sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A estrear num comboio perto de si - Portugal de comboio

Isto começa assim, uma carruagem, com alguns passageiros, enquanto o revisor vai picando os bilhetes.
Mais ou menos 2 filas depois do primeiro passageiro, enquanto um senhor é esfaqueado
Revisor: O seu bilhete por favor!!
Vítima: Ajude-me, este senhor está a assaltar-me e levei duas facadas no vazio!!
Revisor: Vá, espere pela sua vez, já peço o seu!
Passageiro que roubou a vítima: Não tive tempo de comprar o bilhete, posso tirar agora?
(Puxando de uma nota ensanguentada de 10€ da carteira roubado)
Revisor: Claro que sim, são 2,65€. Agora vá, sente-se lá direitinho no seu lugar que não se pode esfaquear pessoas cá!

Uns lugares à frente encontra-se um indivíduo de comportamento estranho, diria-se suspeito (nem todos haviam reparado que o senhor tinha feito "carícias" a uma menina de 8 anos surda e muda, mas para bem geral, o revisor viu)
Revisor: O seu bilhete? pergunta de forma seca, roçando o exagero, com um tom agressivo.
Passageiro: Está aqui.
Revisor: Muito bem, então e o da menina?
Passageiro: A menina não sei, apenas se sentou aqui, nada me pertence.
Revisor: Vá menina, não faça essa cara de assustada, a porcaria do bilhete??
Miuda: (Eh, a miuda acaba por não responder, pensando bem já tinhamos dito que era muda)
Revisor: Ai não respondes?? Sais já na próxima estão que é para aprenderes a ser civilizada!!
(Ás vezes o exemplo tem de ser dado, e, com a intenção de mostrar aos demais que há regras esta miúda acabou por sair na próxima estação, só para dar o exemplo)

Nessa paragem entram 2 jovens, um deles com um cão, de pequeno porte. O comboio arranca.
Revisor: Os vossos bilhetes por favor!?
Prontamente os passageiros dão o bilhete ao revisor (um profissional fantástico e dedicado, como já haviamos dado conta há pouco)
Revisor: Isso por acaso é um cão, é?
Passageiro: Sim senhor revisor, a viagem é pequena, não vai incomodar muito.
Revisor: Por acaso o senhor sabe que o cão tem de pagar meio bilhete?
Passageiro: Não fazia ideia, mas faço-o imediatamente.
Revisor: Ai não faz não!! Isso é que era bonito!! O senhor vai ser expulso do comboio, onde já se viu!! Que falta de respeito, cambada de putos inconsequentes!! E mais, vou chamar a GNR e vão ter problemas sérios!! Vocês hão-de aprender a ter um comportamento cívico, onde raio pensam que estão?

Perante o olhar impotente de todos os outros passageiros, ambos os miúdos foram espancados, ali à frente de toda a gente. Não se sabe o que aconteceu ao cão, mas ao que parece puxou por uma nota de 5€ e sentou-se comodamente no seu lugar.

Qualquer semelhança com esta história com a realidade, é pura coincidência.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sentido?

A vida faria muito mais sentido se o sentido não fosse sempre o mesmo, o fim...

Medo

Há uma parte da vida, na qual, por muito que não queiramos, começamos
até a ter medo que as coisas comecem a correr bem, nessa altura, evitámos
as coisas boas, evitámos arriscar, evitámos o aproveito de novas oportunidades
só com aquele medo miudinho que cresceu enquanto perdíamos tudo, e foi
por tudo o que foi perdido que muitas vezes não queremos mais nada, só
para não termos de voltar a ter essa sensação de voltar a perder, de voltar
a sentir a falta daquilo que um dia estava assim aqui, tão próximo, à distância
de um olhar. E é nessa altura que se há-de perder muito, mesmo antes de
termos ganho. E é nessa altura que devíamos ter alguém, sempre ao nosso
lado a dizer "Vai, arrisca, desta vez vai correr bem. A vida não é sempre
a perder." E, nessa impossibilidade, vou gravar um cd com esta gravação!
Estará à venda num estabelecimento perto de si, cordeais saudações!!!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A cumplicidade fugiu

