segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A mudança

Isto qui vai mudar. E vai mudar porque está a
ficar muito "escuro". E dizem-me que o que
escrevemos reflecte aquilo que sentimos. E eu,
que até me sinto bem, não quero ser apontado
na rua como o menino que anda todo negrinho
por dentro. E chateiam-me aquelas pessoas de
mau humor logo de manhã. E ao fim do dia e
durante o resto do dia, entediantes pah.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Da gaveta...

Ali estavas tu, alheia ao mundo, alheia a mim, lá fora chovia torrencialmente, o caos acabara de se instalar nas ruas do Porto, no bar onde nos encontramos (e acabaria por ditar o nosso desencontro) a fumo instalara-se há muito, as portas estavam todas fechadas, inalavas o fumo que tanto odiavas, enquanto te "distanciavas"
de mim, eu aproximava-me do teu objectivo, e por ali fiquei a beber copos com aqueles que se me nao alheiam enquanto o mundo cá fora parecia castigar todos os que andavam na rua. E eu, eu que entrei alheio ao resto não te consegui ignorar e fui-te observando de longe. Por ali ficaste, como se eu ali não estivesse, como se a minha presença te não fizesse qualquer diferença, continuavas alegre com aqueles que te rodeavam, praticamente não te ouviam, bem o sei, mas tu tens esse charme, que para mim se tornou insignificante à beira daquilo que consegues ser, as pessoas ficam so para olhar para ti. Não sei se me ignoraste a noite inteira, nao sei se só me viste ao sair. Ao fim da noite, quando nos aproximavamos do caos que se fazia sentir lá fora, esboçaste-me um sorriso, esse teu sorriso que apesar de bonito, eu já o conhecia como sendo de "desprezo", sim eu conheço os teus truques. E foi nessa noite tenebrosa que me deste a força que eu precisava para te "esquecer". Tive o cuidado de guardar todos os nossos bons momentos, o que de bom ficou, o que de bem me fizeste, apenas apaguei o que nós poderiamos ter sido e exclui para sempre a hipotese de esse nós vir a ser possivel. Porque o deixamos de ser nessa noite. E agora vejo-te alheia ao mundo e o mundo atento a ti e tu já te não dás ao trabalho de falar, apenas espera que eu te "veja", que te procure por aquilo que tens para dizer. Afinal essa noite não passou do teu jogo, não querias realmente ter-me ignorado, contaste-me alguns dias depois, eu sei, mas a minha decisão dessa noite manteve-se, não podia jogar mais, talvez tenhamos jogado tempo demais. Fiz-te alheia a mim e juntei-te à multidão que te rodeava, fiz de ti só mais uma e agora aí estás tu, a construir um nós que já há muito. E parece que o "apaguei o nós para sempre" se tornou pequeno para aquilo de que somos capazes e o para sempre acabou por ser um
"agora"´... Voltas e voltas e voltas...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ensaio

