sexta-feira, 28 de junho de 2013

Saudade

Dos que diziam ter saudade, ele seria dos poucos que dizia que não. A saudade nunca lhe pesara. Dera conta, talvez tarde, que deixara que a saudade repousasse em si. Nunca temera que ela acordasse e pensou que dormiria para sempre, acabando por acreditar que "para sempre" seria tempo suficiente. De repente, antes dela acordar, olhar para dentro de si e percebeu que não lhe via o fundo, embora lhe parecesse que a saudade nem fosse assim tão densa, parecia-lhe quase como água límpida a perder de vista. E à medida que a juventude se afastava dele a saudade ia acordando aos poucos. Sentando ao lume brando da paz de antigamente ainda era suportável, até que esse lume brando se foi apagando. A juventude fugia, o lume extinguia-se e a saudade emergia. Não se sabe se aguentou, ou se acabou por se entregar ao fim provocado pela saudade. O que se sabe é que à medida que a juventude lhe fugiu, ele correu atrás dela, não se sabe se ao fugir não acabou por enfrentar o que atrás não enfrentara. Enfim, não se sabe.

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