Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2015
Foi ali, naquele momento, que lhe não disse que a amava, que lhe não disse que não via outra mulher no lugar da mãe dos seus filhos, ali, naquele momento em que lhe não pediu para que ficasse, ou que se fosse, o levasse com ele... Foi ali, naquele momento em que não a beijou e não deixou que aquilo que não conseguia dizer chegasse até ela... Foi ali, naquele momento em que não teve a coragem de a ver sofrer, mais uma vez, com histórias do que seria, naquele momento em que nem ele próprio teve coragem para lhe dizer que tinha a certeza de que o mundo deles seria para sempre perfeito, foi ali, naquele momento em que nem ele sabia se seria melhor para ela partir ou ficar... Foi naquele momento em que não lhe consegiu dizer que sem ela o mundo já não fazia sentido... Foi ali, naquele momento do que não foi... Que foi o momento em que a perdeu... E vai te-lá em si para sempre... E nunca a terá... Perdeu-a ali, num momento que não foi

É sempre a adiar... Até ao fim...

Conhecemos as pessoas durante anos, até mesmo dezenas de anos, habituamo-nos a evitar os problemas pessoais e os assuntos verdadeiramente importantes, mas guardamos a esperança de que, mais tarde, em circunstâncias mais favoráveis, se possam justamente abordar esses assuntos e esses problemas. A esperança, sempre adiada, de um relacionamento mais humano e mais completo nunca desaparece completamente, porque nenhuma relação humana se contenta com limites definitivos, restritos e rígidos. Permanece, portanto, a esperança, de que haja um dia uma relação «autêntica e profunda». E permanece durante anos, até mesmo décadas, até que um acontecimento definitivo e brutal (em geral, uma coisa como a morte) vem dizer-nos que é demasiado tarde, que essa «relação autêntica e profunda», cuja imagem tínhamos amado, também não existirá; não existirá, tal como as outras. 
Michel Houellebecq, in 'As Partículas Elementares'
Sentia-se assim... Uma casa de férias... O sítio onde as pessoas vinham passar uns dias, onde fugiam ao mundo delas... Era assim que se sentia, o sítio que nunca será o sitio, o sítio que nunca mais será que um ponto de passagem, é um sitio bonito... Mas não é um sitio onde seja possível ficar, ali não é possível viver, é longe da vida, é longe da felicidade, fica longe do trabalho e da vida de todos os dias... É bonito, o sítio, mas é impensável ficar mais que 2 semanas... Ali até correm bem as coisas, mas não correriam sempre, é só aquele bocadinho... É uma casa, só uma casa noutro sitio, longe do lar, longe da vida, longe de tudo... Não é nada, é só um espaço desprovido de sentido, é um sítio... Só uma casa levantada do chão, com o único objectivo de ser por uns dias o que não pode ser para sempre... E o coraçao dele é assim, como essa casa... Cheio quando ela volta, vazio quando ela vai para a casa aonde pertence... Um coração que não é nada, uma casa vazia... Um mundo sem sentid…

.P.Q.P.

Tantas vezes ouvira dizer que tinha de sonhar, que tinha de acreditar, que tinha de ser feliz... E que a única forma de ser feliz era acreditar sempre, para sempre, que alcançaria os seus sonhos... Ensinaram-no também a não sonhar alto demais, a sonhar com o que era possível... A sonhar com base no futuro, a sonhar apenas com aquilo em que acreditava ser possível... Sonhou... Sonhou sempre e nunca deixou de acreditar... Até que um dia se cruzou com a realidade... E a realidade ultrapassou de longe o sonho... E foi mais feliz ainda... Foi feliz como nunca imaginara ser possível, foi feliz para lá do sonho e para cá da realidade... Fez deles o mundo dele e dele o mundo deles... Mas como em alguns sonhos, a realidade dele não fazia sentido no mundo dela... E agora?! Perguntava-se... Nunca lhe haviam falado de que a realidade poderia ser maior que qualquer sonho, nunca lhe disseram o que se fazia a partir dali... Não sabia, não sabia nada... Era tudo novo... E a realidade, tal como um so…
Caminhava, como caminham todos os loucos, sem direcção. Desesperadamente à procura de um futuro que nunca seria, de uma vida que nunca teria, de uma felicidade que nunca alcançaria. Louco, caminhava. Caminhava em círculos, sonhava. Sonhava até onde a imaginação o levava. Julgava ele, o louco, que o mais feliz que conseguiria ser, seria até onde a imaginação fosse capaz de chegar. Caminhava... Sonhava... Não vivia... Perdia... Os dias, os meses, os anos, a vida, a felicidade... Perdia-a todos os dias.... Sabia-o agora, que a encontrara, que a imaginação não pode ir tão longe, que um sonho nunca poderá ser tão brilhante, que uma vida nunca poderia ser tão preenchida como fora até então... Julgara ter sido feliz até ali, àquele momento. No momento em que a realidade ultrapassa o sonho, e o que existe ultrapassa o onírico... Agora, agora percebe finalmente que nunca foi inteiro e que quem não é inteiro não é feliz. Agora, agora que a encontrou, sabe que foi sempre parte de um mundo que e…
"Posso vir a ter outros amores

na hora do tédio
recusado.

Posso vir a ter outro passado
e inventar-me
em formas de viver.

E posso transgredir-me de emoção

renavegar na margem
de outros corpos.
E transmitir de mim
para outras mãos
a chama do sagrado.

E posso várias vezes repetida
condescender-me em gesto

dizer coisas que sei
e que não quero.
E ser imensa
até ao desespero.
Absoluta.
Enorme.

E encher de palavras outros nomes.

Mas é a ti que pertenço."