Imaginem-se algures numa urgencia de um hospital. Pois bem, aí começa a história do Gonçalo, que acabara de levar a sua esposa por se ter sentido indisposta durante o jantar. Consciente ainda, Rita, a esposa ia dizendo a Gonçalo que provavelmente teria sido de nunca ter ido a um restaurante indiano.
Gonçalo, arquitecto em Coimbra (ainda não tinhamos mencionado a profissão), conhecera Rita quando estudou no Porto, já lá vão 16 anos e 2 filhos em comum.
Conversavam enquanto aguardavam a chamada do médico, que após algumas horas chama. Rita entrou, Gonçalo decidiu esperar, Rita não apresentava sinais de preocupação e ele sempre soube que Rita prezava a sua "privacidade".
Ao fim de umas quantas horas o médico sai e pergunta pelo marido de Rita, que por sua vez ja se sentia incomodado com tanta demora.
Dr: - Sr. Gonçalo, eu sei que aparentemente a sua esposa se encontrava bem, mas no fim de alguns exames de despiste detectamos um problema grave, o que nos levou a operá-la de imediato.
Gonçalo: - Mas doutor, a minha esposa não há muito tempo fez exames e nada apontava para qualquer problema, o que aconteceu?
- Detectamos que a sua esposa tinha um problema de coração, uma insuficiência, o que provoucou este problema durante o jantar.
- Mas ela vai ficar bem não vai? Ainda há pouco falavamos e pensamos que poderia ter sido de nunca ter comido num restaurante indiano. (Um pormenor que não foi mencionado à equipa médica que atendeu. Rita quando entrou perdeu de imediato os sentidos)
- Um restaurante indiano diz você... Eu vou voltar ao bloco a ver como estao a correr as coisas, já volto com mais noticias.
- Sr. Doutor, por favor, veja o que pode fazer, eu so sei viver com ela, tudo o que sou, sou com ela, sem ela não sou nada.
O médico entra para o bloco e depara-se com a equipa em verdadeiro alvoroço. Rita não resistiu à operação delicada. Nada a faria voltar à vida, estava morta, o seu fim chegara. Ditado talvez por um enorme erro, quem sabe.
- Sr. Gonçalo, nunca há uma forma fácil de explicar o que acontece ali dentro, Rita não sobreviveu, fizemos tudo o que estava dentro das nossas capacidades, mas ela estava muito debilitada.
Gonçalo em pânico:
- Mas como não resistiu??!! Ela nunca teve nenhum problema, voces erraram, voces mataram-na!!!
Era uma reacçao já esperada, o médico ignorou as palavraas de Gonçalo e o resto da equipa acalmou-o. Feita a autópsia descobrem que aquela momentanea insuficiencia se devia, de facto, ao jantar.
Gonçalo que decidira ficar cá fora não acompanhou Rita que caíra inconsciente longe de si, a equipa médica não sabendo daquele importante pormenor, nao fez um bom diagnostico, o que levou a paciente à morte. Gonçalo inconsolavel nao se iria conseguir perdoar, nem perdoar ninguem (descobrira com uma consequencia terrivel que os pequenos pormenores, as pequenas escolhas por vezes ditam o destino, o fim). Só o simples facto de tratarem Rita por paciente lhe dava vontade de os matar a todos, parecia que lhe tirava a identidade, logo a ela que ele pensava conhecer tao bem.
Depois do funeral de Rita, depois do desespero, da falta de esperança, do aparente fim de tudo Gonçalo volta ao hospital, mas desta vez consigo levava uma certeza, desta vez quem morreria nao seria mais um paciente, mas sim o "assassino" desse paciente...
Gonçalo entra doido no hospital, nada nem ninguem o conseguiu impedir de chegar ao gabinete do médico (já é hora de lhe dar um nome, Dr. Luis Cunha), ao chegar aponta-lhe uma arma, enquanto um paciente se faz fugir pela porta em panico, e diz-lhe:
- O Sr. matou a minha esposa, não merece trabalhar aqui, nao merece lidar com a vida das outras pessoas, alias nem sequer merece a vida depois de ter morto a minha esposa.
- Calma, eu percebo toda a sua dor, todo o seu desespero, mas eu so fiz o que tinha a fazer, alias toda a equipa que acompanhou a sua esposa concordou que o melhor a fazer era operar.
- Cale-se, a unica coisa que me da a entender é que todos deviam morrer.
- Sr. Gonçalo, pense bem, nem tudo está perdido, o senhor ainda... (foi brutalmente interrompido por 3 disparos que se fizeram ecoar por todo o hospital, este som gélido chegou a todas as salas, a todos os cantos a todo o lado).
A primeira pessoa a ocorrer ao local foi a enfermeira Maria, uma mulher linda, que entrou sem qualquer expressao, estava aparentemente em choque, afinal era o seu marido que se encontrava imobilizado no chao rodeado por uma poça de sangue.
- Mas mas, o que é que voce acabou de fazer?
- Vim fazer justiça, este homem não merecia ter uma vida nas mãos.
- O senhor nao percebe pois nao? Grande parte da culpa foi sua, a operaçao demorou horas e o senhor nao fez nada para nos alertar do que se tinha sucedido, a culpa é sua!!
Maria aproxima-se do marido, deita-se no chão agarrada a ele e chora, chora... Gonçalo que nao queria viver com a culpa dessa sua falha naquela fatidica noite, no fundo sabia que a sua escolha em nao intervir ditara a morte de Rita. Alem dessa dor agora tinha tambem uma morte em maos, mas esta morte nao se deveu a tentar salvar alguem, como fizera o Doutor, pelo contrario esta morte foi um acto de egoismo, a unica coisa que queria era culpar alguem da morte indirecta que provocou e agora tinha duas mortes em maos.
Gonçalo nao sabia o que fazer, sabia que a policia nao tardaria a chegar, nao conseguia suportar a ideia de ter sido o maior culpado na morte da sua esposa e o facto de ver agora ali Maria em desespero agravava a sua dor, decide suicidar-se.
Gonçalo percebera pouco tempo antes de ditar o seu fim que ditara o fim naquele fatidico dia na urgencia, quando nao apoiou a sua amada esposa e a unica coisa que procurava era um culpado para o seu erro, nao o encontrou fora, encontrou-o dentro, dentro de si e sim, vingou-se, vingou-se e matou-o, matou-se.
O que Gonçalo não sabia era que Rita já há um ano e qualquer coisa andava envolvida com outro homem. Não devemos nunca menosprezar o poder da ignorancia. Se Gonçalo soubesse nada disto teria acontecido, estariam todos vivos ainda. De qualquer forma, não cabe a ninguem, a nenhum de nos ditar o fim, resta-nos viver com o fim e com o inicio, resta-nos nao ser culpados do nosso fim, culpados do fim dos outros.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Morreu, coitado

