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Pessoas

Pessoas. Todas elas diferentes, todas elas à procura de igualdade. Não, talvez nem todas procurem igualdade, talvez nem todas sejam muito parecidas. Tão depressa encontrámos alguém que se atira para o chão e espera a "misericórdia" de alguém que a levante, como vemos alguém que, com forças que ainda se não conhecem, se levantam como se nunca tivessem caído, como encontrámos aquelas que caem e precisam, de facto, de ajuda para se levantar. E depois, por entre elas, encontrámos uma ou outra que nunca cai. A esses custa mais, nunca saberão o que custa cair e nunca irão saborear o prazer de voltar a estar de pé. Mas pelo menos estas, as que nunca caem, nunca terão de sentir o sabor da misericórdia dos outros, dos que caem porque querem e são levantados... Um ser levantado só porque está ali, no chão e até estorva um bocadinho a quem quer passar. Esses não sentem o sabor de estar de pé, sentem apenas aquele bocadinho em que estão a ser levantados, onde as pessoas lhe colocam a mão, a força, e os levantam, depois não sentem mais nada e deixam-se cair outra vez, só para voltar a sentir "aquela" mão nas costas. A essas pessoas dói sempre. É uma ferida que não sara, só sara quando se está no chão... E assim é difícil ficar de pé. 

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Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

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Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
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Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."