quinta-feira, 19 de abril de 2012

Primavera


Se já encontrei o amor? Claro que sim... Vinha a mãos dadas
com uma menina lorinha de olhos verdes, cheirava a flores
de Primavera, corria ao sabor do vento,como ela, brincava
com os meus cabelos, caminhava por entre a multidão e era
inconfundivel, de manhã acordava como se a noite anterior
ainda não tivesse acabado, desordenava tudo à sua passagem
e sorria, sorria como se não houvesse maldade nos defeitos
que todos me apontavam, tal como ela, esse amor tinha um
sentido de humor tão especial que me fazia sorrir sempre.
Recordo-me também de que esse amor, era especial, não havia
nada nem ninguém que não quisesse ajudar, não havia sítio
que não quisesse visitar, não havia noite normal sempre que
estava por perto, todos o olhavam como a eterna criança,
esse tal amor que tendia a parecer não crescer, tornou-se o
que muitos acabaram por invejar, tal como a tal menina
dos olhos verdes, que acabou por se tornar um ídolo para
todos os que a adoraram. Ainda me lembro da sua doçura e
ternura nos momentos menos bons, recordo-me de como ficava
assustada quando a tempestade se fazia mais violenta que
todas as outras, lembro-me do medo que a invadia de cada
vez que o vento soprava mais forte, da descontracção com
que caminhava, daquela confiança que se lhe era evidente
a cada passo, aquela confiança de quem não tem qualquer
tipo de preconceito e não tem medo de todos os preconceitos
de quem nos rodeia. Ah, o tal cheiro a flores de Primavera,
esse cheiro que nunca se conseguiu descrever, esse que
nunca se conseguiu confundir ou classificar, afinal não
seria mais do que tudo o que se associava a esse tal amor.
Houve uma altura até em que cheguei a confundir esse tal
amor com a tal menina dos olhos verdes, flores de Primavera.

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Às vezes dá aquela vontade muito miudinha de desaparecer... Desaparecer porque nos resta nada... Não há esperança, não há mais caminhos, não...