sexta-feira, 6 de abril de 2012

É de manhã, sinto o cheiro do teu cabelo molhado a 
voltar para a cama, sinto o teu calor voltar a encher o
vazio de tudo aquilo que me fugiu quando parti, ouço,
de novo, o teu respirar trémulo de quem tomou banho
a correr para votar para a cama, nunca mudaste...

Acordo por entre todas estas familiaridades e vou
fazer o pequeno almoço, sim, recordei-me de que 
odiavas ter de te levantar para o fazer e lá te ouço
preparar para vir para a mesa, sabes que não sou 
menino de te servir na cama, até porque os tempos 

de te conquistar já voam alto, já não são esses 
pequenos nadas que nos fazem ficar juntos uma 
e outra vez. Vens, como sempre a saltitar pelo
corredor, tens o acordar mais divertido e energético
que me recordo ter encontrado em alguém.

Deixas fluir todas as tuas vontades e desejos para
mais um dia, sabes que eu não gosto de programar
nada para daqui a muito tempo, até porque foram
esses pensamentos que acabaram por ditar muito
do que não deveria ter sido e muito do que foi.

Tens tudo "preparado", já sabes para onde vamos,
o que vamos fazer de manhã, o filme que vamos ver
à tarde, a viagem que teremos de fazer à noite, quem
poderemos encontrar pelo caminho, onde iremos jantar,
o tempo que poderemos demorar em cada sitio.

De inicio seguimos o teu "plano", depois deixas que 
seja eu a alterar-te todos os objectivos, todas as 
tuas vontades e acabas, pelo meio de uma ou outra
discussão, a admitir que ainda bem que assim foi e 
eu acabo por te deixar continuar com o que querias.

Eh, no meio de tanto, fazes-me falta, às vezes.
E sim, eu faço-te falta, eu ainda me lembro como
gostas de que as coisas não sejam como tu queres
ainda gostas de ser surpreendida por entre os teus 
planos, e eu ainda gosto que me imponham planos

apesar de te dizer sempre que não gosto de planos,
sabes que às vezes preciso de alguém, que me guie
pelo meu "caos perspectivado".

E ao fim volto a dizer-te o que tu tanto odeias ouvir
e tanto sabes que é verdade, eu consigo viver sem 
ti, consigo... E pior, tu consegues ainda mais facilmente.
E acabamos sempre por voltar ao mesmo, sempre...

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Às vezes dá aquela vontade muito miudinha de desaparecer... Desaparecer porque nos resta nada... Não há esperança, não há mais caminhos, não...