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Escolhas

Soube há pouco que ela já lhe tinha marcado as férias e traçado o destino. Era sempre assim, nem sabia como ainda se surpreendia. Estava decidido, partiam dali a cinco dias para Málaga. Não valia a pena tentar outro destino de praia, era tudo muito caro. Ele até queria ir visitar uma cidade com um bocadinho de história e sem bonecos de praia que correm para a areia aos primeiros raios de sol. Malas feitas e desfeitas de seguida por ela lá foram. Pensava agora na viagem que além de não escolher para onde ia, nem sequer teve hipótese de escolher o que vestir para se despir da sua vida de todos os dias. E enquanto este pensamento lhe varria o pensamento ela já lhe havia pedido um café... Nem isso escolheu, começava a ficar um bocadinho incomodado, parecia que todas as decisões já estavam tomadas antes de lhe aparecerem. Por lá ficaram uns longos 9 dias e que longos. Ao chegar deparou-se com mais uma surpresa, parece que decidiram pintar a casa por fora, faltava ver por dentro. O mesmo, tudo novo, tudo diferente. Era como voltar para uma casa que há muito não conheciam, mas só se tinham passado 9 dias. De manhã, quando saía do banho deu conta que já tinha a roupa separada, restava-lhe ao menos escolher o pequeno almoço. Torradas com manteiga e um café morno, também já estava escolhido. Ao menos ainda poderia escolher a bomba de gasóleo para abastecer no caminho para o trabalho que ela impingiu.
- Já meti gasóleo ontem, não tens de te preocupar com nada, até logo!! - atirou ela da porta.

E foi ali que tudo acabou, naquele até logo que se tornou num até nunca mais. Acabou por falta de opções, quando afinal tinham havido tantas. Sabe-se que durante vários dias vagueou pela vida sem saber por onde ir, afinal tinha de voltar a aprender a fazer tudo. Dela sabe-se que lá encontrou alguém que controlaria como sempre fizera, sem que todos o percebessem, às vezes nem ela.

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