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Ausência de escolha

Passaram uns dias... E já te arrependes. Sabes que não erraste na escolha, só escolheste o que podias ter, não te era possível escolher o que não poderia ser. No fundo não escolheste, a vida levou-te à tua escolha. Agora, ao fim de uns quantos dias apercebes-te de que voltaste a agir como se não houvesse consequências para aquilo a que chamas as tuas loucuras. Escondes-te atrás de uma cortina transparente, porque não precisas esconder que foi só daquela vez. E depois lembraste que de outra vez também era assim, é só "aquela vez" e "aquela vez" tornou-se num hábito que não conseguiste controlar. Custa-te entender que é sempre assim, que consegues controlar tudo e que no fim nem o teu próprio comportamento consegues dominar. Tonas-te num ser que não queres ser. As tuas acções voltam a ser o reflexo de um impulso que nem sempre é impulsionado por ti. Percebes que quem te faz falta até não é ela, é a falta de opção. É a tua revolta contra a não escolha, é a tua reacção contra a ausência de possibilidades. É o não poderes assumir que o resultado será culpa tua. Acabas por te encontrar num mundo do qual sempre tentaste fugir. E até foi fácil, porque tinhas mais, querias mais, conseguias esconder-te. Agora, que a escolha se fez e tu não a abraçaste sentes-te perdido e fugir não faz sentido. Deixas-te só caminhar à leve brisa do "não importa", perderes-te no "é só hoje" e agarrares-te a um "eu fico bem" que te foge sempre. E lembra-te, só passaram uns dias. Como será quando passarem meses, anos... Será que o só hoje não será um "durante muito tempo"? Tudo porque não quiseste, ou no fundo não soubeste, ou simplesmente porque não tinhas escolha.

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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."
Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …