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Orgulho

Estavam sentados, de costas voltadas. Ambos julgavam ter a certeza de que o outro olhava para ele de quando em volta. Ele, olhava para uma montra de vaidades, onde homens e mulheres expunham toda a sua futilidade. Ela estava perdida num livro que lhe havia sido oferecido já há muito, há tempo suficiente para se não recordar quem deveria chatear pelo vazia de conteúdo espalhado por aquelas páginas cheias de palavras inúteis. O orgulho de ambos impedia-os de se voltarem e ficarem à espera daquela troca de olhares que levanta as borboletas do estômago. Por ali continuaram até ao fim da tarde. Quando finalmente ela se lembrou de arriscar e tentar abordá-lo ele já se tinha ido embora. Para voltar um dia, talvez um outro dia. Pelo caminho de casa ela recordou-se de quem lhe dera o livro. Havia fortes possibilidades de ter sido a pessoa de costas voltadas. Pensava ela, para tentar aguentar e suportar o facto de não ter tido a inciativa mais cedo. Parecia-lhe mais fácil aguentar pensando que ele é de más leituras. Mais tarde, mais para o fim do livro, deu conta que foi dos melhores livros que lera. E agora? Agora a falta de iniciativa invadia-a, incomodava-a, não lhe tirava o sono, mas não a deixava dormir presa a sonhos. E sempre aquela ideia de que devia ter feito alguma coisa. Quanto a ele não se sabe, mas há quem diga que desapareceu, não devia ser dali. E foi para mais não voltar. Será que sentiu o mesmo?

Comentários

  1. Cruzamentos e desencontros...

    Ou encontros que teriam sido ;)

    E sim, é uma coisa que dá um certo sentido à viagem...

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