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A mostrar mensagens de 2015

Feliz Natal

Não é que falte tempo, ou falte espaço, ou vontade, diria até mesmo que motivos também não faltam. O que aconteceu foi que não houve empenho, não houve dedicação e este espaço foi sendo filho de pai ausente. Como que numa tentativa desesperada de compensar o tempo perdido vou dar-vos prendas!! (não, não vai acontecer!!!! Sou um pai ausente, mas dedicado quando tem de ser :p ) 
Desejo-vos um fantástico Natal... Cheio de amor e mais dedicação!!

Sonho

E depois, como que atropelado por uma vida que queria para si, decide acreditar, acreditar faz sentido, tal como viver ali, naquele espaço pequeno, estrondosamente pequeno, que de repente se tornou maior que tudo, maior que que a existência. Mas, como se nada o fizesse adivinhar, sente-a fugir... A vida que queria.. O futuro que um dia imaginara desvanece-se na realidade que se impôs, que foi sempre mais forte, mais forte que tudo aquilo em que acredita. é como que se o sonho que sempre se imaginara maior fosse, afinal, pequeno, esmagadoramente pequeno, à beira da realidade.. E a vida e o tempo e o tempo de vida e o que lhe resta é menos, é menos do que sonhara, é menos do que imaginara... Mas pior, muito pior, era a realidade, a sua realidade, ser tão mais pequena que o sonho. 
Dizia-se, já há muito, que era sempre assim... Aparentemente tudo parecia ser possível, que a simbiose se julgava perfeita, até que se percebia que a perfeição nem sempre chega, o sentimento de sobra nem semp…

Vejo-vos por aí!!

Foi então que percebeu que o que tinha a fazer, era fazer nada... Abrir mão do que julgara ter, aceitar que era pouco mais ou pouco menos, quase que tanto fazia... Percebeu que a sua chegada não veio mudar grande coisa ao mundo, ao mundo que criara... Percebeu, talvez a tempo que aquele sonho que vivia era só dele e de mais ninguém... Dizem ainda, aqueles que olharam mais de perto, que acreditava genuinamente no que sentia... E que sentia mesmo a dor que parecia... Não sabem, mesmo aqueles que olharam mais de perto, se o sonho morreu com o mundo, ou se o mundo morreu com o sonho, o que sabem é que lá vai, não no caminho que sonhara, mas no caminho que lhe sobrava... às escondidas dele diziam que fora cego a vida inteira ao olhar para o caminho que não existia... Dizem que estivesse cego pela luz do amor, mas nem sabem se amava... O que é certo é que, mais tarde, admitira que vira para lá do que era real... Que se deixou levar pelo que sentia e era o amor que o conduzia... Se o conduz…

O que é que se espera de onde já nada espera?

Depois, com o passar do tempo, vão-te matando os sonhos, vai morrendo o futuro, vão-se suicidando as expectativas... Vai morrendo a vida, aquela vida... E a cada dia, morre-se mais um bocadinho ali... Claro que, como se diz, morre-se aqui para se nascer noutro lado qualquer. Mas... E quando se não quer morrer ali, quando se quer continuar a sonhar, quando queremos que aquele futuro não morra e que as expectativas aguentem!? Tentamos segurar o tapete, tentamos agarrar as expectativas que estão ali mesmo, penduradas em cordas de pés sem chão já... Mais um movimento e morrem umas outras tantas... É como que se a morte fosse iminente e a única coisa que segura a vida são já as cordas de expectativas que não vivem, expectativas sem sonhos para respirar... Surge então a questão... O que é que se faz sem sonhos? Com o que é que se sonha sem expectativas, como é que se vive sem vida? Como é que se segura um futuro que já morreu? Será que nos prendemos a um futuro morto? Mas... Se é um futuro…
Foi ali, naquele momento, que lhe não disse que a amava, que lhe não disse que não via outra mulher no lugar da mãe dos seus filhos, ali, naquele momento em que lhe não pediu para que ficasse, ou que se fosse, o levasse com ele... Foi ali, naquele momento em que não a beijou e não deixou que aquilo que não conseguia dizer chegasse até ela... Foi ali, naquele momento em que não teve a coragem de a ver sofrer, mais uma vez, com histórias do que seria, naquele momento em que nem ele próprio teve coragem para lhe dizer que tinha a certeza de que o mundo deles seria para sempre perfeito, foi ali, naquele momento em que nem ele sabia se seria melhor para ela partir ou ficar... Foi naquele momento em que não lhe consegiu dizer que sem ela o mundo já não fazia sentido... Foi ali, naquele momento do que não foi... Que foi o momento em que a perdeu... E vai te-lá em si para sempre... E nunca a terá... Perdeu-a ali, num momento que não foi

É sempre a adiar... Até ao fim...

