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E vem por ali fora, desgovernado pela própria vontade, desorientado pela própria loucura!! Louco de querer demais, vem por ali. Quer-me parecer ser um avião? Não... Afinal é só o amor. E por muito que se não veja é capaz de ser tão espalhafatoso como um alegre avião em direcção ao chão. Dizem, a quem o amor corre muito bem, tão bem que nem chega a ser amor, que é muito lindo, que é um viver a dois como se fossem só um, mesmo que esse só um resmungo um dia inteiro para voltarem a ser dois. Outros, a quem corre menos bem, dizem que é uma coisa que corrompe por dentro, até por fora parecer que se foi atingido pelo avião que alegremente se apressava para o chão. Outros, pais sozinhos do sentimento, pais solteiros de um amor fantástico que perdeu fatalmente a mãe num acidente de cruzamento de sentimentos, percebem que não há outro sentimento igual. Tornam-se pais orgulhosos de alimentarem um sentimento, sozinhos, de o criarem, de o educarem. De o tornarem num filho do coração que não mal trata a mãe só porque não está sempre presente. Um filho que cresceu sempre acompanhado por uma mãe, que apesar do acidente que lhe cortou as pernas no cruzamento, correu sempre para o pai, como quem nunca tinha cruzado o cruzamento do sentimento. E ser pai solteiro de um sentimento é muito alimentar um filho sentido, amado. É muito criar sozinho um filho que nunca vingará, mas gostar tanto tanto de ser pai de um filho tão maior, que se quer ser sozinho uma vida inteira. Ser pai solteiro de um sentimento é ter o coração muito chegado ao peito e perceber que em muitos peitos há coragem de matar o próprio filho e aceitar que criar sozinho um filho é um tipo de coragem mais cobarde. Só um bocadinho mais cobarde. É um não querer ir em frente porque se quer desesperadamente ficar, é um não querer deixar ir porque se quer que seja para sempre. Enfim, é ser pai a tempo inteiro de uma criança que quer fugir a cada instante. 
É ser pai de uma criança que enche o coração de tal forma que se sorri sozinho no funeral do vizinho do 3º esquerdo de uma casa rés do chão. É olhar em todos os sentidos e não ver outro sentido que não aquele sentimento. É um olhar a perder de vista, a perder de tempo. É um querer ser para sempre e nunca ser. É um querer ser pai e mãe e não ser nada. É um querer ser a família inteira do amor e deixá-lo órfão, entregue a outro pai e outra mãe que serão, com toda a certeza, melhores. Os melhores pais dessa criança.

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Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

Mas, quando por alguma razão o amor nos falha e a vida nos ludibria, deixamos de ser quem já fomos. Há muito deixamos aquelas paredes velhas. E há muito que os sonhos que um dia soltamos das paredes já não são os mesmos. Quando o amor nos falha por qualquer razão voltamos sem sonhos, pelo men…
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
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os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."