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A escada

Recordo-me agora. Havia uma escada, lembraste? Era uma escada daquelas que se vêem nos filmes, cheia de flores, cheia de vida, harmoniosa, com um odor especial. Aos poucos, não percebi bem como, a escada começou a ficar mais pequena, de um momento para o outro as flores começaram a desaparecer, a vida ausentava-se. Ao fim de algum tempo essa escada mais não era que um beco, um beco sem saída, escuro, sombrio. Aos poucos tornou-se no sítio que ninguém queria mais visitar. Aos poucos reparámos que aquela escada, pouco e pouco, foi perdendo o sentido, a direcção, o objectivo, o fim. Descobrimos agora com assombro que aquela escada eramos nós e que nunca mais nos conseguiremos voltar a descobrir, porque construímos uma escada que se tornou no que não devia ser, um sítio sem saída, um local sombrio que ninguém quer visitar, nem nós que já tocámos dali o paraíso.

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Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
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Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."