi então que decidi que tudo o que ficou para trás não mais era que vida perdida, que obras abandonadas. Comecei a aceitar que esses monumentos inacabados, sem sentido, tinham de ficar lá, não podiam continuar a lutar para serem terminados, já não faziam sentido, a vida que lá poderia existir, já há muito foi perdida, desperdiçada. Aceitei que os erros de trás, mais não foram que a estrada que me trouxe até aqui. Acabei por lhes agradecer. O erro foi muita das vezes a melhor forma que encontrei para "fugir" para a frente. Foram erros precisos, erros importantes. E assim, sem guardar rancor ao passado, sem culpar os erro…

Rotina

Dia após dia, mês após mês, ano após ano, sempre o mesmo sítio, sempre as mesmas pessoas, aquela rotina que incomoda e aborrece, aquela rotina que sentimos falta, que acabamos por querer e aceitar e até desejar. Aquela rotina. E quando julgamos que nada nos pode surpreender nos mesmos sítios, nas mesmas pessoas, surge algo de completamente diferente, alguém de completamente novo. As noites, aquelas que se tinham tornado numa após outra voltam a ganhar um certo brilho. Começam a valer a pena como antigamente, onde a cada dia, a cada noite, algo de novo poderia acontecer. O mesmo sítio voltou a ganhar a imprevisibilidade de outros dias, outros meses, outros anos. Esta rotina já é nossa, já não temos força nem tempo para construir outra, estávamos assim, parados, até que algo aconteceu de diferente, para nos voltar a dar esperança de que no fim era aqui que devíamos estar. Aconteceu alguma coisa que nos fez agradecer ter ficado.

O eu

Foi fácil procurar-me em ti, dei muitas vezes comigo onde querias que eu estivesse. É fácil ser eu contigo, porque sou eu que me encontro em ti sem procurar. Encontro um eu, que nem sempre sou. E ao "ver-te" partir, parte um eu que só o foi contigo. No fundo parte o eu que só fazia sentido em ti e eu tenho de voltar a ser o outro eu, o eu que nunca precisei de ser para ti. Levaste-me ao eu que eu tinha de ser e eu agora só posso voltar a ser o outro eu, o eu que vais voltar a encontrar, se um dia quiseres voltar. Já não vou ser o eu que existia em ti, vai ser um eu que vai ter de existir sozinho, sozinho de ti, sozinho, bem longe de ti.

É fácil

É quase como o desamor, dizem que não há, tal como a falta de vontade de voltar a chegar, também dizem que não. Mas dias há, em que a vontade é mesmo não voltar, ficar... Ficar onde nem queremos estar, vontade de  querer estar onde nem nos apetece, porque é fácil. Voltar, trás sempre todo um passado, muitas vezes, todo um passado que não queríamos  voltar a encontrar. O desamor é igual, dá-nos vontade de não ficar, mas depois há todo um passado que nos quer voltar a querer ficar, a ficar onde não queremos, onde não devíamos, mas, ao fim de contas, é fácil.

Mãe

Mãe... És a melhor mãe que tenho!! Pronto, também não tive muito por onde escolher, bem vistas as coisas, foste a única... Foste a única que me pôs de castigo, cortou a mesada, mas, vá lá perceber-se porquê, gosto de ti! Parabéns!! E pronto, não tens facebook e blog e não faz grande sentido vir aqui colocar isto...

Palavras para quê...

Ah, as palavras, essas que tudo dão a quem as consegue controlar,
a quem consegue fazer delas música que se lê e que se ouve num
silêncio ensurdecedor. Esses que as dominam, conseguem chegar
aos corações mais fechados, às almas mais escuras, conseguem
criar ondas e destruir tempestades, conseguem construir castelos
no ar e céu debaixo de pés. Esses, conseguem destruir muros
maiores que a imaginação consegue conceber e criar pontes por
cima deles. Esses conseguem abanar o mundo, como o vento
abana uma flor perdida num campo. Esses, dominariam o mundo
se não houvesse quem tivesse inventado os pontos finais.

Ser feliz é

Era uma noite fria, daquelas como as de Inverno, só que de Verão.
Os casacos tornavam-se frios, por culpa do vento que teimava em
entrar-nos pelo corpo dentro. Volta e meia, um carro passava, lá
fazia a sua viagem de regresso a casa, pelos caminhos que eram deles.
O que nos levou a perceber que não devíamos estar ali, aquele espaço
não era nosso, não era deles, não era de ninguém, mas não devíamos
estar, pensamos depois, já no fim da conversa à falta de um argumento
melhor para voltarmos a casa. Falávamos acerca de tudo e nada fazia
sentido, palavras perdidas, desorientas, sem intenção, sem direcção,
até que se dizia alguma coisa que embarrava com a realidade e
tentávamos logo fugir dali, porque da realidade fugimos nós, há algum
tempo e estávamos ali, escondidos dela, na realidade não fazíamos
sentido. Se nos atrevêssemos a pensar nessa noite, teríamos todos
ido embora e teríamos perdido um momento, talvez o momento mais
especial de todas as nossas vidas (que mais não foi que ver uma…