segunda-feira, 29 de abril de 2013

Seria

Tudo vai acabar, tu vais acabar e vais ser qualquer outra coisa,
pescadora de sonhos, por exemplo, enquanto esses também não
acabarem. Eu vou acabar, serei um inventor de folhas no Inverno,
por exemplo. Tudo acaba, menos nós. Podemos ser tudo, tu podes
ser a imperatriz de um reino encantado, sim, eu tenho um reino
encantado e não te quero como rainha, sabe-te a pouco. Mas tu,
tu vais acabar, não vais mais ser tu, vais ser céu e mar, porque o
azul não é para amar. E eu, eu vou ser o que me calhar, mas no
meu reino não penso ficar. Criei-o perfeito para ti e para os teus
sonhos, aqueles que deixaste de pescar. E no meu reino não há
Inverno, nem folhas para criar. Há, no entanto um outro tipo de
folhas, daquelas que pensamos poder eternizar. Serei poeta, se
os poetas também acabarem. Serei o que quiser, se todos me
deixarem. Virei ao meu reino, se assim o precisarem aqueles que
se perderem nas minhas construções. Serei o inventor de tudo, se
todos os outros se esquecerem. Serei mais, serei menos, serei
serei aquele que nunca teve medo de acabar, serei eu, serei nós!  

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