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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2009

Friedrich Nietzsche

“I cannot believe in a God who wants to be praised all the time.”
Sr. Saramago, ao que parece não é o único génio a pensar assim... Admiro-o pelo facto de interrogar aquilo em que ainda muita gente acredita cegamente.

Riotvan

Up rolled the riot van
And sparked excitement in the boys
But the policemen look annoyed
Perhaps these are ones they should avoid

They got a chase last night from men with truncheon's
dressed in hats
They didn't do that much wrong, still ran away though
for the laugh

"Please just stop talking
Because they won't find us if you do
Oh those silly boys in blue
Well they won't catch me and you"

"Have you been drinking son, you don't look old enough
to me"
"I'm sorry officer is there a certain age you're
supposed to be?... nobody told me"

Up rolled the riot van
And these lads just wind the coppers up
Ask why they don't catch proper crooks
Get their address and their name's took
But they couldn't care less

He got thrown in the riot van
And all the coppers kicked him in
And there was no way he could win
Just had to take it on the chin

Aqui está...

Por aqui fico, no teu olhar
Perco força sem resistir e sem mudar
Por aqui fico
O tempo pára mas logo foge Estás tão perto e tão longe
Se me visses o gesto não chega Não, não chega

Não me vês não me ouves se ao menos sonhassesNao me vês nao me ouves se ao menos sonhasses

Por aqui fico
Na tristeza caminho só
Sem pensar no que aprendi
Por aqui fico
O tempo pára mas logo foge
Estas tao perto e tao longe
Se me ouvisses um grito nao chegaÓh! Não chega

Não me vês não me ouves se ao menos sonhasses Não me vês não me ouves se ao menos sonhasses

(...)

Não me vês nao me ouves se ao menos sonhasses
Não me vês nao me ouves se ao menos sonhasses
Não me vês nao me ouves se ao menos sonhasses
Não me vês nao me ouves se ao menos sonhasses

Duplo espaço

O Sr. Bentley acredita que cada espaço contém em si outro espaço no qual o seu duplo habita, actua. Crê que os dois espaços se interceptam e contaminam. O Sr. Bentley tem um gato, porém cuida ser possível o duplo ter um cão - com idêntico nome. Se o Sr. Bentley urrasse: "Sam? Sam! Sacana, onde te meteste?!" e lhe aparecesse, cabisbaixo, de rabo entre pernas (jamais o orgulhoso felino se comportaria tão miseravelmente), o cão reconhecendo-o como dono, ele julgaria normal, comum. Estranharia, quiçá, que a tal realidade invisível (alternativa...) não tivesse tocado a sua antes. Para ele a troca é (seria) prova incontestável da ordem do Universo. Só um Universo trocado estaria composto.
O Sr. Bentley põe o totoloto todas as semanas. Tem uma chave que nunca modifica. Ele acredita na natureza sagrada dos números porque, de acordo com o colega de trabalho, há muito deixou de ter fé na natureza sagrada dos homens. Quando matou a mulher por ela se ter esquecido de pôr o totoloto na se…

Arte é isto

"A crença de que em Arte a Forma é tudo, enquanto que a
Emoção reduzida ao seu esqueleto psíquico é uma simples
relação abstracta, que ocupa um lugar secundário na obra de
arte - tem predominado desde sempre na Crítica com raras
excepçôes.
O que distingue a Arte das outras manifestações da vida
mental é muito essencialmente a Forma - diz-se.
O Ritmo é tudo. Acessível unicamente a algumas cria-
turas de eleição, o Ritmo será inevitavelmente profanado
pela grosseria da trivialidade bárbara: é a teoria da Arte pela
Arte, impelida às suas últimas consequências pelos flauber-
tianos. E assim era que o autor de Madame Bovary procla-
mava que escrevia tão-somente para doze criaturas.
E assim era que do mesmo modo Renan defendia que só
alguns espíritos de élite tinham o direito de negar Deus, que
devia ser imposto às multidões ignaras. Sempre e funda-
mentalmente um católico, este livre-pensador!
Felizmente os aristocratas intelectuais sumiram-se na grande
convulsão de Justiça que…

A carta da paixão

Esta mão que escreve a ardente melancolia
da idade
é a mesma que se move entre as nascenças da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
a sua queimadura desde os seus recessos negros
onde se formam
as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial
da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua
alumia-se: O mel escurece dentro da veia
jugular talhando
a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se
a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, essa lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
traz para junto da cabeça: essa raiz de osso
vivo. A idade que escrevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore. Ou um filão ardido de ponto a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela anima…

As cartas escrevem-se pelas paredes

Deixei que os vizinhos saíssem primeiro,
antes de toda a gente, como se eles não fossem
o que são, quando eu durmo.

Uma coisa é vergar uma barra de aço,
outra é acordar o que não dorme.

Como dois olhos inúteis, assim se
viam as minhas mãos, quando a casa era
estéril e a música não tocava.

Em todos os corredores, uma marca
de fogo nas paredes, ardendo como água,
calcinando as memórias que estendi
por elas, de alto a baixo

um papel de parede longínquo e
absorto de mim próprio.

Ensinei-me a ler para conseguir
que as tuas cartas fizessem sentido,
quando mas mandavas:

estendia à luz aquele papel azul,
com enfeites de uma só cor espalhados
aleatoriamente pela folha - no meu tempo
não entendia nada

agora quando olho para a folha
consigo ver-te.

E mesmo assim parece que continuas sem
me responder. Os dias semeam-se entre as
minhas palavras. Não acaricio o rosto já, com medo
do que vem depois.

