terça-feira, 31 de maio de 2011

Retrato de uma fuga

Foges de um passado, em direcção ao incerto
Com a ânsia de quem procura com um certo
Desespero uma pequena fuga a uma realidade
Há muito indesejada, há muito temida.

Não percebes agora que com esse desespero
A única coisa que vais encontrar é mais um
Motivo para fugir… Assim serás enquanto não
Lutares contra tudo aquilo que te persegue.

Fumo um cigarro à varanda, enquanto te imagino
Aflita nessa tua fuga, nessa tua fuga para o que
Menos queres, para o que te mais assusta,
Para o que menos és... cobarde, inconsequente.

Enquanto reparo na forma descontraída como
Este miserável cigarro se aproxima do fim, observo
E questiono-me até que ponto é justo para nós
Adiar o inevitável, fugir do certo, ate que ponto?

Será que vale a pena largar todas as guerras e
Fugir inocentemente para um inimigo cada vez
Maior, cada vez mais incerto, até que ponto
Seremos capazes de lutar com os nossos medos?

Pergunto-me ainda se não seria mais fácil ficar e
Aguentar o aparente fim, para descobrir o que
Surgirá deste fim inevitável, que afinal pode até
Ser um inicio de um futuro alicerçado e calculado.

Nunca foste calculista, bem o sei, mas sempre
Soubeste analisar os riscos e escolher o
Que seria melhor para ti, agora, vives à velocidade
Da tua fuga, à velocidade do teu fim… E agora?

Agora, será tarde para parar? Sera tarde para lutar?

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Às vezes dá aquela vontade muito miudinha de desaparecer... Desaparecer porque nos resta nada... Não há esperança, não há mais caminhos, não...