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Meu bom amigo, vamos beber

Meu bom amigo, lá teremos nós de sofrer, afinal, "a vida é sempre a perder", não há muito por onde fugir, então se assim é amigo, vamos ser o que sempre fomos, vamos perder a noção da realidade, vamos perder-nos por entre desgraças alheias, por entre copos vazios, por entre cigarros fumados, vamos aproveitar o que de pior a vida nos pode dar e tentar sofrer, ao menos, como quem vive feliz, vamos esquecer que o mal nos bate à porta constantemente, vamos olhar para o mundo e gritar em voz baixa que ninguém nos pode calar, vamos calar o mundo com mais um gole de cerveja barata. E depois disso vamos rir-nos dos que não podem, como nós, sofrer sem medo, ser odiados por não nos importarmos, vamos beber até cair, porque a
dor assim não dói e se dói não nos lembramos. Amigo... Vamos beber, vamos ser felizes como os infelizes não conseguiram, vamos ser ébrios em tempo de carros híbridos, vamos atirar lixo para o caixote, vamos atirar pedras para o rio, ou rios para a pedra, vamos atirar comida aos que tem fome ou fome aos que tem comida, vamos levantar os que caíram, vamos tombar os que nos sufocam, vamos beber, porque meu amigo, no fim disto tudo, o que afinal fomos foi...
Felizes.

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Soltamos das paredes da imaginação o quadros com os sonhos... Caminhamos por caminhos que nunca tinham sido nossos... Deixamos quem éramos lá atrás e retocamos os quatros ainda há pouco desprendidos. Entorpecidos pelo amor, caminhamos enquanto pintamos, sonhamos enquanto caminhamos, construímos enquanto destruímos. Depois de soltos os sonhos, acabam por se prender em quem amamos. Ali, em quem amamos, residem agora os quadros dos nossos sonhos, as paredes da nossa imaginação, os limites da nossa existência. Ali, ali fica tudo o que já fomos e tudo o que gostaríamos de ter sido. Ali, como quem troca para uma casa maior e mais bonita, procuramos uma parede mais perfeita onde possamos decorar a vida.

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Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
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De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
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Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."