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Primavera


Se já encontrei o amor? Claro que sim... Vinha a mãos dadas
com uma menina lorinha de olhos verdes, cheirava a flores
de Primavera, corria ao sabor do vento,como ela, brincava
com os meus cabelos, caminhava por entre a multidão e era
inconfundivel, de manhã acordava como se a noite anterior
ainda não tivesse acabado, desordenava tudo à sua passagem
e sorria, sorria como se não houvesse maldade nos defeitos
que todos me apontavam, tal como ela, esse amor tinha um
sentido de humor tão especial que me fazia sorrir sempre.
Recordo-me também de que esse amor, era especial, não havia
nada nem ninguém que não quisesse ajudar, não havia sítio
que não quisesse visitar, não havia noite normal sempre que
estava por perto, todos o olhavam como a eterna criança,
esse tal amor que tendia a parecer não crescer, tornou-se o
que muitos acabaram por invejar, tal como a tal menina
dos olhos verdes, que acabou por se tornar um ídolo para
todos os que a adoraram. Ainda me lembro da sua doçura e
ternura nos momentos menos bons, recordo-me de como ficava
assustada quando a tempestade se fazia mais violenta que
todas as outras, lembro-me do medo que a invadia de cada
vez que o vento soprava mais forte, da descontracção com
que caminhava, daquela confiança que se lhe era evidente
a cada passo, aquela confiança de quem não tem qualquer
tipo de preconceito e não tem medo de todos os preconceitos
de quem nos rodeia. Ah, o tal cheiro a flores de Primavera,
esse cheiro que nunca se conseguiu descrever, esse que
nunca se conseguiu confundir ou classificar, afinal não
seria mais do que tudo o que se associava a esse tal amor.
Houve uma altura até em que cheguei a confundir esse tal
amor com a tal menina dos olhos verdes, flores de Primavera.

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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …