sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Papel gasto pela vida

Escrevia para ela todos os dias. Mesmo depois de tudo, mesmo depois do fim. Todos os dias tentava encontrar dentro de si tudo o que o puxava para ela. Ao fim de algum tempo começou a perceber que tudo o puxava para ela, começou a perceber que todo o seu mundo orbitava à volta dela. "Seria ela a sua estrela?", escrevera uma vez... Dias, meses, anos se passaram sem se tocarem, nem num breve olá. E em todos esses dias lhe escreveu. Ao fim de muito tempo olhou para trás e percebeu que ela mais não era que o que escrevia, percebeu por fim que ela era perfeita porque ele a escrevera assim. percebeu finalmente que não gostava tanto dela quanto seria de esperar. Não sentia sequer a falta dela, sentia apenas a falta da pessoa para quem escrevia todos os dias, no fundo, essa pessoa nunca existira. Do que ele gostava mesmo era de escrever. Desde aí escreveu sempre, não para ela, mas para ele. Ela não mais fora que o que ele inventara dela em papel gasto pela vida. E o seu amor mais não é agora que uns quantos pedaços de papel.

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