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Dos mais fracos aos mais fortes

Nem todos nasceram para atingir grandes feitos, grandes objectivos. Alguns nasceram para mudarem as correntes do mundo, as amarras do destino, a vontade e o sentido dos que caminham com certeza. Depois há aqueles que mais não fazem que se mudarem, que lutarem contra o que pensam, percorrem vezes sem conta o percurso já feito, constroem mundos à frente que nunca hão-de ser mais que isso, pura imaginação. Ninguém lhes dá valor, todos menosprezam o seu percurso. Parecem, aos olhos daqueles que nada entendem de tanto olhar pessoas que vagueiam sem sentido, sem rumo. Não tentam envolver-se nas "grandes questões mundiais", parecem demasiado preocupados com o seu mundo, demasiado egoístas para se preocuparem. Parecem. Mas o que eles são realmente, é fortes, fortes o suficiente para não aceitar o mundo criado por todos, não aceitar as regras impostas por outros, não aceitar o futuro imaginado por todos. São pessoas fortes o suficiente para ficarem ao lado das invenções reconfortantes de toda uma humanidade iluminada pela escuridão, de uma humanidade cega por uma luz que nunca existiu. Esses, os que ficam à parte, esses sim, são os que vivem com vontade, com vontade de encontrar um caminho, "o caminho" que querem e tentam traçar. Esses, esses não se deixam cegar, mesmo quando deviam.

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Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
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Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."

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