quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Do amor pouco fica

Era um dia quente de Maio, ou seria Junho, perdeu-se no tempo havia muitos anos, e por arrasto ou encantamento esqueceu-se também de que se perdia no tempo. Mas este pequeno pormenor não é importante para a história. Nesse tal dia que se não lembra viu-a a passar, disso tinha a certeza, ela passou, não sabe quando e não tem bem a certeza de onde. Sabe que a voltou a encontrar noutro lado, talvez um mês depois, talvez nem tenha sido tanto tempo. Encontrou-a, dirigiu-se a ela e perguntou-lhe se nunca se haviam conhecido. Também se não lembrava muitas vezes que se esquecia de coisas importantes. Ela respondeu-lhe que sim, que foram casados e as coisas não tinham corrido bem. Não lhe quis perguntar porquê. Saiu. Triste, pelo que se lembrava. Como poderia alguém deixar de amar alguém com aquelas feições. Via nela a sua alegria, a sua razão. Não lhe perguntou se foram casados muito tempo. Ou se já tinham seguidos caminhos diferentes há muito. Depois, deu conta de que esta história não era sua, talvez fosse só a sua imaginação. Também não se lembrava que era doido. Agora percebe-se porque se esquecia tanto, era a sua defesa contra a vida. 

2 comentários:

  1. pois...uma maneira diferente de se resguardar .
    gosto, deste género de escrita.

    :)

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  2. Obrigado Piedade Araújo ;) É sempre agradável saber que passas por cá...
    ;)

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