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Palavra

"Vou escrever-lhe" pensou... Depois entendeu, e bem, que as palavras nunca chegariam para lhe dizer tudo. Não havia nada tão maior que o que tinha para lhe dizer... E, no entanto, as palavras mostravam-se raras, insuficientes, pequenas... Restava-lhe acreditar, acreditar que tudo o que não dizia fosse ouvido e compreendido. Afinal, as palavras não são assim tão importantes... E diz-se que palavras leva-as o vento... E eles eram isso, eram vento, eram tempestade, eram brisa, eram suspiro, eram respirar. Dentro deles tinham o mundo inteiro... As palavras chegariam para dizer que traziam nos seus mundos mares e oceanos, que eram tempestade, que trovoavam de quando em volta, que gritavam mudos, que sorriam um com o outro... Sim as palavras diriam isto... Mas as palavras nunca seriam suficientes para descreverem o que sentiam juntos, para descrever o poder de dois mundos diferentes a chocar um no outro... As palavras nunca seriam capazes de perceber a forma como seguravam o mundo... O mundo um do outro, as palavras seriam sempre poucas ao tentarem contar a forma como eram felizes com tudo ou sem nada, seriam sempre poucas para descreverem o medo que os invadia sempre que se lembravam que existe um universo inteiro e que eles são apenas dois mundos, dois pequenos mundos. 

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Morreste-me ali amor... Sei que ainda respiras... Mal, mas respiras... Sei que ainda aí vives... Mas sei que te perdi ali algures onde a vida vira... Fomos tantas e tantas vezes ao limite do ser que nos perdemos para lá do ir... Fomos longe demais procurar o que tínhamos mesmo à mão de ser... Quisemos ser tudo... Quisemos viver tudo, quisemos ter a certeza... E com a certeza de que o amanhã é incerto, guiamo-nos pela incerteza... Perdidos por ali... Fomos morrendo...
Agora, agora vais-me a enterrar quando não restar nada... Quando formos só uma imagem do ontem, um sonho enterrado vivo e morto à nascença... Morremos ali... Aonde a vida vai e nos ficamos... Vamos a enterrar, sozinhos de nós...

De: Helena Coutinho

"Aqui jaz um corpo que esculpiu palavras.
Aqui jaz o sorriso de quem ousou querer o mundo dos imortais;
os cabelos onde borboletas passeavam liberdade
e as mãos de jardim, onde beija-flores bebiam fantasia…
Aqui jaz a que não temeu sonhar todas as vontades do coração.
Aqui repousa a alma da que jamais descansou de sentir tudo,
de todas as maneiras.
Aqui ecoará, para sempre, um querer, infinito, de poeta.
Aqui perdurará o tempo que a vida não me deixou escrever."

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendesque amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas …