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Os Sábados à noite têm uma coisa fantástica que, pelo menos para mim,
me salvam de muitas e determinadas situações e naquilo que poderia
ser o que muitas pessoas chamam de peso de consciência... Quando saio
ao Domingo com pessoas que se me cruzaram na noite de Sábado, acabo
por descobrir coisas fantásticas acerca da noite anterior... Não percebo
bem porquê, mas depois de uns quantos copos, vagueio pela noite, ora
bem humorado, ora mal, vai do estado de espírito, sem qualquer seriedade.
Faço coisas malucas, tento espancar alguém, quase que choro por não sei
quê, atravesso o carro algures, fico insuportável, tudo isto sem dar conta.
E ao outro dia acordo e digo, "Eh pa, grande noite, curti que ui!!", depois
ouço o lado dos outros e penso... "Estes não são nada divertidos", eu sou
capaz de, nessas noites, quando o alcool ultrapassa os valores aceites
pela sociedade, sou capaz de ver coisas que não lembra a ninguém, a ninguém.
Mas vá, já começo a encontrar uma ou outra pessoa que partilha do mesmo
problema, se assim lhe podermos chamar. E somos todos uns perdidos, dizem
os outros, como se nos conhecessem de algum lado, ou se conhecem, não
conhecem esse tal "outro mundo" que nós construimos nessas noites...

P.S. Não me lembro de puto de grande parte dessas noites, principalmente quando envolve conversas
sérias, nas quais sóbrio teria uma certa dificuldade em lhes dar continuidade. Eu não consigo sequer
contar 1€ sozinho, geralmente é o empregado do bar a ir-me ao bolso buscar o que falta... Tenho dito.

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Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
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de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."

Shakespeare

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