Parece que as mãos se tornaram pedaços de
ferro, frias, sólidas - já não se desfazem
enquanto te escrevo a carta:



Ontem foi…

O homem de veludo

"Um homem de veludo
atravessa a estrada.
Com ele leva a leveza do ser,
sustenta-a, com dificuldade.
Pára, sucedendo-lhe a brandura,
o costume de parar,
seguido do ímpeto de continuar.
Sorri ao passeio,
ao calcário, ao ornamento.
O homem de veludo necessita de se encontrar.
Regressa à estrada,
deita-se cuidadosamente numa faixa branca,
criteriosamente escolhida para descansar.
O homem de veludo quer descansar.
A travessia é amorfa, demorada, silente.
Ao deitar-se cruza os braços, fecha os olhos,
e sente o cheiro das madeiras.
O homem de veludo é agora tolhido de movimento,
caem-lhe lágrimas familiares no rosto,
e não pode fazer nada"

Silente grito

"Silente grito
aspergido pela saudade
nos meus veios circunscrito.

Capaz de derramar
gotículas longínquas de presença ,

de tacanha fragilidade.

Silente grito caminhante ,
viajante sem bagagem
rumo a um norte fátuo."

Noites que descansavam nas minhas palavras

"Haviam noites que descansavam nas minhas palavras
enquanto eu dormia. Ouviam-me a vontade de
acordar pouco. Seguravam-me as pálpebras e ,
hoje sei que era para meu bem. Acho detestável
ter que acordar todos os dias , pouco que seja.
Continua a apetecer-me gritar nas paredes
que não acordo , mas cada vez mais
menos sei o que dizer: E da noite se fez dia,
dos dias nasceu a noite.
Tal como com o ovo e a galinha também a mim
se coloca frequentemente uma dúvida ,
em noites que descansavam nas minhas palavras ,
e essa dúvida era a de acordar , pouco que fosse."

Tu...

Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
detidos: hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado
em cada espelho. O próprio
movimento o entenebrece. Mas chamejam os lábios
dos animais. Deixarei as constelações panorâmicas destes dias
internos.


Vou morrer assim, arfando
entre o mar fotográfico
e côncavo
e as paredes com as pérolas afundadas. E a lua desencadeia nas grutas
o sangue que se agrava.


Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança
contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio
que soprou nos estúdios cavados. É a cólera que me leva
aos precipícios de agosto, e a mansidão
traz-me às janelas. São únicas as colinas como o ar
palpitante fechado num espelho. É a estação dos planetas.
Cada dia é um abismo atómico.


E o leite faz-se tenro durante
os eclipses. Bate em mim cada pancada do pedreiro
que talha no calcário a rosa congenital.
A carne, asfixiam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.
É em nós que se encurva o nervo d…

Estranho amor

"Dava pelo nome muito estrangeiro de Amor, era preciso chamá-lo
sem voz - difundia uma colorida multiplicação de mãos, e aparecia
depois todo nu escutando-se a si mesmo, e fazia de estátua durante um
parque inteiro, de repente voltava-se e acontecera um crime, os jornais
diziam, ele vinha em estado completo de fotografia embriagada, desco-
bria-se sangue, a vítima caminhava com uma pêra na mão, a boca estava
impressa na doçura intransponível da pêra, e depois já se não sabia o
que fazer, ele era belo muito, daquela espécie de beleza repentina e
urgente, inspirava a mais terrível acção do louvor, mas vinha comer às
nossas mãos, e bastava que tivéssemos muito silêncio para isso, e então
os dias cruzavam-se uns pelos outros e no meio habitava uma montanha
intensa, e mais tarde às noites trocavam-se e no meio o que existia agora
era uma plantação de espelhos, o Amor aparecia e desaparecia em todos
eles, e tínhamos de ficar imóveis e sem compreender, porque ele era
uma criança assassi…

Cardigans

I don't know what you're looking for
you haven't found it baby, that's for sure
You rip me up and spread me all around
in the dust of the deed of time
And this is not a case of lust, you see
it's not a matter of you versus of me
It's fine the way you want me on your own
but in the end it's always me alone
And I'm losing my favourite game
you're losing your mind again
I'm losing my babylosing my favourite game
I only know what I've been working for
another you so I could love you more
I really thought that I could take you there
but my experiment is not getting us anywhere
I had a vision I could turn you right
a stupid mission and a lethal fight
I should have seen it when my hope was new
my heart is black and my body is blue
And I'm losing my favourite game
you're losing your mind again
I'm losing my favourite game
I've tried but you're still the same
I'm losing my baby
you're losing a saviour and a saint

Vertigem

"O que é vertigem? Medo de cair? (...) Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados."

Envelhecer é isso

"Uma pessoa envelhece lentamente: primeiro envelhece o seu gosto pela vida e pelas pessoas, sabes, pouco a pouco torna-se tudo tão real, conhece o sginificado das coisas, tudo se repete tão terrível e fastidiosamente. Isso também é velhice. Quando já sabe que um corpo não é mais que um corpo. E um homem, coitado, não é mais que um homem, um ser mortal, faça o que fizer... Depois envelhece o seu corpo; nem tudo ao mesmo tempo, não, primeiro envelhecem os olhos, ou as pernas, o estômago, ou o coração. Uma pessoa envelhece assim, por partes. A seguir, de repente, começa a envelhecer a alma: porque por mais enfraquecido e decrépito que seja o corpo, a alma ainda está repleta de desejos e de recordações, busca e deleita-se, deseja o prazer. E quando acaba esse desejo de prazer, nada mais resta que as recordações, ou a vaidade; e então é que se envelhece de verdade, fatal e definitivamente. Um dia acordas e esfregas os olhos: já não sabes porque acordaste. O que o dia te traz, conheces…