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"Será chuva, será gente??" A felicidade não será certamente!!

À noite custava-lhe adormecer... Parecia ouvir passos na casa vazia, casa essa que já foi cheia, até o tempo lhe ter levado a alegria. Todas as noites ouvia os passos, era como que se alguém andasse por ali, perdido, desorientado. Os passos eram incertos, umas vezes mais seguros, outras vezes "assustados", como que se quem caminhava não tivesse a certeza de onde ia colocar o pé. Às vezes, durante o dia, tinha a mesma sensação. Por entre o silêncio daquela casa vazia estranhos barulhos faziam-se ouvir. Chegou, algumas vezes, a chamar os vizinhos que ficavam ali algumas horas, em silêncio, a tentar ouvir os barulhos. Nada ouviam. Nem os vizinhos nem ele. Era quase como que se quem por ali andava tivesse vergonha, ou só se sentisse à vontade com ele. Ou então, quem sabe, só queriam que o julgassem doido. Fantasmas... Talvez. Peritos foram chamados, nada encontraram. Mudou de casa. Os mesmos barulhos na outra casa. Aos poucos foi percebendo que era o passado que o atormentava e se fazia passear pela casa. Era o arrependimento a bater portas por todas as vezes que ele não as abrira. Era a felicidade, agora triste, a chapinhar na água da banheira. Era o amor a morrer a cada bocadinho. Era a chama da vida a apagar-se com o vento frio da sua alma que não chorava para fora. Eram os seus fantasmas a passearem-lhe pelo pensamento. Restava-lhe viver com eles ou não viver. Viveu assim até morrer, ou... talvez os tenha enfrentado, porque dele diz-se que meia e volta sorria e volta e meia parecia um sincero sorriso.

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