Conhecemos as pessoas durante anos, até mesmo dezenas de anos, habituamo-nos a evitar os problemas pessoais e os assuntos verdadeiramente importantes, mas guardamos a esperança de que, mais tarde, em circunstâncias mais favoráveis, se possam justamente abordar esses assuntos e esses problemas. A esperança, sempre adiada, de um relacionamento mais humano e mais completo nunca desaparece completamente, porque nenhuma relação humana se contenta com limites definitivos, restritos e rígidos. Permanece, portanto, a esperança, de que haja um dia uma relação «autêntica e profunda». E permanece durante anos, até mesmo décadas, até que um acontecimento definitivo e brutal (em geral, uma coisa como a morte) vem dizer-nos que é demasiado tarde, que essa «relação autêntica e profunda», cuja imagem tínhamos amado, também não existirá; não existirá, tal como as outras. 
Michel Houellebecq, in 'As Partículas Elementares'
Sentia-se assim... Uma casa de férias... O sítio onde as pessoas vinham passar uns dias, onde fugiam ao mundo delas... Era assim que se sentia, o sítio que nunca será o sitio, o sítio que nunca mais será que um ponto de passagem, é um sitio bonito... Mas não é um sitio onde seja possível ficar, ali não é possível viver, é longe da vida, é longe da felicidade, fica longe do trabalho e da vida de todos os dias... É bonito, o sítio, mas é impensável ficar mais que 2 semanas... Ali até correm bem as coisas, mas não correriam sempre, é só aquele bocadinho... É uma casa, só uma casa noutro sitio, longe do lar, longe da vida, longe de tudo... Não é nada, é só um espaço desprovido de sentido, é um sítio... Só uma casa levantada do chão, com o único objectivo de ser por uns dias o que não pode ser para sempre... E o coraçao dele é assim, como essa casa... Cheio quando ela volta, vazio quando ela vai para a casa aonde pertence... Um coração que não é nada, uma casa vazia... Um mundo sem sentid…

.P.Q.P.

Tantas vezes ouvira dizer que tinha de sonhar, que tinha de acreditar, que tinha de ser feliz... E que a única forma de ser feliz era acreditar sempre, para sempre, que alcançaria os seus sonhos... Ensinaram-no também a não sonhar alto demais, a sonhar com o que era possível... A sonhar com base no futuro, a sonhar apenas com aquilo em que acreditava ser possível... Sonhou... Sonhou sempre e nunca deixou de acreditar... Até que um dia se cruzou com a realidade... E a realidade ultrapassou de longe o sonho... E foi mais feliz ainda... Foi feliz como nunca imaginara ser possível, foi feliz para lá do sonho e para cá da realidade... Fez deles o mundo dele e dele o mundo deles... Mas como em alguns sonhos, a realidade dele não fazia sentido no mundo dela... E agora?! Perguntava-se... Nunca lhe haviam falado de que a realidade poderia ser maior que qualquer sonho, nunca lhe disseram o que se fazia a partir dali... Não sabia, não sabia nada... Era tudo novo... E a realidade, tal como um so…
Caminhava, como caminham todos os loucos, sem direcção. Desesperadamente à procura de um futuro que nunca seria, de uma vida que nunca teria, de uma felicidade que nunca alcançaria. Louco, caminhava. Caminhava em círculos, sonhava. Sonhava até onde a imaginação o levava. Julgava ele, o louco, que o mais feliz que conseguiria ser, seria até onde a imaginação fosse capaz de chegar. Caminhava... Sonhava... Não vivia... Perdia... Os dias, os meses, os anos, a vida, a felicidade... Perdia-a todos os dias.... Sabia-o agora, que a encontrara, que a imaginação não pode ir tão longe, que um sonho nunca poderá ser tão brilhante, que uma vida nunca poderia ser tão preenchida como fora até então... Julgara ter sido feliz até ali, àquele momento. No momento em que a realidade ultrapassa o sonho, e o que existe ultrapassa o onírico... Agora, agora percebe finalmente que nunca foi inteiro e que quem não é inteiro não é feliz. Agora, agora que a encontrou, sabe que foi sempre parte de um mundo que e…
"Posso vir a ter outros amores

na hora do tédio
recusado.

Posso vir a ter outro passado
e inventar-me
em formas de viver.

