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Somos tudo, somos nada!!

Foram indestrutíveis durante tempo demais. Juntos formavam uma gota do tamanho do oceano. Juntos eram uma estrela do tamanho do universo. Era quase como que se todos lhes pudessem tocar e ninguém os conseguisse alcançar. Era como que olhar de longe e perderem-se na imensidão dos dóis. Assim foram até ser tarde demais. Afastaram-se do mundo, tornaram-se maiores, superiores pensavam, tornaram-se os donos da razão sem querer, enfim, tornaram-se insuportáveis. Diriam os mais distraídos que foram vítimas da sua própria intangibilidade. Cansaram-se um do outro, como o oceano se cansa de cada gota e o universo se perde por cada estrela. Aos poucos foram caindo, sozinhos, longe um do outro. Já não eram um oceano, agora mais não seriam que uma gota pequena, insignificante, perdida. Não seriam mais que uma estrela que ainda parecia brilhar lá ao longe, mas que ali ao perto era um pedaço de pedra em decomposição, uma implosão para fora que ninguém via. E assim... Sozinhos... Perderam-se num universo que nunca teria sido demais para eles se se não tivessem deixado afundar num pequeno oceano que não engolia o universo.

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Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

Mas, quando por alguma razão o amor nos falha e a vida nos ludibria, deixamos de ser quem já fomos. Há muito deixamos aquelas paredes velhas. E há muito que os sonhos que um dia soltamos das paredes já não são os mesmos. Quando o amor nos falha por qualquer razão voltamos sem sonhos, pelo men…
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."