Sentaram-se os dois, a ansiedade que os percorria era evidente a queda gesto,
a cada palavra. A intimidade e cumplicidade que outrora os protegia, transformara-se
aos poucos em distância, uma distância tal que temiam ambos proferir uma 
palavra mais forte, evitavam um gesto mais intenso. Ambos sabiam que a saída
era o fim, o fim contra o qual tanto lutaram, e foi durante toda essa luta que 
perderam tudo, até a invejável capacidade de comunicação e entendimento que
muitos já tinham reparado. Ela já há muito havia percebido que era uma luta
perdida, ele achava que não podia desistir e que nenhuma luta é perdida antes
de lutar com todas as forças. E agora que nada os puxava para eles, agora
que pareciam dois desconhecidos de tanto se conhecerem, estavam ali sentados
sem saber o que fazer ou dizer. É então que ele, o que sempre tivera esperança,
decidiu arriscar uma pergunta, uma simples pergunta, diria que "a pergunta".

-Sabes Rosalin, há muito que as coisas começaram a mudar e eu, com este 
medo que sempre me conheceste, tive medo que ao questionar-te do porquê
as coisas pudessem piorar. Entretanto, ao fim de todo este tempo não aguento
mais. O que mudou afinal entre nós, o que nos afastou do que sempre fomos?
(Contas em feitas, tinham passado 3 anos desde que as coisas começaram a mudar)

-Vladimir como é que só ao fim de tanto tempo é que decides perguntar o
que corre mal, como é que deixaste as coisas chegarem a este ponto? 
Chegamos a um ponto quase de não retorno, não sei se vamos conseguir
alguma vez reconstruir a relação que se foi perdendo pela tua cobardia!

-Pela minha cobardia? Que me lembre também nunca me perguntaste nada.~
Não houve uma única vez que me indicasses uma direcção, uma saída, uma
pequena pista, só para me não afastar tanto de nós, fiquei sem saber o que 
fazer, fiquei dias, dias que pareciam não terminar a tentar encontrar respostas.

-Mas não procuraste respostas, a única coisa que encontraste foram formas
de nos afastarmos cada vez mais. Nestes ultimos anos mudaste completamente.

-Sabes? És capaz de ter uma certa razão e ao que parece o que não vai
surgir desta conversa é soluções. Ora portanto, vou ali beber um bagaçinho 
quentinho, porque não estou para deitar tempo fora, como sempre!
(Eh, ele era ucraniano e ela era mexicana, vai daí não se entendessem)

-Percebes agora qual é o teu problema, nunca ficas o tempo suficiente para 
terminar as conversas que são realmente importantes, foges sempre.

-Eu não sei bem o que te diga, mas já estou atrasado, vai dar o futebol.

-Ai é verdade, tenho de ir ver a novela da SIC, está nos últimos episódios.

E lá foram, seguros de que afinal ainda havia esperança para eles, era 
evidente que a comunicação e a cumplicidade não se havia perdido 
por completo. A esperança invadia agora Vladimir, ou isso ou o 
bagaço, ainda é cedo para perceber. Rosalin, por sua vez, não havia
percebido se a conversa teria corrido bem e Vladimir tinha percebido
que era preciso uma televisão nova para a sala, e um sofá também 
viria mesmo a calhar. Horas mais tarde Vladimir chega a casa, como
de costume a tresandar a álcool e pergunta qualquer coisa imperceptível
a Rosalin, que ainda meia perdida em sonhos lhe pergunta imediatamente:

-Vladimir, quando te decides finalmente a abandonar o álcool?

-Agora que falas nisso, alcool leva acento em que "o"?

-Leva acento no "a".

-Percebes agora porque não vamos longe? Tu corriges até 
aquilo que eu não digo, além disso já devias saber que nunca fui de 
abandonar nada nem ninguém, independentemente dos problemas
que se me atravessem à frente. Percebes agora porque nos vamos
afastando cada e cada vez mais? Tu não me conheces. 