E sem que nada o fizesse adivinhar morreu.
Apanhou toda a gente de surpresa, até a
própria morte, que almoçava descontraidamente
com ele. Apanhou-a de tal forma distraida
que, enquanto o seu corpo lutava inutilmente
contra a morte não anunciada, teve tempo
para pensar em tudo o que não fez. Não fosse
o facto de estar "inconsciente", teria escrito
uma carta a pedir desculpa e a fazer promessas
do que nunca iria ser feito. Mas no fundo, não
era mentira, de facto, não eram mais do que os
seus sonhos, agora inalcançaveis. Morreu, coitado
e mais coitado ainda porque achou que tinha
tempo. Constatou, enquanto a morte o agonizava
e pedia a conta, (sim porque quem morre não deixa
dividas e a morte bem o sabia, até porque nunca
é seu hábito pagar o que quer que seja) que nada
de bom deixara neste mundo, constatou que de
todos os dias em que viveu em nada contribuiu
para que alguma coisa neste mundo e só neste
fosse melhor. Lembrou-se que até o crescimento
dos próprios filhos, com boa reputação lá na
vizinhança, não acompanhou nem com nada contribuiu.
Um pequeno miseravel, que viveu como quem já morreu.
Reparou que todos os dias acordou como quem adormece.

E até à inesperada morte pensava ser feliz.
ah!! Se a morte viesse mais rápido morria feliz.

De repente

E se de repente te desses conta de que não vives
como deverias viver, como a vida realmente merece
ser vivida. Se desses conta de que a maioria dos
dias te levantas sem esperança que algo de bom se
venha a revelar. E se tudo o que fazes não passe
já de um gesto robotizado, rotineiro que vais
repetindo e repetindo num ciclo monótono e sem
qualquer interesse, porque te esqueceste que já
há muito tempo atrás começaste a controlar todos
os teus actos, deixaste de ser espontaneo, não
foste mais tu, porque quiseste ser um outro que
não querias ser e foste. E se hoje voltasses a
ser tu novamente, será que as pessoas se esqueciam
do outro que foste durante tanto tempo? Será?

Não é grave

Já tentei, não poucas vezes, tentar perceber quem
sou, é obvio que me continuo a interrogar e cada
vez me perco mais a tentar perceber. E decido,
finalmente desistir de tentar perceber o que ando
por cá a fazer e com que objectivo. O tempo com
certeza me chegará com essa certeza e aí já nao
terei de me interrogar. Agora o que realmente me
preocupa é que não percebo porcaria nenhuma de
cozinha, a nao ser que fica no piso de baixo e que
é a porta ao fundo do corredor e vou ter de fazer
o jantar para umas 15 pessoas. Uma aposta bem
pensada da minha parte. Portanto, hoje à tarde
vou ali ao pingo doce buscar umas pizzas congeladas.

A casa dos segredos

E acabou a crise... Agora é só ver a vidinha
daqueles moços que estão presos numa casa...
É uma estranha sensação presa de liberdade!!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

23 de Setembro de 2011



"10ª Edição - Back To School

BILHETES JÁ À VENDA EM TICKETLINE.PT e postos aderentes|


Sendo o 10º aniversário, e por ser 10 um número bastante importante, esta décima edição do Back To School não poderia ser menos do que o que será!

