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Uma questão de tempo

Corriam todos na sua direcção... Parecia que o mundo se queria aproximar dele, decidiu esperar... Vinham de todas as direcções, vinham longe, decidiu esperar, mas ainda estavam todos muito longe, tão longe que ao ao fim de 3 longos dias ainda pareciam estar no mesmo sítio. E ao fim desse tempo, todos pareciam à mesma distância, ou então seria da fome, sede não seria que tinha uma garrafa de água que ia bebendo lentamente, como que a adivinhar que demorariam muito. Continuou à espera, mais tarde ou mais cedo chegariam à beira sua beira e trariam, com certeza, comida, bebida e ofertas várias. No fim de contas ele era o centro do mundo e todos vinham na sua direcção. Ao fim de uns quantos dias, não se sabe bem quantos caiu. Diz-se agora que morreu ao fim de uns 8 dias. Diz quem o conhece que se julgava importante, talvez o centro do mundo e de todas as suas atenções. Morreu sem perceber que as pessoas iam e vinham, na sua rotina habitual e nem deram pela sua presença no centro de um verde parque. Quem o conhecia disse também que mesmo que lhe dissessem que ninguém vinha na sua direcção ele teria continuado à espera porque também se julgava o dono da razão. E assim viveu e assim morreu, sempre dono da razão... E se não fosse a sua razão estar errada, teria vivido com sentido. Os que não o conheciam disseram que quando percebeu que ninguém vinha para si tentou ir para os outros, mas andou às voltas porque não conseguiu perceber quem tinha mais perto e esquecendo-se de que o caminho deve ser sempre em frente, sempre que lhe parecia ter alguém mais perto voltava para trás, para os que pareciam mais perto. E assim morreu, longe dos que teria alcançado se tivesse continuado.

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Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
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os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
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Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."