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Sentia-se assim... Uma casa de férias... O sítio onde as pessoas vinham passar uns dias, onde fugiam ao mundo delas... Era assim que se sentia, o sítio que nunca será o sitio, o sítio que nunca mais será que um ponto de passagem, é um sitio bonito... Mas não é um sitio onde seja possível ficar, ali não é possível viver, é longe da vida, é longe da felicidade, fica longe do trabalho e da vida de todos os dias... É bonito, o sítio, mas é impensável ficar mais que 2 semanas... Ali até correm bem as coisas, mas não correriam sempre, é só aquele bocadinho... É uma casa, só uma casa noutro sitio, longe do lar, longe da vida, longe de tudo... Não é nada, é só um espaço desprovido de sentido, é um sítio... Só uma casa levantada do chão, com o único objectivo de ser por uns dias o que não pode ser para sempre... E o coraçao dele é assim, como essa casa... Cheio quando ela volta, vazio quando ela vai para a casa aonde pertence... Um coração que não é nada, uma casa vazia... Um mundo sem sentido...

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Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

Mas, quando por alguma razão o amor nos falha e a vida nos ludibria, deixamos de ser quem já fomos. Há muito deixamos aquelas paredes velhas. E há muito que os sonhos que um dia soltamos das paredes já não são os mesmos. Quando o amor nos falha por qualquer razão voltamos sem sonhos, pelo men…
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."