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Dos mais fracos aos mais fortes

Nem todos nasceram para atingir grandes feitos, grandes objectivos. Alguns nasceram para mudarem as correntes do mundo, as amarras do destino, a vontade e o sentido dos que caminham com certeza. Depois há aqueles que mais não fazem que se mudarem, que lutarem contra o que pensam, percorrem vezes sem conta o percurso já feito, constroem mundos à frente que nunca hão-de ser mais que isso, pura imaginação. Ninguém lhes dá valor, todos menosprezam o seu percurso. Parecem, aos olhos daqueles que nada entendem de tanto olhar pessoas que vagueiam sem sentido, sem rumo. Não tentam envolver-se nas "grandes questões mundiais", parecem demasiado preocupados com o seu mundo, demasiado egoístas para se preocuparem. Parecem. Mas o que eles são realmente, é fortes, fortes o suficiente para não aceitar o mundo criado por todos, não aceitar as regras impostas por outros, não aceitar o futuro imaginado por todos. São pessoas fortes o suficiente para ficarem ao lado das invenções reconfortantes de toda uma humanidade iluminada pela escuridão, de uma humanidade cega por uma luz que nunca existiu. Esses, os que ficam à parte, esses sim, são os que vivem com vontade, com vontade de encontrar um caminho, "o caminho" que querem e tentam traçar. Esses, esses não se deixam cegar, mesmo quando deviam.

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Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

Mas, quando por alguma razão o amor nos falha e a vida nos ludibria, deixamos de ser quem já fomos. Há muito deixamos aquelas paredes velhas. E há muito que os sonhos que um dia soltamos das paredes já não são os mesmos. Quando o amor nos falha por qualquer razão voltamos sem sonhos, pelo men…
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."