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Estar onde não ser

Num qualquer dia diz-se que se apercebeu... Vivera muito tempo iludido pela realidade que se esquecera da razão da imaginação... Ou seria ao contrário!? Às vezes esquecia-se do seu lugar, colocava-se em sítios que não era seus, pelo menos não seriam durante muito tempo e na realidade... Parecia-lhe que seriam eternos. Outras vezes saía de onde pertencia para estar aonde nunca seria... Vivia realmente o que nunca viveria, como que se já tivesse sido o que nunca foi... Por vezes julgavam-no perdido num mundo que não era igual aos outros... Talvez não fosse, o mundo é cheio de coisas que são e de outras que nunca serão... O mundo dele é cheio de coisas que não são e sempre foram e cheio de coisas que são e que nunca seriam... Por vezes chamavam-lhe louco, mas no seu mundo diz-se que ser louco é uma opção, como no mundo dos outros viver também o é. Ser louco seria ser mais ou ser menos, mas seria não ser igual aos seres dos outros... Às vezes fazia sentido e ficava onde não era... Outras vezes não fazia sentido sair de onde estava e ia... Às vezes voltava, mas nunca voltava inteiramente... às vezes ficava de onde não era para perceber quem seria, se ser não fosse como é... Mas nunca ficava "para sempre" porque não se pode ficar para sempre de onde se não é... Diz-se que foi assim, não se sabe se foi quem quis ser, não se sabe se não foi quem realmente foi... Foi sempre uma folha em branco cheia de coisas que nunca seriam, era uma folha cheia de coisas que sempre foram e nunca chegaram a ser... E por fim foi uma história sem fim, porque quem nunca foi e conseguiu ser merece viver para sempre aonde não é... 

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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …