terça-feira, 27 de agosto de 2013

Um obrigado

Era uma noite, uma noite como tantas outras que passaram a contar estrelas por entre as nuvens, quase como que incendiadas pelo luar forte de uma noite quente de Verão. Deitados em cima do carro lá continuavam a contar estrelas, que se perdiam por entre aquelas nuvens pesadas, alaranjadas, quase como labaredas. Juravam o seu amor às estrelas, para que fossem testemunhas daquele momento, outro momento. Distraídos em cima do carro, mal se apercebiam de que as nuvens, afinal mais não eram que uma cortina de fumo, fumo próximo, o calor fazia-se sentir e assustados percebiam que não era do momento. Quando desceram das estrelas, perceberam que afinal se encontravam cercados por um fogo... Um fogo provocado por mais um delinquente que achou ser um bom dia para incendiar o céu que lhe não pertencia, era deles, dos que estavam em cima do carro. Estavam agora no chão, encurralados, o fogo havia-os cercado, afinal, estiveram ali horas a contemplar as nuvens, as estrelas, para tarde perceberem que a beleza daquelas nuvens mais não eram que a doce imagem que os embalou até ao seu fim. Embalados por uma cortina de fumo, que se não fazia cheirar. Distraídos, gritaram, sem esperança, quase como que num grito de Adeus, quase como que para se despedirem do mundo, dum mundo, onde o seu assassino sairia, mais uma vez, impune. Já haviam aceitado o seu triste fim, respirar já lhes não era fácil, caíram. Perderam os sentidos, ao menos morreriam inconscientes, inconscientes como aquele delinquente anónimo que o será para sempre, enquanto eles seriam notícia de um jornal durante uns dias. Até que uns super heróis, desconhecidos, porque ninguém os quer conhecer, heróis que usam máscara e se mostram ao mundo. Anónimos, desvalorizados e no entanto a lutar. Os bombeiros. Os bombeiros a que até este casal não daria valor algum. Chegaram, atravessaram um mar de chamas, sem medo, sem ondas, só com monstros e fantasmas de outros que não tiveram tanta sorte nesta luta desumana. Salvaram-nos. Devolveram-nos às suas promessas às estrelas, sem pedir nada em troca, só por vontade e prazer de salvar, aqueles que lhes não dão valor algum. Diz-se também que o próprio incendiário foi por eles salvo, acabou por se perder no caminho de casa. Mas ninguém sabe, porque nem notícia de jornal chegou a ser. Estes heróis desmascarados continuaram anónimos. E voltaram para mais lutas injustas, para salvar mais uns quantos, só porque sim. A vocês todos... Um obrigado!!

2 comentários:

  1. ...e para salvar esses namorados que se distraíram a contar estrelas e tantas outras vidas...centenas de hectares de floresta, pulmão do nosso país, esses anónimos soldados da paz, vão perdendo a vida na flor da idade.
    O que acontece aos culpados que ateiam os fogos e que fazem os responsáveis pela preservação da nossa riqueza florestal e das vidas humanas que se perdem?
    Nada; rigorosamente, nada! Isso, é que me revolta!!

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  2. Infelizmente não lhes acontece mesmo nada... Tal como a todas as outras pessoas que vivem para o mal e o cultivam... Acabam todos por sair de cabeça levantada, enquanto todos os que são prejudicados continuam de cabeça baixa, resignados... Oprimidos por esses, os que fazem mal sem medo de consequências...

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