-Está bem, estás bêbado, amanhã passa-te, quanto ficou o Bate Borisov?

-Eu não sou bielorrusso, sou ucraniano carago!! Tu não me conheces!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Não chegas

À minha volta não há muito, há o suficiente para não chegares...
O estar ou não estar não seria assim tão importante, se me não
quisesses tão perto. Se me não teria esforçado? teria, mas há
muito te tinha como órbita, agora terei-te como um leve
cometa que vai e vem, sem rota, sem direcção, um pedaço de
mim cortado, um pedaço de mim perdido, destruído... Não é que
te percas, será mais um "que não me encontras"... E sim, sei
que encontrarás o que não procuras, e sei que o que não queres
pode ser o que querias encontrar, assumi o risco, e acabei
riscado, como os demais que não chegam a estar perto, por
muito perto que passem... Já não nos encontrámos... Já nos
perdemos antes de sermos imprescindíveis, antes de sermos
únicos... Agora não seremos nós, seremos, para sempre, um
e outro, distintos, diferentes, compatíveis... Afastados... E um
dia, talvez, vamos dar conta que seríamos um, se não fossemos
tantos. E nesse dia não seremos nada, ou se formos, seremos tudo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Nem penso em ti

Já te não procuro, já não penso em ti... Todas as imagens, de todos os
momentos passados contigo são agora vazios de ti. Fizemos tudo bem,
não há um arrependimento, simplesmente não quero continuar a procurar-te
a tentar encontrar-te, a voltar a tentar construir-te, a tentar construir-nos.
É verdade que nunca pensei um dia ter de ponderar um futuro sem ti, mas
o futuro assim o ditou e, embora haja esperança para nós, nós já não faz
sentido, deixamos crescer muitas coisa entre nós, coisas que nos impedem
de sermos o que sempre fomos. Acabámos, ainda antes de podermos
contar uma história, talvez não sejamos mais que um pequeno capítulo,
um pequeno capítulo, que embora possa ter sido importante, não será
recordado, muito menos comentado. Iremos, para sempre, lutar contra
todas as lembranças, todas as histórias, todos os momentos que nos
juntem, bem o sei... É por isso que te não quero incomodar mais, não
quero que voltes a perder tempo a ponderar partir ou ficar, deixo-te ir.
Peço-te apenas que me encontres alguém igual a ti, porque tudo o que
construí foi à tua volta e não me imagino a ter de construir tudo de novo.
Não te quero, quero apenas alguém que sorria como tu, que me proporcione
os momentos que me proporcionaste. Não te quero sequer aborrecer com
falas ideias de um futuro improvável, quero só alguém que não pense que
tudo pode voltar a correr mal, porque no fundo, ainda não correu, quero
alguém igual a ti, só... Para poder continuar a história do princípio, sem os
erros de um passado que já nos pertencia, embora essa pessoa, igual a ti,
nunca tenha a noção de que já existia, mesmo antes de tudo o que por aí
viria... Sim, não te procuro mais, deixo-te assim, livre como sempre foste.
Não te quero, quero alguém igual a ti... Alguém com esses maravilhosos
e marcantes defeitos, alguém como tu. Não te quero...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A insustentável leveza da musica: Charity Children Berlin - Butterflies /// Berlin S...

A insustentável leveza da musica: Charity Children Berlin - Butterflies /// Berlin S...

Directamente d'os Aristocratas

"Circulava eu pela via, a caminho de casa, enquanto ouvia esse hit entre crescidos e pequenada que é o “(Blow my) Whistle” a pensar em tudo e em nada, como todos nós fazemos no dia a dia, quando me deparei com um cenário familiar no carro ao lado. Um homem a conduzir com um olhar distante e a sua (presumo) esposa a seu lado, também ela com o olhar vago a olhar pela janela do seu lado.