Começando por diversas apresentações artísticas desde Ballet, passando pelas bandas de Rock recentemente formadas e pelos workshops de dança e culminando num conjunto de representações teatrais e musicais, as tardes do Festival vão mostrar o melhor que a cultura marcoense tem para oferecer!

Quando a noite cair, não vão ser as estrelas celestes as que mais brilharão, nos dias 23 e 24 de Setembro, no palco principal do Back To School ‘11.
Pela primeira vez no nosso concelho e na região, o festival contará com a presença da já mais que consagrada banda LINDA MARTINI e dos gloriosos TARA PERDIDA.

Como Back To School que se preze dá relevo às do bandas do Marco que, cada dia que passa, se mostram dignas de um público mais e mais fascinado, o festival terá a honra de apresentar o último concerto de uma das maiores bandas marcoenses, os fenomenais Moch of Doom; de, com orgulho, revelar um promissor regresso dos talentosos Lhabya; receber os formidáveis finalistas do concurso de bandas organizado pela Fábrica do Som, os incomparáveis Varsóvia; revelar bandas que se mostram cada vês mais brilhantes ao traçar um futuro forte e consistente, como os The Room, Blinded, Wareater, The Rockets e Camarata 3; e, pela primeira vez, apresentar ao público duas bandas que, certamente, orgulharão esta nossa terra, o Marco de Canaveses - os 269 e Blossom e ficarão para sempre na história da 10ª edição do festival!

Eis o cartaz:

Dia 23/09 - Sexta-Feira:

Linda Martini
Varsóvia
The Room
The Rockets
Camarata 3
Blossom

Dia 24/09 - Sábado:

Tara Perdida
Moch of Doom
Lhabya
Blinded
Wareater
269


As portas abrir-se-ão pelas 17h00 e encerrarão pelas 2h30.
O festival contará com a presença de restaurantes e bares bem conhecidos do público marcoense!

Contém com afters onde presenciarão Dj’s de nome regional que saberão colocar um ponto de exclamação nas duas melhores noites do ano!

Como a solidariedade é um acto a preservar e defender, uma percentagem significativa dos lucros reverterão a favor da Animarco e da Liga Portuguesa Contra o Cancro!

Brevemente será anunciado o site do festival onde poderão consultar mais informações relativas à venda de bilhetes e respectivos preços.

(...)"

No aniversário



* De realçar que era uma garrafa de 1950... eheh

Eu posso...

A ti que não tens comparação, a ti que transformas
o simples no mais complexo emaranhado de ideias,
a ti que vives no teu mundo e adoras visitar o
meu, quanto mais nao for para que eu te chame
a atenção para o que não queres ver, a ti que vais
e vens sem querer ficar, sem querer partir, a ti
que vagueias por um sem fim de caminhos cruzados
e encontras sempre o caminho para mim, a ti, a ti
desejo que tudo seja perfeito, só para ver se
acalmas um bocadinho e deixas de buscar tao
incessantemente aquilo que te fartas de encontrar
de cada vez que vais e vens, de cada vez que
esperas. E lembra-te, eu nao preciso procurar, so
preciso esperar que me voltes a encontrare enquanto
isso por aqui fico, tranquilo, sem medo das minhas
más escolhas, com um certo receito daquelas que
poderao ser as tuas más escolhas, mas fico...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Por aqui


Chegas tarde, nao te queres fazer notar, mas
emaranhas a realidade que me envolve, como quem
sabe o que faz, sem a noçao de que nao pode.
Como se o facto de conseguires acalmar o meu mundo
te dê o direito de ficar, como se de alguma forma
a impressao de mudares o meu rumo te faça pertencer
a ele. Tentas, sem te querer comprometer, ficar.
E eu sem saber bem o que fazer, continuo-te a
afastar e a deixar-me viver com o barulho com que
me habituei, enquanto tu, tentas fazer com que
a harmonia paire nas nossas vidas. Tu silenciosa
demais, eu ruidoso demais. Nao me parece que
consigamos ficar, mas também nao me parece que
devessemos partir. Aqui ficamos.
Faço-te promessas eternas que acabam ao anoitecer.
Acreditas com a esperança de que seja mentira.
E amanha tudo nao passou de mais um sonho sem sentido.

