sexta-feira, 12 de julho de 2013
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Dos dias quentes
Era um dia quente, tal como outros tantos que já o tinham sido. Entretanto veio o frio e levou-os, levou-os para longe. Não se percebe se este dia quente foi dos que foram, se é novo, mas de uma ou outra forma, já não é tão quente como os outros. A temperatura pode ser a mesma, mas até já não nos caça de surpresa. Quase conseguimos fazer de conta que não está ali, ignorá-lo, fazer dele banal. O céu, azul rasgado sem fim à vista, é lindo. No entanto é só mais um, de tantos que já foram, perde um bocadinho por não ser diferente dos outros céus azuis. O facto de ser perfeito já não o faz especial, porque já houve muitos céus perfeitos. E tal como os dias diferentes e quentes se vão tornando iguais, talvez a vida assim o seja. E se não inventarmos nada de novo a cada bocadinho que passe, os dias dessa vida passarão a ser apenas uns atrás dos outros. Não é mau ter o céu da vida a variar entre tons de cinza e azul forte e quente. É sinal que os dias não são apenas uma compilação de dias perdidos que não têm por onde serem encontrados
sábado, 6 de julho de 2013
Non sense
"Por volta da quarta vez desisto de escrever o que quer que seja.. Não porque não faça sentido, faria... Mas há dias em que escrever seria perder uma luta que nunca foi nossa..." Diria ele, ainda meio envolvido numa realidade que lhe nao pertencia. E, no meio de uma guerra criada sem rival, perde-se sem ter o que ganhar... Perde-se com justiça aquilo que se teria ganho ainda antes de ser, perde-se o sentido antes de saber o caminho. Adivinha-se um caminho que ainda não foi e que nunca será, porque no meio de tudo, afinal não há nada.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
realidade
Podes sonhar, podes fazer projectos, podes criar expectativas, podes esperar, podes viver, mas no fim só te resta a realidade.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Ausência de escolha
Passaram uns dias... E já te arrependes. Sabes que não erraste na escolha, só escolheste o que podias ter, não te era possível escolher o que não poderia ser. No fundo não escolheste, a vida levou-te à tua escolha. Agora, ao fim de uns quantos dias apercebes-te de que voltaste a agir como se não houvesse consequências para aquilo a que chamas as tuas loucuras. Escondes-te atrás de uma cortina transparente, porque não precisas esconder que foi só daquela vez. E depois lembraste que de outra vez também era assim, é só "aquela vez" e "aquela vez" tornou-se num hábito que não conseguiste controlar. Custa-te entender que é sempre assim, que consegues controlar tudo e que no fim nem o teu próprio comportamento consegues dominar. Tonas-te num ser que não queres ser. As tuas acções voltam a ser o reflexo de um impulso que nem sempre é impulsionado por ti. Percebes que quem te faz falta até não é ela, é a falta de opção. É a tua revolta contra a não escolha, é a tua reacção contra a ausência de possibilidades. É o não poderes assumir que o resultado será culpa tua. Acabas por te encontrar num mundo do qual sempre tentaste fugir. E até foi fácil, porque tinhas mais, querias mais, conseguias esconder-te. Agora, que a escolha se fez e tu não a abraçaste sentes-te perdido e fugir não faz sentido. Deixas-te só caminhar à leve brisa do "não importa", perderes-te no "é só hoje" e agarrares-te a um "eu fico bem" que te foge sempre. E lembra-te, só passaram uns dias. Como será quando passarem meses, anos... Será que o só hoje não será um "durante muito tempo"? Tudo porque não quiseste, ou no fundo não soubeste, ou simplesmente porque não tinhas escolha.
06:34
Com o fim do dia, o cair da noite, como todos os dias. Com o noite o esquecimento, o fugir da memória. O que se fez perde-se na escuridão. Restam as memórias que se agarraram ao dia e não tiveram medo do escuro. Podem não ser as melhores mas acabas por adormecer com elas ainda acordado. E tudo não passa disto, de um adormecer acordado embalado por memórias que não são nossas... Se calhar. Ou se não são gostaríamos que fossem e aí dize-mo-nos sonhar. Os dias, esses correm uns atrás dos outros, como que se as rugas que se lhes vão surgindo fossem dos outros. O tempo, como lhe chamam, não mais é que um juntar de dias, noites. E as memórias, essas vão-se perdendo nos dias menos bons. E no fim, tudo o que resta não será mais que nada. No fim, nem as memórias ficam para te embalarem nos dias solarengos de uma vida perdida à sombra do que seria.
Praia
Acabaste por ter de ir... Bem sei que a tua vontade teria sido ficar, se não fosse tanta a vontade de ir. Agora a casa que um dia foi nossa está igual. A praia que um durante tanto tempo se nos pôs à frente continua ali, à distância dos mesmos passos. O mar, aquele que durante tantas noites nos beijou o sono, que nos embalou em noites quentes, continua ali, a beijar a praia como se fosse partir para sempre, mesmo sabendo que não vai sair ter de ir, pelo menos todo, ou inteiro. Só faltas tu e sem ti tudo não passa de mais uma praia.
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Era uma vez... Um menino muito pequenino, sentado à janela do seu quarto. Dali via um pequeno riacho, umas escadas, daquelas que já não há, ...
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Mais uma manhã de chuva, daquelas manhãs que dá vontade de não deixar ir embora porque nos embala num sono em que se fica acordado e se par...
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Às vezes o simples entender do andar do tempo e do desenrolar do seu processo fazia-lhe impressão ao olhar para os que lhe eram de perto......