E posso transgredir-me de emoção

renavegar na margem
de outros corpos.
E transmitir de mim
para outras mãos
a chama do sagrado.

E posso várias vezes repetida
condescender-me em gesto

dizer coisas que sei
e que não quero.
E ser imensa
até ao desespero.
Absoluta.
Enorme.

E encher de palavras outros nomes.

Mas é a ti que pertenço."
E vem por ali fora, desgovernado pela própria vontade, desorientado pela própria loucura!! Louco de querer demais, vem por ali. Quer-me parecer ser um avião? Não... Afinal é só o amor. E por muito que se não veja é capaz de ser tão espalhafatoso como um alegre avião em direcção ao chão. Dizem, a quem o amor corre muito bem, tão bem que nem chega a ser amor, que é muito lindo, que é um viver a dois como se fossem só um, mesmo que esse só um resmungo um dia inteiro para voltarem a ser dois. Outros, a quem corre menos bem, dizem que é uma coisa que corrompe por dentro, até por fora parecer que se foi atingido pelo avião que alegremente se apressava para o chão. Outros, pais sozinhos do sentimento, pais solteiros de um amor fantástico que perdeu fatalmente a mãe num acidente de cruzamento de sentimentos, percebem que não há outro sentimento igual. Tornam-se pais orgulhosos de alimentarem um sentimento, sozinhos, de o criarem, de o educarem. De o tornarem num filho do coração que não mal …
"Ter-te longe e desejar-te aqui, onde o frémito do corpo acontece. Aqui, lugar onde o vício dos olhos e das mãos me inquieta.
Ah, ter-te perto suster a respiração, cerrar os olhos e deixar que tudo comece e acabe em ti.
Ensaiar o voo da águia e suavemente planar sobre a superfície sinuosa do teu corpo perfeito no asa-delta da paixão.
Ter-te perto, sentir o perfume da tua presença pelo calor do corpo, pela claridade dos olhos e pensar que o sol e a alegria de cada manhã, nascem exactamente em ti."
A felicidade... Sussurrada ao ouvido numa palavra... "adoro-te". Simples, sincera, arrepiante, quente, completa. "Essa palavra repetida ao expoente da loucura", esse sentimento de entrega espalhado por todos os cantos da imaginação. A vida, toda ela construída ali, entre um e outro sussurro. O amor, todo ele coberto de nós, da nossa felicidade, do nosso sossego. E sem darmos conta passamos uma vida, duas... Uma eternidade. A vida inteira que conseguimos imaginar passou-nos aqui, entre um sussurro, dois sorriso, uma troca de olhares e um leve tocar na mão um leve na barriga e um abraço. Eternamente felizes fomos, eternamente felizes seremos. Fomos felizes até ao fim da vida, até ao fim dos tempos, até ao fim da loucura. Fomos o que quisemos ser, quando quisemos ser. Elevamos momentos a vidas. Vidas a mitos. Fomos deuses, fomos humanos, fomos fracos, fomos fortes, fomos tudo, somos nada. Somos loucos, somos felizes. Somos. Fomos tudo, fomos nada e nem uma hora passo…
E a seguir a ti não vai haver mais ninguém... Não haverá mais abraços perfeitos, mais noites encantadas... Contigo levarás toda a magia que um dia foi nossa... Contigo levas a vida perfeita da qual nunca abdiquei... Contigo levas o meu mundo, o que restar dele, se testar. Levas contigo os dias mais brilhantes, a vida mais perfeita, contigo vou eu, inteiro... E todo o meu amor, o amor que tive sempre, fica contigo para sempre. Não nos vamos despedir, porque nunca se tem tempo de dizer adeus a quem nos leva tudo, todo, para sempre.  Não quero abraços misericordiosos, abraços sem o nosso sentido... Quero ficar para sempre em ti e viver pela metade a vida toda. Não haverá nunca ninguém que te ocupe o lugar, não haverá quem se atreva, não haverá ninguém que me volte a fazer inteiro como serei para sempre contigo... Contigo levas o que de melhor tive para dar e o que de pior tive para magoar. Sei que vai comigo a dor do nunca te ter dito adeus, mas sei que comigo vai a felicidade de me ter…

É a tua verdade.

"Schh... sossega".