Nop

"Nao, nao vais chegar a tempo se continuares assim..."
É sempre uma coisa bonita de se ouvir, depois de ter
chegado a horas ao cinema e tudo. Será que esse nao
vais chegar a tempo se referia a outra coisa que me
nao ocorreu? Ora muito obrigado... lol!!
Mulheres...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

"Viver sempre foi e sempre será um risco, um tiro no escuro e um acto que implica lidar de forma diária e continua com o desconhecido. Por muito prudentes, cuidadosos e sensatos que possamos ser, é preciso aceitar que não controlamos tudo, que nunca vamos controlar tudo e que viver implicará sempre correr riscos, eventuais exposições à rejeição, à perda, à desilusão e ao desconhecido, mas também à um conjunto de emoções positivas. Tudo isto faz parte da vida e de nada nos adianta viver mergulhados num mar de medos, desconfianças, hiperprotecção e controlo ilusório só porque podemos vir a ser vítimas de uma tragédia, ser enganados ou atraiçoados, até porque ao estar sempre com o pé atrás e ficar sistematicamente na defensiva e cheios de desconfianças estamos a impedir que as coisas boas entrem na nossa vida. Claro que com tanto negativismo e receio à nossa volta vamos concluir constantemente que ninguém é de confiança, fechando-nos ainda mais no nosso mundinho. Isto, por não dizer que quanto mais ligamos aos nossos medos, mais contribuimos para que se concretizem e auto-confirmem vezes sem conta, o que só dá continuação ao ciclo vicioso. É preciso quebrar o ciclo e perceber que de nada adianta fugir, pois mais de metade dos nossos medos são irracionais e ligados a coisas que nem sequer dependem inteiramente de nós. Além disso, as pessoas normalmente esperam (muito erradamente) que ao fugir e evitar uma determinada coisa o medo desapareça ou pelo menos diminua, quando na realidade o que se observa é precisamente o oposto. Se não for enfrentado, o medo continua sempre lá, e por vezes vai-se tornando cada vez maior e impeditivo. Daí que o evitamento nunca foi, nem nunca será a solução para seja o que for. Viver é no presente, para a frente e de olhos bem abertos. O resto é um mero sobreviver."

Em: http://blackandwhitereality.blogspot.com/
Era uma vez (é assim que devem começar todas as histórias de enganar) uma menina chamada Alicia, que se apaixonara por um menino chamado Héracles, que vinha passar férias à sua humilde aldeia todos os anos. A primeira vez que se cruzaram não teriam mais de 4 anos. Como é normal nas aldeias pequenas não abundam as crianças, portanto desde tenra idade brincavam juntos. Acabaram por se "descobrirem" um ao outro, antes que outros o fizessem. Com o passar dos anos Héracles, habituado aos prazeres mundanos oferecidos pela cidade começou a menosprezar as férias passadas com a família no campo e ficava em casa na internet a falar com os seus amigos da cidade e a queixar-se da monotonia que o assolava todos os anos por esta altura.
Alicia por sua vez começara a estudar numa universidade na capital e para si nada de mais importante e de valor havia que estes meses passados junto à sua família, à sua rotina.
O tempo foi passando, ambos tinham vidas diferentes, ambos tiveram relacinonamentos com pessoas mais parecidas com eles. Ambos ignoraram o facto de terem crescido juntos, ambos se esqueceram como foi bom aprenderem o que um tinha para ensinar ao outro. Ambos se formaram, ambos tiveram uma carreira profissional de sucesso, porque a inteligência lhes era inerte.
Ambos foram infelizes, até porque nem todas as histórias têm de acabar bem. E as que começam bem e se lhes altera o rumo para algo que se procura a uma determinada altura, em detrimento de tudo o que se poderia ter, se mantivessemos o mesmo rumo, têm uma certa tendência a terminarem mal.
Podemos tentar encontrar um culpado, podemos ignorar os factos que levaram a este "afastamento". Podemos até imaginar o discurso derrotista que ambos tiveram naquela tarde em que ambos voltaram às "Origens". Sim, ela voltou à sua aldeia, dizem que voltou para morrer em "casa" (isso foi o que disseram, tenho cá para mim, que veio com uma ultima gota de esperança de encontrar o destino às portas do fim), ele voltou porque tinha um negócio a fechar com uns quaisqueres estrangeiros que lhe iam comprar a quinta dos seus pais (outros dizem também que o destino lhes quis dizer o que teria sido correcto e o trouxe até ela).
Eu não creio muito nessa teoria, nao me parece que o destino seja de se arrepender.
Mas, de qualquer forma, dizem que a conversa teria sido algo deste género (há conversas que as pessoas fazem questão de imaginar, independentemente do que realmente se trata):