Sorri pois percebi que ia ali um casal chateado, um casal que não se fala. Não sei porquê mas isso faz-me rir, saber que há ali aquele clima, aquela tensão por alguma discussão que tenha acontecido ou apenas (e no pior cenário) por ser o dia a dia daquele casal, gente que está junta mas não se fala, perderam a capacidade de comunicar e pelo caminho, provavelmente, o sentimento que os uniu inicialmente.

Duas coisas que por esta altura estarão a pensar:

1 – És um estúpido por sorrir com essas situações.
2 – Que exagero, aquilo pode ser um milhar de coisas diferentes sem ser necessariamente uma discussão.

Têm razão mas 1º não pedi a vossa opinião, estou a ser honesto, ver um casal zangado faz-me sorrir e sei que se calhar vocês não são muito diferentes. Há ali qualquer coisa que nos faz sentir assim, talvez por ser caricato, talvez nos faça sentir melhor por acontecer também a outras pessoas, pela vergonha alheia, não sei. Mas acontece, porque raio não o devemos admitir?

- Ah, se calhar ficaram chateados comigo por eu dizer que não pedi a vossa opinião, não? Foi? Não fiquem, somos todos amigos. Vá, dêem cá dois beijinhos e para a machesa que já está a dizer “Shô, caralh#!” dêem cá um aperto de mão, à homem.

Já está? Amigos outra vez? Maravilha. Vamos continuar? Vamos. -

E 2º se há coisa que eu sei reconhecer são esses sinais. Um casal, dentro de um carro, cada um a olhar para o seu lado, com um ar sério e sem falar, é tão garantido estarem zangados como quando vão num centro comercial afastados ou quando estão sentados num café/esplanada cada um agarrado ao telemóvel sem trocarem uma palavra.

Quer dizer… pensava eu.

Reparei depois que ele olhou para ela, pôs o braço à volta dela, gentilmente puxou-a para si,
deu-lhe um beijo na testa e ela deitou a cabeça no seu ombro.

Fizeram as pazes, pensei eu.

Depois reparei que seguiam atrás de um carro funerário e percebi. Não estão chateados,
estão tristes. Eu estava enganado. Senti vergonha por ser assim e já não sorri.

No sentido oposto vi um condutor que ia sozinho e sorria… Um sorriso que eu conhecia, que me era familiar. Eu não conhecia o rapaz mas aquele sorriso era igual ao que eu tinha há alguns momentos…

Olhei para o lado e vi a minha namorada, com um olhar vazio a olhar para o lado.

Arrisquei a pergunta: “O que é que se passa?”

Respondeu: “Nada.”

Eu sabia que estava tramado."

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Ficas aí

E depois, num dia qualquer, sentado, agarrado a um comodismo que nem sempre foi o teu,
apercebes-te de que o teu amor se tenta aventurar com quem se levanta energicamente
todos os dias para mais um desafio. Ah, como o teu amor gostava do desconhecido, do risco
calculado da forma mais errada possível (não tivesse sido eu sempre tão mau em matemática).
(E também é estranho, lembrares-te só agora que ela gostava disso e tu deixaste de lho
proporcionar. ) E agora por aqui ficas... Não ficas triste, ficas sentado, à espera que haja um
outro amor tão "capaz e tão maior" que te volte a fazer levantar do sofá... Tu não perdeste,
tu deixaste que o que "tinhas" por garantido te deixasse de ser suficiente, quando no fundo
sabias ser tudo aquilo com que sempre sonhaste e por orgulho, deixaste-a partir, deixaste-a
descobrir todo um novo mundo, sozinha... Deixaste-a perceber que lhe não eras assim tão
importante, deixaste-te trocar por alguém, que até pode não ser melhor (ou talvez seja),
mas pelo menos acompanha-a em todas as suas aventuras, que provavelmente agora terão
contas certas e os riscos podem tê-lo deixado de ser e podem, agora, ser de facto, calculados.
Até porque há uma certa altura em que os riscos devem ser mesmo bem calculados e talvez
também tenha sido isso que a ajudou a optar... E agora, agora partes sozinho para outra
aventura, porque agora o único risco que corres passa por continuares parado, e isso é o
que não queremos.