Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2010

Medo?

Será que nao foi aquele medo,
aquele medo que nos consome,
quando nos surge a ideia de
que alguém poderá ser feliz
com aquilo que era "nosso",
aquilo que já nao me chegava,
que me fez caminhar tão lentamente
para longe de nós?

Comparo-te

Comparo-te áquele momento fantástico
aquele momento preso á memória
como conceito do que de melhor
do que de melhor me podia ter acontecido...
Até que lá volto, "hoje", e reparo
que afinal tudo nao passava
da maneira mágica como te vivi...
Agora posso, finalmente, soltar
essa tal memória presa...
E voltar... Voltar a olhar para "lá"
com a certeza de que a magia, presa também,
a essa tal memória, pode agora ser minha
e só minha novamente!!
Foi como um pouco de mim que ficou
lá atrás, á espera, á espera
do que teria acontecido se o resto de mim
nao tivesse continuado em frente...

Perfeito

O tal conceito de perfeiçao
que tantas vezes se tenta,
em vão encontrar nao existe.
E porquê perguntas-me...
Imagina a melhor noite,
os melhores amigos,
sao esses que podem fazer da noite a melhor,
música, essa melodia que nos embala
pela noite dentro, fazendo com que
o silencio se consiga tolerar,
Umas quantas bebidas (porque já pertenco aquele grupo, fraco,
que quando sai com a intençao de se
divertir até mais nao já se auxilia nesse
complemento alcoólico de quem já
nao consegue divertir-se apenas com a sua sobriedade.)
Imaginem toda esta noite...
Mas hoje, especialmente, nao queria estar ali...
Queria um cantinho, um cantinho sossegado,
um cantinho onde nao houvesse ninguem,
onde ninguem conseguir notar
a minha ausencia presente naquele sitio.
a perfeição nao está ali, nem acolá,
nem em lugar algum.
A perfeiçao, a perfeiçao encontrámo-la diariamente
quando estamos, finalmente presentes
no sitio que esperavamos, com todo o ser...
A perfeiçao está em nós
e na maneira como lidamos com o que nos rodeia..…

Errar

"Não fica,
no limite, nada por fazer,
dissemos a quem amamos
o que tínhamos de dizer,
escolhemos entre dúvidas
sempre a resposta certa,
e sempre errámos,
mas

se errar é adormecer
aconchegado por um novo dia
pelo qual toda a noite esperámos -
os cães ladrando
na distância, a bruma assentando na terra,
e um último carro na estrada
a caminho de casa -
gostava de poder errar
outra vez,
para no limite
poder olhar para as horas vincadas
pelo sono e achar que foram
a única vida que tive."

Roubadinho ali ao lado
ao arquivo fantasma...

Autor: Desconhecido, por enquanto

Para onde?

Desengane-se quem
julga estar certo
porque haverá sempre
alguma coisa,
alguma coisa que
por muito que queiramos
nos irá sempre ultrapassar.
E repara-se, por fim,
que caminhamos sem sentido.
Descobre-se que nem tudo
tem realmente de ser "assim".
E nessa altura tudo se
torna mais leve, levezinho.
Porque caminhar sem rumo
nao é dificil, mas acaba
por nao dar em nada.
E se nao dá em nada
nao se torna pesado!
Vou longe ao menos
nas asas do meu pensamento,
nao compreendo, ás vezes,
mas fica-me a esperança,
a esperança, que há afinal
um "sitio" onde ficar.
Porque ficar parado não é,
como muitos dizem, um erro
Ficar parado no sítio errado,
isso sim, parece-me
um atraso importante.

Acerca de gavetas

"Gavetas" fechadas
Ora cheias, ou pouco vazias
ora quase vazias
pelo cheio que esperavam,
fechadas a sete chaves
atiradas para o que de
mais longe há em nós
Hao-de la estar sempre
para nos lembrar que
o passado nao nos deixará
avançar sem receio de que
um dia por engano
abramos a gaveta errada
para de lá tirar
o que nao mais havia de ter saido
apenas porque fomos caminhando
exactamente para o que
de mais longe há em nos,
é esse tal medo
dessa tal caminhada
que nao poucas vezes
nos obriga a caminhar devagar
para que possamos evitar
as gavetas mal fechadas.

O que me tranquiliza
é que em cada gaveta
dei o que de melhor eu tinha
sem a noçao de que
no futuro teria sido mais
mas o futuro nao vale de nada
ás gavetas fechadas lá atras
porque nessas gavetas
nesse tal passado
nao me era possivel vislumbrar
o armario do presente.

E por isso caminharei
sem receio algum
para o que de mais longe há em mim
mas nao demais, apenas o racional
porque nao quero trair o que fui
o que sou
por aquilo que poderia ser se...

Já nao és

Serás, amanhã, notícia no jornal
e isso de que te importa,
se já nao vou querer saber de ti?
será uma folha morta de nós,
já não te acompanho no silêncio
das portadas,
já de nós não há memória
ao descermos estas escadas.
fomos rio impetuoso
que esbarrou sem liberdade,
na barragem construída
entre rugas de saudade,
fomos vento que passou
tão leve e ledo,
que o amanhã tornou-se um ontem
feito medo.
Fomos alma, fomos cor,
ou coisa breve,
e fomos morrendo os dois
cheios de neve
nos meandros da memória
que nos serve esta liquefeita
angústia que se bebe.

A idade...

"Com a idade,
um homem ganha vícios
e virtudes de que nem desconfiava quando novo;
e a noite é a necessária testemunha
destas consequências,
vai-se perdendo cabelos e o sono,
engodos e canções de infância;
nem a leda companheira de sempre,
melancólica e servil, a querida morte,
consegue aquecer o coração,
tomado pelo transtorno.

Não vale a pena puxar pelo cansaço,
usá-lo como desculpa para a fuga do costume;
é essa a decisão, preferir não erguer
o cerco à vida, deixar-se dormir
fora de tempo, sonhar com o dia
em que se entende que tudo o que os livros ensinam
é o início de um fogo - a sabedoria
o combustível eficaz da entropia.

Se não se aproximar de outra forma,
o vento nocturno é como a história, repetida,
e vai chegando com o fim do verão e o previsível frio,
circulando pelos ramos nus das árvores como
o tema que conduz esta barca ou o sangue
que sobe ao rosto no declinar dos confessados vícios
a que submeto a sublime amargura.

Ele por aqui está, e na companhia dele
regresso ao lugar onde o tempo se per…

Outono

Uma vez um homem encontrou duas folhas e entrou em casa segurando-as com os braços esticados, dizendo aos pais que era uma árvore. Ao que eles disseram então vai para o pátio e não cresças na sala pois as tuas raízes podem estragar a carpete.
Ele disse eu estava a brincar não sou uma árvore e deixou cair as folhas. Mas os pais disseram olha é outono.

Russel Edson

Existe...

"Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia..."

Deftones...

Lá atras, num tempo distante, onde tudo se adivinhava ser facil porque diziamos ser pessoas melhores que os que nos rodeavam (inocentemente)... Onde tudo se adivinhava ser diferente, onde se faziam promessas de tentar marcar pela originalidade, onde uns prometiam lutar por isto ou por aquilo, onde outros diziam revolucionar o que entendiamos por real, onde sem querer nos arrastavamos para um futuro bem diferente do imaginado, bem mais parecido com tudo o que já tinha sido inventado, ouvia-se isto...
E curtia-se milhoes!!