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Não chegas

À minha volta não há muito, há o suficiente para não chegares...
O estar ou não estar não seria assim tão importante, se me não
quisesses tão perto. Se me não teria esforçado? teria, mas há
muito te tinha como órbita, agora terei-te como um leve
cometa que vai e vem, sem rota, sem direcção, um pedaço de
mim cortado, um pedaço de mim perdido, destruído... Não é que
te percas, será mais um "que não me encontras"... E sim, sei
que encontrarás o que não procuras, e sei que o que não queres
pode ser o que querias encontrar, assumi o risco, e acabei
riscado, como os demais que não chegam a estar perto, por
muito perto que passem... Já não nos encontrámos... Já nos
perdemos antes de sermos imprescindíveis, antes de sermos
únicos... Agora não seremos nós, seremos, para sempre, um
e outro, distintos, diferentes, compatíveis... Afastados... E um
dia, talvez, vamos dar conta que seríamos um, se não fossemos
tantos. E nesse dia não seremos nada, ou se formos, seremos tudo.

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Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

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