terça-feira, 11 de junho de 2013

O sentido perdido ao início

Lá estava ela, seria amor à primeira vista... Caso o amor por ela já não tivesse tomado conta dele há muito. Ali, nas escadas de sempre, subia para casa. A casa que ele tão bem conhecia, afinal creceram juntos, não desde pequenos, mas desde quando cresceram mais. Habituaram-se à presença um do outro, como que o sol se habituou a desaparecer de quando em vez e a voltar sempre. No fundo eram isso, eram um ir e voltar sempre, um ir e voltar que mal dava a entender que não estavam. Hoje era diferente, os seus passos eram mais certos, mais confiantes, havia qualquer coisa no caminhar que lhe despertara o amor que sempre sentira e nunca havia percebido. Hoje sentia-o finalmente... Ao cimo das escadas, quase como que a justificar a forma como caminhava estava um sujeito, desconhecido para ele. Beijou-o no preciso momento em que ele ia gritar pelo nome dela. Ia dizer-lhe o que acabara de perceber, não foi a tempo, parecia sem sentido, agora. Virou-se sem dar conta que ela tinha ouvido o seu grito quase silencioso. Ela ao olhar na sua direcção sentiu que também não beijava a pessoa certa, mas ao vê-lo voltado entendeu que não fazia sentido. E para não cair num ridículo que nunca fora seu, voltou a beijar o tal sujeito. Sabe-se que o amor se perdeu, sabe-se que nunca se viram e sabe-se que ela foi feliz até onde pôde, porque para ser mais teria de ser com ele, o das costas voltadas. Dele nada se soube, mas calcula-se que também não tenha sido tão feliz quanto devia. Ao fim de 30 ou 40 anos todas as histórias parecem ridículas, mas para ela foi naquele momento que trocou a felicidade pela vida. Pela vida que agora tinha.

2 comentários:

  1. viver e ser feliz nem sempre são incompatíveis...
    gostei muito deste texto!

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  2. Esperemos que não, para nossa felicidade ;) Obrigado...

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