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Cartas anónimas


"Amor, ao leres esta carta vai para o meio do jardim, dá um beijo numa flor julgando que dás em mim; Vai-te carta voando, cada uma diz o que quer, mas eu queria muito que fosses minha mulher..  Passei à tua porta estava dizendo teu pai "Tantas tantas têm caído, mas minha filha não cai!!"... Por teres sido enganada tens andado a cismar, andas toda aferrada, ninguém te pode aturar. Neste dia 1 de Abril, dia da brincadeira, só penso em ti e gostava de estar sempre à tua beira. Tristes dias eu senti, duro é o meu viver, ter-te junto a mim era o meu maior prazer. Queres saber quem eu sou mesmo, hoje podes saber e chorar por toda a vida sem nunca me chegares a ver. Se vires o mar vermelho não te assustes que é sagrado, são as lágrimas de sangue que por ti tenho chorado. 
Ai amor não tenhas pena de não saberes quem eu sou, pensa bem e imagina quem já tanto te amou.
Sou todo teu para sempre, muitas e muitas felicidades... (deste que sempre te ama) "

Isto, pelo que eles contam, porque em Abril se trocavam cartas de amor anónimas... Diz que o meu pai escrevia para a minha mãe! Diz que casaram no primeiro de Abril!

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Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …