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Boa noite

Mais uma noite havia passado... Mais uma noite perdida... Talvez... Afinal, quantas noites já perdera ao longo destes anos... Já há muito havia percebido que a maioria das noites não dormidas pouco mais eram que nada. Pouco mais que uma dor de cabeça no dia seguinte... Deitou-se embriagado pelas conversas da treta, drogado pelos cenários de embriaguez que perseguiu a noite inteira. Antes tomou um café, como que para despertar para dormir. Ou para se envolver com as pessoas que perderam a noite a dormir e acabavam de acordar para mais um dia, enquanto ele se preparava para dormir. Chegado a casa caiu redondo, como que se o café o tivesse deixado cheio de energia para dormir. Quando acordou tinha a ideia de que a noite não fora nada, foi uma noite igual às outras todas. O tempo passou e outra noite se aproximou. Aos poucos foi percebendo que não foi só mais uma noite, foi uma noite diferente das outras todas, voltou a ver o sol nascer. Voltou a perceber que nem tudo se perde na tempestade, percebeu que nem tudo o que é dado como perdido é encontrado. Percebeu que muitas vezes o que está perdido não deveria ser mesmo encontrado. Aos poucos foi percebendo que se tem de aceitar o que fica para trás para conseguir compreender o que vem pela frente. "Foi uma boa noite", pensou!! E por aí vem outra, outra nova noite. Será sempre só mais uma, enquanto houver outra a seguir. E é assim que tem de ser, foi assim que percebeu que o passado nunca terá o peso do futuro e a leveza do presente. "Sim, foi mesmo uma boa  noite"!!

Boa noite...

Comentários

  1. "Percebeu que muitas vezes o que está perdido não deveria ser mesmo encontrado.": não será este um dos lemas principais para conseguirmos ser felizes? :)

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  2. Talvez... Mas o sentimento de perda deixa sempre a sensação de que falta alguma coisa ;)

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"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
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Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

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