A verdade, nem mesmo a verdade, não a digas.
Não digas nada, não vamos entender, mesmo que a verdade acabes por dizer, vamos ficar sem  perceber o que é de verdade a realidade.
Vamos viver, só, como se a verdade valesse tão pouco como a mentira. Só viver, sem dizer. Com o tempo vamos-nos lembrar do que foi de verdade real, do que não foi mentira, mas acabou por não ser verdade. a verdade, o tempo. Talvez outro dia, noutro sítio, pareça que não  foi de verdade todo este caminho que nos  trouxe até onde quis. Na verdade, foi o caminho que nos escolheu, não fomos nós que escolhemos o caminho. Hoje, sem dizer, sou feliz contigo, de verdade. Sou feliz até onde me deixares.
Não digas nada, a verdade, essa é só tua e  de mais ninguém, a verdade. E a verdade é só tua e não é só minha. A realidade, só essa pode ser nossa, como a rua que nos acolheu, de verdade. Não sei se foi ela que nos escolheu, se fomos nós que nos escolhemos, mas não digas já a verdade. Talvez …
Chegamos ao fim, aqui onde nada existe e tudo já foi,
Ao tempo incerto de uma vida, ou duas ou três,
Segredos já não há, as grandes charadas da vida já foram desvendadas,
ou criamos em nós a ideia de que já as desmistificamos,
As noites, essas, caem sempre a seguir aos dias e o sítio,
onde nos deitamos é o sítio onde ficamos acordados durante a noite.
A vida corre lá fora, como um dia já nos correu no corpo,
Não aguentamos mais, compreendemos a vida como eles ainda
não compreendem e eles compreendem a morte como nós já
não queremos compreender e com o resto das forças que não
temos, de mãos dadas, procuramos o fim, o nosso fim, como
quem encontrou o início sem procurar. Desta vez sem esperança.
A música que sempre suportamos já não aguenta o nosso corpo
imóvel, despido de vida com uma manta de rugas fundas, rugas
que contaram os anos, todos os anos sem avançar nenhum.
Estes olhos que um dia correram o mundo, correm agora uma
parede decorada com uma televisão que passa imagens impercep…

Someday

Sinto-te ir, aos poucos, de um sítio que julguei que fosses querer para sempre. Quando chegaste, ainda sem ideia de se ficarias ou não, foste-te instalando em mim, como quem vai partir dali a nada. E o tempo, aquele que tanto nos ensinou que nos ensina tudo, foi-te fazendo ficar. Sem querer criaste em mim o teu jardim, criaste em mim o teu mundo. E eu, sem me aperceber, deixei-te ir ficando, até ser tarde demais para te deixar ir. Espalhaste em mim a magia que já há muito havia julgado perdida, mesmo em mim. Sei que há magia lá fora, mas não acreditava que ainda alguem me faria acreditar. E tu, chegaste e abriste janelas do meu coração para o teu, fizeste pontes do meu pensamento para o teu, abriste estradas entre o meu sentir e o teu. Foste espalhando em mim pedaços de ti, pedaços de nós. Em cada canto de mim existe um pouco de ti. Até nos sítios mais inacessíveis em mim há parte de ti já. A sonoridade do teu sorriso espalhou-se em mim e a alegria de te ver sorrir faz parte do meu s…

Knowing nothing is the answer

E os momentos, do tempo que foi, tornam-se nos momentos que queria para sempre. Foram os momentos que ficarão para sempre, que nos fazem perder o norte e a razão, são os momentos que nos querem fazer ficar para sempre presos ao passado e nas noites mais frias e mais escuras e mais tenebrosas e mais angustiadas ou angustiantes que as outras, são essas memórias que nos voltam a fazer sorrir... E a fazer chorar de seguida, pelo que nunca foi, pelo que nunca teria sido, pelo que nunca será. E é o ser-se pequeno à beira da vida que nos faz querer desaparecer, que nos faz querer esquecer que um dia se foi feliz, é quase um querer ter sido miserável uma vida inteira. É quase um desejar que o que foi nunca tivesse sido. Mas... E se nunca tivesse sido? O que seria das noites sem dormir? Noites vazias de sentido, noites perdidas de razão, uma vida perdida de tudo encontrada em nada. Seria um nunca ter ganho. Ficam ao menos as memórias do que foi e a imaginação passeia-nos, como que se o que nu…
Não é que o falso conceito de liberdade me prenda, mas...