- Héracles: Alicia, sabes que só no fim da estrada te vais apercebendo da viagem e do sentido, ou da falta dele, que ela fez. Algo me diz que se tivessemos ficado juntos a minha vida teria sido muito diferente. Não sei se teria sido melhor, se teria sido melhor, mas não teria de ter vivido com este sufoco que me não deixa respirar desde sempre.
- Alicia: Agora, que sei que não tenho muito tempo decidi fazer as pazes com o passado e aceitar o que me foi dado, que nao foi assim tão pouco, sem questionar o "como teria sido se ele naquele Verão viesse falar comigo".
- Héracles: Mas tu consegues viver com essa incógnita?
- Alicia: Para mim nunca foi uma questão... Para mim sempre foi uma opção tua... Tu é que largaste aquilo que era nosso, aqueles espaços que partilhamos, eram meus, tu partilhaste-os comigo. A partir do momento que deixaste de o fazer percebi que tinhas feito a tua opção... Todos os Verões voltei, mesmo depois de ter feito a vida como a conheço hoje, na esperança de saber o porquê, mas tu nunca voltaste...
- Héracles: Então porque é que nunca me procuraste, porque é que deixaste que tudo acontecesse desta forma?
- Alicia: Porque desde sempre me ensinaram que o que é nosso e a nós pertence conosco virá ter.
- Héracles: Nunca devias ter acreditado nisso, isso é um cliché!!
- Alicia: Não será um cliché maior do que " perdemos muito tempo no passado, mesmo depois de nada haver a fazer. Erro teu, eu voltei, porque sabia que virias antes de eu partir, afinal, alguma coisa terias de fazer depois de 32 anos sem cá voltar.
-Héracles: Nem sempre nos damos conta da efemeridade da vida, fui adiando sempre o meu regresso até que quando dei conta, já era tarde demais.
-Alicia: E agora apercebes-te de que afinal nunca foi tarde de mais e se nao fosse, como disseste, a efemeridade, ainda íamos a tempo de reconstruir o que nunca foi destruído.

E um dia paras.

Vives, vives como o amanha te não fizesse
qualquer tipo de confusão, como se o facto
de viver o hoje te chegasse para amanha.
E assim tentas enganar todos os que te
rodeiam e lentamente vai-te surgindo a
inevitável questão. Sera que ainda há tempo?
No meio de tudo isto tentaste enganar-te,
tentas acreditar que tinhas a tua forma
diferente de viver e que te era suficiente.
E agora, agora pode já ser tarde demais para
mudar, ou até pode não ser, mas a tua vontade
de descobrir não é muita, até porque, mais
vale viver com esperança e acreditar em alguma
coisa, do que ir de encontro à duvida e ter a
certeza de que realmente tens vivido "mal".

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Futuro 2

Passamos a vida inteira preocupados com o futuro, com planos hipotéticos, a tentar adivinhar o imprevisivel. Como se prever o futuro fosse aliviar o impacto das mudanças que ele acarreta. O futuro nada mais é senão o esconderijo dos nossos medos
mais profundos e dos nossos sonhos mais irreais. E quando ele finalmente chega damos conta de que nada tem a ver com o que esperavamos.

Dr. House

“It’s a basic truth of the human condition that everybody lies. The only variable is about what.”

“No, there is not a thin line between love and hate. There is, in fact, a Great Wall of China with armed sentries posted every twenty feet between love and hate.”

“You can have all the faith you want in spirits, and the afterlife, and heaven and hell, but when it comes to this world, don’t be an idiot. Cause you can tell me you put your faith in God to put you through the day, but when it comes time to cross the road, I know you look both ways.”

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

D' "O livro do desassossego"

"Cai leve, fim do dia certo, em que os que crêem e erram
se engrenam no trabalho do costume, e têm, na sua própria
dor, a felicidade da inconsciência. Cai leve, onda de luz que
cessa, melancolia da tarde inútil, bruma sem névoa que entra
no meu coração. Cai leve, suave, indefinida palidez lúcida e
azul da tarde aquática — leve, suave, triste sobre a terra
simples e fria. Cai leve, cinza invisível, monotonia magoada,
tédio sem torpor."