domingo, 28 de abril de 2013

A escada

Recordo-me agora. Havia uma escada, lembraste? Era uma escada daquelas que se vêem nos filmes, cheia de flores, cheia de vida, harmoniosa, com um odor especial. Aos poucos, não percebi bem como, a escada começou a ficar mais pequena, de um momento para o outro as flores começaram a desaparecer, a vida ausentava-se. Ao fim de algum tempo essa escada mais não era que um beco, um beco sem saída, escuro, sombrio. Aos poucos tornou-se no sítio que ninguém queria mais visitar. Aos poucos reparámos que aquela escada, pouco e pouco, foi perdendo o sentido, a direcção, o objectivo, o fim. Descobrimos agora com assombro que aquela escada eramos nós e que nunca mais nos conseguiremos voltar a descobrir, porque construímos uma escada que se tornou no que não devia ser, um sítio sem saída, um local sombrio que ninguém quer visitar, nem nós que já tocámos dali o paraíso.

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