segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Saudade

Estava por ali perdido em pensamentos. De repente um sentimento invade-o abruptamente. Era um sentimento todo ele novo, cheio de emoção, cheio de vida e no entanto vazio... Era saudade, mas era um novo tipo de saudade que nunca experimentara... No entanto não se assusta, apesar de ser um sentimento que nunca conhecera, não o fez pular do seu confortável sofá. Por ali andava a saudade do seu cão, aquele que sempre desejara ter e nunca acabara por "conquistar" (sim, porque um cão tem de se conquistar, não é só ter lá em casa), tinha saudade daquelas férias com os amigos que nunca chegaram a ser, tinha saudades daquele amor que nunca chegou a viver, saudades daquela viagem para não mais voltar que nunca tivera coragem de concretizar, sentia saudade daquele casaco que viu uma vez numa qualquer rua que acabou por não comprar. Tinha saudade até daquele momento em que não foi, mas acabou por ir e não devia. Tinha saudade daqueles breves momentos em que pediu que não fossem, tinha saudade da tristeza daquele amor, daquele que também não deve ter sido. Tinha saudade de tudo o que quase foi. Tinha saudade de ter arriscado!! Tinha saudade. Onde outro qualquer teria encontrado arrependimento ele encontrou saudade. Talvez porque tenha sempre compreendido porque ficava, porque não ia, porque seria, porque não poderia ser, porque deveria não comprar um casaco que combinava mal com as meias, porque sabia... E o saber deixava-o ter saudade... Deixava-o sorrir para o passado com orgulho... Deixava-o sonhar com o que não foi! Era um sonhar com o que seria, era no fundo, como alguém lhe havia dito um dia, "ter saudade do futuro"... Porque se nunca chegou a ser ainda não é passado, ainda é uma porta aberta para o futuro. Foi por ali, por aqueles instantes que percebeu que não era, afinal, uma pessoa sem sonhos. Percebeu ali que os seus sonhos são os mesmos de sempre, são já saudade, são já como se tivessem acontecido sem nunca o terem de ser. Percebeu, por fim, que sonhava mais que todos os que lhe apontavam o dedo por sonhar de menos e se diziam sonhar alto. Sonhavam baixo, afinal... Sonhava mais alto ele porque esteve sempre a um pequeno passo do sonho da saudade. Ao contrário dos outros, que sabem onde estão os sonhos, mas não sabem como lá chegar, ele sabe porque não chegou à saudade e agora é só sonhar. Agora é só continuar a sorrir para tudo o que tem e ter saudade de tudo o que poderia ter. É olhar, sorrir e sonhar com a saudade que terá um dia pelo que nunca foi hoje. Ah, saudade!! Saudade do futuro preso por bocadinho de sonho perdido num passado que ainda pode não o ter sido. 

6 comentários:

  1. "Ao contrário dos outros, que sabem onde estão os sonhos"

    Tão bonito:)

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  2. O sonho e a saudade são alimento para a alma.

    ABRAÇAÇO

    http://diogo-mar.blogspot.com/

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  3. Há quem não perceba bem onde deixou pendurados os sonhos, ou se os chegou a pendurar ;)

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  4. E que seja uma alma farta Diogo_Mar!! Abraçaço

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  5. O que se vive nos sonhos também deixa saudades...

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  6. E há sonhos que valeriam uma vida... Talvez uma outra vida ;)

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