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Às vezes, diria até quase sempre, para não cair na certeza de sempre,
que exagero um bocadinho na forma como quero controlar tudo o que
me rodeia, todos os que se me aproximam, tento adivinhar cada infimo
movimento, cada pequeno detalho de uma realidade que ainda não
aconteceu... E, se por algum motivo, as coisas correm ligeiramente
diferente daquilo que tinha imaginado, tudo o que construí no que
poderia ser acaba por se desmoronar, sem deixar destroços, quase
sem se perceber que chegou a acontecer, acabo por destruir tudo, só
pela culpa de não ter acertado nos cálculos, digamos que, como se por
aí diz, espero pelas respostas das perguntas que ainda me não coloquei.
Não é que se note muito, tal como disse, não ficam os desmoronamentos
sentimentais que deveriam ficar, apenas para dizer que já existiu alguma
coisa por ali e por acolá... E quase sem vestigios, quase sem marcas, lá
vou passando pela vida de uns e vou deixando que passem pela minha.

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Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
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Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
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Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."