"Segundo apurou o Instituto de Estatística
Contra ele nunca existiu qualquer queixa oficial,
E todos os relatórios sobre a sua conduta confirmam:
No moderno sentido de uma palavra velha, ele era um santo,
Pois em tudo o que fez serviu a Grande Comunidade.
Com excepção da Guerra e até ao dia da reforma,
Trabalhou numa fábrica e nunca foi despedido;
Sempre satisfez os seus patrões, Máquinas Fraude, Lt.dª.
Mas não era fura-greves nem tinha opiniões estranhas,
Pois o Sindicato informa que sempre pagou as quotas
(E o seu Sindicato tem a nossa confiança),
E o nosso pessoal de Psicologia Social descobriu
Que ele era popular entre os colegas e gostava de um copo.
A Imprensa não duvida de que comprava um jornal por dia
E que as reacções à publicidade eram cem por cento normais.
Apólices tiradas em seu nome provam que tinha todos os seguros,
E o Boletim de Saúde mostra que esteve uma vez no hospital e saiu curado.
Tanto o Gabinete de Estudo dos Produ…
"Deixei contigo o meu amor, música de açúcar a meio da tarde, um botão de vestido por apertar, e o da vida por desapertar, a flor que secou nas páginas de um livro, tantas palavras por dizer e a pressa de chegar, com o azul do céu à saída. por entre cafés fechados e um por abrir.
Mas trouxe comigo o teu amor, os murmúrios que o dizem quando os lembro, a surpresa de um brilho no olhar, brinco perdido em secreto campo, o remorso de partir ao chegar, e tudo descobrir de cada vez, mesmo que seja igual ao que vês neste caminho por encontrar em que só tu me consegues guiar.
Por isso tenho tudo o que preciso mesmo que nada nos seja dado; e basta-me lembrar o teu sorriso para te sentir ao meu lado."

E é ao ir que se não fica

E foi assim que partiu de si, deles, do sítio que julgara para sempre ser o mundo deles. Enganados por uma felicidade que não era, talvez, mas com a certeza de que durante um breve momento, muito breve, nada mais houve que felicidade absoluta, que alegria verdadeira, que vontade de nunca mais ir. Ao partir tentava lembrar-se de por que é que não podia ficar e ainda meio zonzo com o ir, lembrava-se que aquele foi o único sítio que teve como perfeito, o único que teve como completamente verdadeiro. O coração chorava, chorava tudo o que se não podia ver, a alma gritava-lhe que só mais um abraço calaria aquele coração, agora sem abrigo, não ligou. Partiu como partem os que perdem, mas sabem que nunca poderiam ganhar. Embalou momentos, embrulhou sorrisos, guardou os sonhos em caixas coloridas, escondeu as histórias do mundo e guardou-as só para si... Tentara ficar, tentara aguentar um mundo que tantas vezes tremia e que nunca deixava de ser o mais seguro, sentia que seria alia a sua casa …

O chão que te foge

O tempo, aquele que se tenta agarrar e sempre nos foge mesmo de mão fechada e coração aberto, esse diz-nos que a felicidade tem duração limitada. Teve muitas vez a vontade de parar a vida num momento, ou em dois. Teve muitas vezes vontade de transformar um momento numa vida inteira, um mundo numa eternidade. Mas o tempo, esse, ensinou-lhe também que nem sempre se chega a tempo, nem o tempo é o mesmo para todos. Pergunta-se muitas vezes se tivesse chegado teria apanhado o mesmo futuro, pergunta-se se teria mudado o mundo inteiro, o seu, o dos outros que o rodeiam. Agora, agora é tarde e o ir torna-se cada vez mais iminente, mesmo quando dá conta de que pode ficar, percebe que mesmo ficando o mundo que imaginara seu dali em frente há-de ir junto com o tempo. Muitas vezes se queixa que o tempo lhe foge, mas outras tantas vezes barafusta porque o tempo corre depressa demais. A vida, essa, seria perfeita, tivessem os tempos sido outros. Não foram, nunca serão, talvez nunca pudessem ser. T…

Dizem os loucos

Dizem por aí, os loucos curados que o nunca serão ou os loucos que se dizem ser e nunca o foram, que o amor não dói, que o amor é um ser feliz para sempre, sem princípio nem fim, apenas com altos, dizem que é um viver em plenitude uma vida inteira, ou duas, para quem tem paciência. Nunca esses tais loucos de amor e crentes da sua inquestionável força, esses que se dizem de tal forma consumidos pela sua indestrutibilidade quando na realidade pouco mais sentem que uma leve comichão no coração disseram, que o amor é fodido, difícil, tantas vezes perto da loucura, tantas vezes maravilhoso. Há alturas em que o amor, daqueles que amam sem grandes gritos e sem grandes loucuras, desejam com todas as forças nunca terem amado. Há dias em que amar é viajar até ao mais escuro e húmido e frio e tenebroso e assustador e sombrio mundo alguma vez imaginado, é ficar quieto apenas com as vozes que nos atravessam o pensamento turvo e nos gritam ao coração que o caminho é sempre para baixo, são os dias …