Avançar para o conteúdo principal
É de manhã, sinto o cheiro do teu cabelo molhado a 
voltar para a cama, sinto o teu calor voltar a encher o
vazio de tudo aquilo que me fugiu quando parti, ouço,
de novo, o teu respirar trémulo de quem tomou banho
a correr para votar para a cama, nunca mudaste...

Acordo por entre todas estas familiaridades e vou
fazer o pequeno almoço, sim, recordei-me de que 
odiavas ter de te levantar para o fazer e lá te ouço
preparar para vir para a mesa, sabes que não sou 
menino de te servir na cama, até porque os tempos 

de te conquistar já voam alto, já não são esses 
pequenos nadas que nos fazem ficar juntos uma 
e outra vez. Vens, como sempre a saltitar pelo
corredor, tens o acordar mais divertido e energético
que me recordo ter encontrado em alguém.

Deixas fluir todas as tuas vontades e desejos para
mais um dia, sabes que eu não gosto de programar
nada para daqui a muito tempo, até porque foram
esses pensamentos que acabaram por ditar muito
do que não deveria ter sido e muito do que foi.

Tens tudo "preparado", já sabes para onde vamos,
o que vamos fazer de manhã, o filme que vamos ver
à tarde, a viagem que teremos de fazer à noite, quem
poderemos encontrar pelo caminho, onde iremos jantar,
o tempo que poderemos demorar em cada sitio.

De inicio seguimos o teu "plano", depois deixas que 
seja eu a alterar-te todos os objectivos, todas as 
tuas vontades e acabas, pelo meio de uma ou outra
discussão, a admitir que ainda bem que assim foi e 
eu acabo por te deixar continuar com o que querias.

Eh, no meio de tanto, fazes-me falta, às vezes.
E sim, eu faço-te falta, eu ainda me lembro como
gostas de que as coisas não sejam como tu queres
ainda gostas de ser surpreendida por entre os teus 
planos, e eu ainda gosto que me imponham planos

apesar de te dizer sempre que não gosto de planos,
sabes que às vezes preciso de alguém, que me guie
pelo meu "caos perspectivado".

E ao fim volto a dizer-te o que tu tanto odeias ouvir
e tanto sabes que é verdade, eu consigo viver sem 
ti, consigo... E pior, tu consegues ainda mais facilmente.
E acabamos sempre por voltar ao mesmo, sempre...

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."