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Diz-se que.

Andava perdido, sempre perdido, dele dizia-se nunca se ter encontrado. O tempo não o encontrava, os sítios, pelo menos os que se diziam como os certos perdiam-se dele. Às vezes cruzava-se com o sítio certo, mas o tempo teimava em dizer-lhe que não era. Os sítios a que chamava seus iam-se perdendo no tempo, o tempo, esse por sua vez arrastava-o com ele sempre. Mesmo que não fosse e ficasse o tempo passava e ia sozinho sem ele. Ele ficava quieto naquele que queria que fosse o sítio certo. Outras vezes o tempo levava-o para onde não pertencia, ou levava-lhe o "aonde queria estar" para longe. O tempo, à medida que ia passando por ele, ensinava-o que tinha de ser onde estava, que não valia a pena correr atrás de outro sítio. Ensinou-lhe que nem sempre o cenário é perfeito, às vezes é bom que não seja. o tempo não lhe dava tudo e ameaçava-o constantemente que lhe ia tirar tudo. Na altura certa estava no sítio errado e no sítio certo estava na altura errada. Desencontrado dizia-se. O tempo dizia-lhe que "a seu tempo as coisas correm bem no sítio errado e correm mal no sítio certo". O tempo, sempre o tempo a dizer-lhe, dizia-se. Mas o tempo nunca lhe disse nada. Um dia, quando o encontraram, perceberam que não foi o tempo que lhe disse, mas sim o "sítio" onde esteve que lhe ensinou tudo. Dele, que disseram perdido, encontraram sabedoria. A ele perguntavam-lhe tudo. E ele não era o tempo, mas sabia. E até sabia mais que o tempo, porque o tempo não sabe nada. O tempo passa só, calado. Não se dá por ele. O tempo não existe, ele ao menos existiu! Não se sabe onde, nem quando. Mas foi. Foi o que pôde ser, num sítio onde não poderia ter sido outra coisa. Ele tinha todas as respostas, as suas respostas. E um dia, num dia qualquer, sabe-se que o tempo lhe não perguntou nada. E ele respondeu-lhe que foi muita coisa além do que foi naquele sítio, disse-lhe que viveu em muitos mundos que e que o tempo o não controlou! O tempo não conhecia os outros mundos, só conhecia aquele. E foi por ter ficado que não foi. Foi por ter ido que gostava de ter ficado. Foi por não fazer nada que quis ter feito. Foi por ter feito tudo que quis ficar quieto. E o tempo... Esse... Esse passava sempre com o passo certo e acertado como os ponteiros de um relógio. Nunca saiu dali, daquela rotina de dias que se tornavam anos, que se tornavam séculos. A memória do tempo era fugaz e não conhecia mais nada além do agora. O tempo nunca soube nada, o tempo é que estava perdido. E ele perdeu-se no tempo não se sabe onde. Pode ter sido em qualquer sítio, pode ter sido em qualquer "agora".

Comentários

  1. O tempo tem muito que se lhe diga. Nem sempre é amigo quando mais precisamos mas quando menos se espera estende-nos a mão. :-)

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  2. por vezes não é o tempo, por vezes somos nós que não sabemos gerir o (nosso) tempo.

    bom fim de semana.

    beijo

    :)

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