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A.C.

Por muito que me queira separar do que fomos, resta-me
sempre o tudo que poderíamos ter sido, apesar do nada que
acabamos por ser... E é essa sobra que me faz não querer ver
o futuro sem ti! É essa sobra que me não permite ninguém
ocupar esse espaço que sempre foi teu, é essa sobra que, por
vezes, me faz levantar e continuar a lutar pelo que, provavelmente,
nunca será... És tu, que indirectamente, me fazes acreditar que
ainda é possivel acreditar nas pessoas que nos rodeiam, és tu que
fazes com que não questione todos os meus princípios, que entretanto,
se foram desmoronando e acabaram por construir um caos que ainda
não consigo controlar... És tu que ainda me fazes esperar pelo
nada que aí vem... É em ti que penso quando nada faz sentido...
Mas é em mim que vais buscar muito daquilo que queres dos
outros e embora nunca me tenhas dito, é em mim que encontras
forças para continuar a lutar por tudo em que ainda acreditas....
Seria por nós que eu teria escrito isto, noutra altura, num passado
que em nada nos pertence, mas não, hoje escrevo só porque sim.

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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …