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A mostrar mensagens de Janeiro, 2016
Deixei contigo o meu amor, música de açúcar a meio da tarde, um botão de vestido por apertar, e o da vida por desapertar, a flor que secou nas páginas de um livro, tantas palavras por dizer e a pressa de chegar, com o azul do céu à saída. por entre cafés fechados e um por abrir.
Mas trouxe comigo o teu amor, os murmúrios que o dizem quando os lembro, a surpresa de um brilho no olhar, brinco perdido em secreto campo, o remorso de partir ao chegar, e tudo descobrir de cada vez, mesmo que seja igual ao que vês neste caminho por encontrar em que só tu me consegues guiar.
Por isso tenho tudo o que preciso mesmo que nada nos seja dado; e basta-me lembrar o teu sorriso para te sentir ao meu lado.
Nuno Júdice, in O Estado dos Campos (Dom Quixote, 2003)
Ele acreditou sempre... O mundo inteiro dizia-lhe que era doido... Mas ele sabia que não... Ele sabia que o mundo inteiro não estava certo... Ele sabia, desde a primeira vez que a viu sorrir, que era ela... Teve a certeza quando ela lhe deu o primeiro abraço e o mundo dele parou... Sonhou... Sonhou muito... Construiu um mundo onde seriam só eles... Tudo fazia sentido e o mundo não fazia ideia do que era certo ou errado... Entregou-se... A ele e ao mundo dele... Mostrou tudo o que era e tudo o que não era... Desprendido de merdas, completamente entregue a ela deixou-se ir... Não tinha muitas dúvidas.. E se dúvidas havia perdeu-as quando pela primeira vez os seus lábios tocaram no dela e pôde ver, por entre a perfeição de cada beijo, aquele sorriso, aquele olhar... E aquela covinha no rosto que se ia desenhando de quando em vez... Sabia que era amor... Teve a certeza naquele momento de que o mundo era doido e só ele é que sabia... Entregou-se, já sem medo, àquele amor que sabia ser per…
A vida vem por ali... De mão dada com o tempo.. A sorrir... A realidade vem atrás... E os nossos sonhos andam por ali... E vem a vida e o tempo e a realidade... E nós só temos um sonho... Um sonho e um amor que ainda não conhece limites... Temos a vontade de quem sentiu a perfeição por entre os braços... E temos o calor do sorriso mais lindo do mundo... Os sonhos, apesar de nunca terem sido, são perfeitos e, na nossa inocência, completamente tangíveis... Julgamos-nos felizes... Julgamos ter tudo...  Mas vem a realidade... Bate de frente com o sonho... O amor abana mas não cai... É o nosso amor... É o nosso sentimento construído calmamente  por entre a confusão, sabemos que é forte, sabemos que é indestrutivel, sabemos que é perfeito... Mas a realidade acaba por nos esfregar na cara que por muito grande que possa ser e que por muito lindos que possam ser os sonhos não são nada à beira dela... Esfrega-nos na cara que demos tudo e não somos nada... Somos amor... Amor perdido, amor sozin…
Lembramo-nos de que mentem todos aqueles que dizem deixar de amar... Ou aqueles que dizem que conseguem, se forem magoados, transformar o amor em ódio... Mentem aqueles que dizem que o amor é sempre maior que tudo... Mentem também os que dizem que se não sente, no toque dos lábios, o amor de uma vida... Que se não sente num abraço o calor de uma vida... E mentem os que dizem que não há apenas uma pessoa capaz de nos fazer tirar os pés do chão e voar... E mentem os que dizem que não há ninguém no mundo capaz de nos fazer rastejar pelos becos do sofrimento... Há, talvez, amores assim, que possam deixar de ser... Há amores que possam não ser tão grandes... Há-de haver amor que não nos transcenda... Há-de haver menos amor.. Um amor mais pequenino... Daqueles amores a meio, que nem aquecem muito e que acabam por nem ser muito frios... Amores onde há um acomodar, um aceitar não ser mais... Onde se acaba por ser cúmplice de um viver à margem de um amor maior, em troca do conforto e do sosse…