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São noites

São noites de copos, talvez muitos, mas são noites que nos atiram para trás, para quando tudo era fácil, para quando ainda decidíamos sonhar e lutar contra a tendência, voltámos a fazer promessas, daquelas que sabemos não conseguir cumprir. Histórias de viagens, concertos, aventuras, "acidentes", imprevistos lavavam-nos a alma, enquanto uma cerveja a encharcava. Entre um trago e outro falava-se de política, percebíamos pouco, mas não é preciso perceber muito para não dizer nada, falava-se de vida, de sonhos, até se falava de tristeza com uma certa alegria. O bar, que outrora foi nosso, voltou a sê-lo, até a música parece que recuou 10 anos. Falava-se do oculto, das histórias de encantar que assustam, bruxas que os outros adivinhavam sê-lo, não se sabe se seriam, o velho juntar de fichas (moedas), que outrora também foi costume, para mandar vir mais uma rodada de 5, que não éramos mais. O sentido de humor apurado fez com que a noite voasse e com que de repente viéssemos sozinhos com as histórias, assustados, sempre à espera de ver um gato preto atravessar-se-nos à frente. Hoje devia estar cansado, estou. Mas no entanto fica a franca certeza de que valeu a pena e de que momentos destes não se repetem dia sim dia sim.

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Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
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Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."