domingo, 23 de fevereiro de 2014

No fim foi igual aos outros todos

Perdido num mundo que não conhecia, tentava incessantemente encontrar alguma coisa... Sentia sempre que estava incompleto, sentia a cada passo que lhe faltava outro... Era uma busca constante de uma coisa que nem sabia o que era... Os dias iam passando e ele caminhando pelo tempo, como que se, a cada passo, vislumbrasse outro caminho, um caminho melhor, talvez. E enquanto caminhava de olhos postos no desconhecido, caminhava sem medo, com vontade, com convicção... Embora perdido, sabia que se iria encontrar em algum lado, que a qualquer momento daria o passo certo, o passo decisivo, o passo esperado. No fundo não procurava nada, procurava só o motivo pelo qual não queria parar de caminhar... Sentia-se perdido na multidão que já julgava ter encontrado tudo, ouvia as suas histórias, as suas conquistas, as suas vitórias e todas lhe pareciam iguais, vulgares contos... Muitas vezes pensou que, no fim de contas, a maioria das pessoas que ouvia é que estavam perdidas, perdidas nas suas vulgares conquistas, nas suas banais histórias... Enfim, todos tinham alcançado o mesmo sítio, de uma ou outra forma, uns mais depressa, outros nem tanto, outros parados... Era como que se só ele fizesse sentido num parado "mundo" preso às vitórias que nunca teriam sido, se o mundo de todos fosse o seu... Às vezes invejava-os, outras vezes lamentava que não ousassem caminhar mais... O tempo foi passando e a sua vontade de caminhar, inicialmente julgada inesgotável, foi-se perdendo... Sabia que se não tinha encontrado ainda, sabia que talvez nunca se conseguisse encontrar... Dele não se sabe mais nada... Sabe-se que no fim foi feliz, como outros tantos foram, no mundo deles... Neste mundo, no dele, a maioria teria ficado eternamente cega por uma venda que nunca arriscaram tirar, teriam sido eternamente tristes pelo medo de serem felizes... E no fim, bem no fim... Mais não foi que mais uma história, mais uma a acrescentar a tantas outras... Quem dele falava dizia que naquele vulgar mundo, onde ele próprio se julgou perdido, acabou por nunca ter sido encontrado... E agora ali jaz um homem sem identidade que se escondeu para nunca mais ser encontrado... Dele não se sabe mais que quase nada, sabe-se que se calhar foi diferente... E foi... Foi único no meio de tantos iguais a ele!

"No one can tell what goes on in between the person you were and the person you become (...) there are no maps of the change. You just come out the other side... Or you don't." 

6 comentários:

  1. Vamos calcorreando o trilho, da nossa vida, sozinho, ou na multidão, afinal poço sentir-me abandonado num mar de gente.
    Buscamos uma referência, o saber de nós.
    Por vezes quando chegados ao fim do caminho, resta-nos uma mão cheia de nada!

    ABRAÇAÇO

    http://diogo-mar.blogspot.com/

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  2. E tudo será sempre uma busca constante daquilo que ainda não temos. Continua ;)

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  3. Boa tarde Diogo,,, Esperemos então que no fim nunca encontremos uma mão assim...Até porque daqui até ao fim há muitos caminhos a percorrer, ou pelo menos esperemos que sim... Abraçaço!!

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  4. Olá Bárbara ;) Continuaremos sempre e mesmo que não procuremos, estou em crer que continuaremos sempre a encontrar alguma coisa... Bj

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  5. Às vezes, por sermos tão únicos (como ele) passamos despercebidos... reduzidos a zeros...

    Beijinho

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  6. Sim, mas o importante nem é que nos vejam ;) O importante às vezes é passar e reconhecermo-nos...
    Beijinho

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