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Heróis

Os heróis de antigamente faziam frente aos mais poderosos, os heróis de agora batem nos miúdos pequenos. Os heróis de antigamente construíam tudo com um quase nada que se não sabia de onde vir, os heróis de agora destroem tudo sem se perceber como será possível destruir tanto em tão pouco tempo. Os heróis de antigamente opunham-se, sem medo, às opiniões pequenas... Morriam, mas com eles morria a convicção de que sempre foram o que quiseram. Os heróis de agora adaptam-se às opiniões e morrem invictos, sem verdade, sem razão... Vazios... Os únicos heróis, agora, são os que amam sem querer destruir o que os que amam possam amar mais. Os únicos heróis, os que ainda se podem chamar, são os que constroem à sua passagem, são os que deixam ficar a medo, são os que olham e vêem para lá de si. Os verdadeiros heróis sãos os que abandonam o conforto dos seus lares, para partilharem o lar atormentado de outros "quaisqueres", são aqueles que abraçam um moribundo, são aqueles que respiram ao lado de alguém que dá, por fim, o seu último suspiro. são aqueles que sofrem com os que se não salvam, são aqueles que que descem ao mundo, sem medo de não voltar e abraçam os que são aceites como ninguém. São os que sabem tanto quem ser que, sem medo algum de se perderem de quem são, se confundem com a multidão de "ninguéns" e com eles caminham para o fim, que esperam não ser também o deles. São esses os heróis, é por esses que o mundo ainda faz sentido... É por eles que ainda existe a palavra "herói", é por eles que esta palavra mais não é que mais uma terra do nunca. Por eles.

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Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

Mas, quando por alguma razão o amor nos falha e a vida nos ludibria, deixamos de ser quem já fomos. Há muito deixamos aquelas paredes velhas. E há muito que os sonhos que um dia soltamos das paredes já não são os mesmos. Quando o amor nos falha por qualquer razão voltamos sem sonhos, pelo men…
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."