quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Da gaveta...

Ali estavas tu, alheia ao mundo, alheia a mim, lá fora chovia torrencialmente, o caos acabara de se instalar nas ruas do Porto, no bar onde nos encontramos (e acabaria por ditar o nosso desencontro) a fumo instalara-se há muito, as portas estavam todas fechadas, inalavas o fumo que tanto odiavas, enquanto te "distanciavas"
de mim, eu aproximava-me do teu objectivo, e por ali fiquei a beber copos com aqueles que se me nao alheiam enquanto o mundo cá fora parecia castigar todos os que andavam na rua. E eu, eu que entrei alheio ao resto não te consegui ignorar e fui-te observando de longe. Por ali ficaste, como se eu ali não estivesse, como se a minha presença te não fizesse qualquer diferença, continuavas alegre com aqueles que te rodeavam, praticamente não te ouviam, bem o sei, mas tu tens esse charme, que para mim se tornou insignificante à beira daquilo que consegues ser, as pessoas ficam so para olhar para ti. Não sei se me ignoraste a noite inteira, nao sei se só me viste ao sair. Ao fim da noite, quando nos aproximavamos do caos que se fazia sentir lá fora, esboçaste-me um sorriso, esse teu sorriso que apesar de bonito, eu já o conhecia como sendo de "desprezo", sim eu conheço os teus truques. E foi nessa noite tenebrosa que me deste a força que eu precisava para te "esquecer". Tive o cuidado de guardar todos os nossos bons momentos, o que de bom ficou, o que de bem me fizeste, apenas apaguei o que nós poderiamos ter sido e exclui para sempre a hipotese de esse nós vir a ser possivel. Porque o deixamos de ser nessa noite. E agora vejo-te alheia ao mundo e o mundo atento a ti e tu já te não dás ao trabalho de falar, apenas espera que eu te "veja", que te procure por aquilo que tens para dizer. Afinal essa noite não passou do teu jogo, não querias realmente ter-me ignorado, contaste-me alguns dias depois, eu sei, mas a minha decisão dessa noite manteve-se, não podia jogar mais, talvez tenhamos jogado tempo demais. Fiz-te alheia a mim e juntei-te à multidão que te rodeava, fiz de ti só mais uma e agora aí estás tu, a construir um nós que já há muito. E parece que o "apaguei o nós para sempre" se tornou pequeno para aquilo de que somos capazes e o para sempre acabou por ser um
"agora"´... Voltas e voltas e voltas...

Sem comentários:

Enviar um comentário

Às vezes dá aquela vontade muito miudinha de desaparecer... Desaparecer porque nos resta nada... Não há esperança, não há mais caminhos, não...