sexta-feira, 25 de março de 2011

Tempo

Perdemos a vontade, por uma errada percepção
de tempo de que a vida é sempre a fugir.
Nao temos tempo para lutar pelo que achamos
estar correcto, nao temos tempo para ajudar
aquele velhinho que atravessa a rua carregado
pelo tempo que lhe pesa às costas, pelo tempo
investido, ao final de contas, em ti, foi "ele"
que te trouxe até onde estás hoje, e hoje,
olhas para ele com aquele teu ar de superioridade
de quem olha de longe para um miseravel.
perdeste o respeito por quem carrega vagorasamente
a sabedoria que só atingirás, quando atravessares
essa mesma rua, como quem percorre uma vida inteira
a passo acelarado naquela pequena distancia, onde
serás olhado por alguém que como tu pensa que esse
velhinho é um pequeno estorvo ao transito que se
atrasa na sua real miserável vida quotidiana.
Nao tens tempo para ajudar aquele senhor que
pede dinheiro num estacionamento, que provavelmente
olhou um dia também para alguém que lhe pediu ajuda
numa situaçao semelhante e lha recusou com desprezo,
com vontade de lhe dizer que podia perfeitamente ir
trabalhar, que se nao devia ter metido nas drogas,
que nao devia ter traído o conceito geral de "familia",
sim porque provavelmente esqueces-te que se esse homem
vem pedir ajuda a um desconhecido é porque já esgotou
todas as suas possibilidades, todos os seus recursos
e que ainda provavelmente tem uma familia á qual deve
prestar contas, ou pelo menos prestar a prova de que
pelo menos hoje tentou que o pao lhes chegasse ao goto.
Nao tens tempo para ilucidar quem caminha em direcçao
ao pricipio, até porque te será mais facil um dia
pores-lhe a mao nas costas e dizeres que afinal nao
devia ter ido por ali, até porque ele já o sabe, já
caiu e percebeu que realmente, mesmo sem lhe teres dito
atempadamente que mais tarde ou mais cedo ia cair.
Nao tens tempo para estares aqui porque tens de estar
noutro lugar qualquer, que no fundo nao vais estar,
porque na realidade vais estar noutro.
Nao tens tempo... Nao tens tempo... Nao tens tempo...
Quando no fim reparas que todo esse tempo que nao
tiveste foi realmente o tempo que te faz falta agora
que já é tarde demais para o ires lá atrás aproveitar...
E é assim, só quando fores tu a atravessar a rua sozinho,
pesado, carregado pelo tempo que nao tiveste e que te acabou
por sobrar, é que vais perceber que devias ter feito
tudo diferente... E agora, agora resta-te esperar,
tens tempo a mais, resta-te esperar pelo fim, fim esse
que vai tardar, que te vai levar onde nao querias,
fim esse que te vai voltar a querer nao ter tempo, quando
o que tu sempre fizeste foi mesmo isso,
NAO QUERER TER TEMPO.

Isto é assim

Ora e entao chegas aqui e escreves
qualquer coisa de nao muito bonito,
um bocado abstracto, para nao dizer
que se nao percebe rigorsamente nada,
e perguntas-me tu porquê...
Ora aí está, nao escrevo porque está
um dia bonito, tou bem disposto, ou
porque me pareceu bem escrever qualquer
coisinha relacionado com um isto ou
aquilo que até aconteceu... Nao...
Eu escrevo para as teclas do meu
teclado se manterem activas e nao
ganharem pó, precisamente por isso...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Uns dias

Foram apenas uns dias perdidos por aí,
perdidos num mundo que nao era bem meu,
ao que parece também nao era muito teu,
Mas provavelmente foi esse andar perdido
que nos levou a voltar a encontrarmo-nos,
nós que já nos tinhamos perdido por tanto
nos tentarmos encontrar, encontramo-nos
só porque andavamos perdidos. Bem sei
que nao foi pelos motivos bons, mas pelo
menos nao foi nas piores circunstancias.

Sá de Miranda

"Comigo me desavim,
sou posto em todo perigo;
não posso viver comigo
nem posso fugir de mim.
Com dor da gente fugia,
antes que esta assi crecesse;
agora já fugiria
de mim, se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
do vão trabalho que sigo,
pois que trago a mim comigo
tamanho imigo de mim? "

sexta-feira, 4 de março de 2011

Fidelidade

“Os verdadeiros fúteis são os que amam só uma vez na vida. O que eles chamam a sua lealdade ou fidelidade eu classifico o sono do hábito ou a sua falta de imaginação. A fidelidade é para a vida sentimental o mesmo que a estabilidade é para a vida intelectual - simplesmente uma confissão de impotência. A fidelidade! (…) Há nela a paixão da propriedade. Abandonaríamos muitas coisas, se não tivéssemos o receio de que outros as recolhessem.”

quinta-feira, 3 de março de 2011

Os opostos

"Os opostos atraem-se" diz-se por aí.
Mas ao que parece já não é bem assim,
agora há um oposto que cada vez
está mais longe, sem tendência a
aproximar-se num futuro próximo.
Rico ----- Pobre
Rico -------------- Pobre
Estranho...